Isaac Díaz Pardo e a Língua



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Como foi a génese do livro.

Em Setembro de 2007 vinhamos, eu e os companheiros que me acompanhavam, de ser eleitos como novo Conselho da AGAL.

A entidade, além da revista Agália, havia tempo que não dava obras a lume com o seu próprio carimbo, e nós tinhamos vontade de retomar a edição, e convertê-la num área potente e autónoma capaz de gerar as receitas necessárias para essa área ter a devida potência.

No ano 2008, após aprovação em assembleia, demos mais um passo avante, nasceu fiscalmente uma entidade diferenciada da Agal, chamada AGAL-editora, que segue felizmente existindo e que hoje em dia sob a chancela de Através tem um venturoso presente, convertida numa referência no panorama editorial galego.

Já na primeira reunião do Conselho se tratou de que livros poderiam já ser editados. Isaac que vinha de ser a alma mater do livro de Díaz Pardo uma Esfinge de Pedra, propõe que publiquemos os

artigos de Diaz Pardo sobre a língua. Ele esclarecia-nos, esse homem sempre defendeu a unidade da nossa fala e do português, como sendo uma, ele pertence à tradição galeguista que sempre defendeu isso, e que na transição espanhola e na constituição da autonomia foi convertida desde o poder do estado e as suas instituições em água de bacalhau, pois para Espanha o galego é língua espanhola e só espanhola (a banir), e a condição de galego é particularidade exclusiva de alguns dos espanhóis.

Díaz Pardo pertence à tradição galeguista que sempre defendeu isso, e que na transição espanhola e na constituição da autonomia foi convertida desde o poder do estado e as suas instituições em água de bacalhau, pois para Espanha o galego é língua espanhola e só espanhola (a banir), e a condição de galego é particularidade exclusiva de alguns dos espanhóis.

O outro livro, que esteve já na primeira reunião foi essa joia da autoria de Jorge Rodrigues Gomes, Falas Secretas. Os dous livros há tempo que estão esgotados.

Díaz Pardo com Alonso Estraviz.

Díaz Pardo com Alonso Estraviz.

Isaac Alonso Estraviz, foi o coordenador de tudo nesse livro. A gestão do livro foi verdadeiramente deliciosa, e com vários encontros com o outro Isaac. Lembro de uma reunião minha bem demorada com ele no Instituto Galego da Informação, onde falamos das questões que eu tratava no meu artigo, incorporado ao livro. E de duas reuniões mais dos dous Isaac em que eu ia de acompanhante. Além disso acho que Isaac ainda teve um muito estreito relacionamento com ele, e nada mais sair a luz o livro, fomos a estar com ele e a presenteá-lo com os exemplares que lhe correspondiam; o particular jeito que estabelecemos de pagar os direitos de autor. Diaz Pardo não quis todos os que levávamos, eram-lhe muitos. Acho que o total editado foram 750 exemplares.

O livro tem uma introdução, cuja autoria é do Isaac Alonso Estraviz.

Um trabalho de José Maria Casariego Guerreiro, quem fez uma tese de doutoramento Sobre a obra e vida de Diaz Pardo, e que é o autor do seu repertório bibliográfico publicado na revista Moenia. Revista Lucense de Linguística e Literatura vol 8 lugo 2002 pp. 457 – 476.

Um Texto de quem era o vice-presidente da Agal, o nosso caro Isaac, sobre Díaz Pardo e a memória histórica.

Um texto de José Paz sobre a Dignidade de Díaz Pardo.

Um texto meu, no que esclareço um assunto infelizmente esquecido da nossa recente história, de como na Galiza também se ia recuperar na constituição da pre-autonomia o governo galego no exílio, é dizer o Conselho da Galiza, fazendo presidente a quem estava ligado a esse Conselho Bibiano Fernández Osório-Tafall, governo que teria que ter a participação de todos os partidos, e que aconteceu para isso não ser possível.

Um texto de José-Martinho Monteiro Santalha, sobre A Nossa Língua vista por Isaac Díaz Pardo.

Os artigos que conformam o livro do nosso autor, são todos eles pequenas maravilhas, a sua ordenação foi obra de Alonso Estraviz em colaboração com Casariego Guerreiro

1. Preto ou Perto

2. Os problemas da Galiza e os importunos

3. Os problemas da língua manifestam-se de formas muito diversas

4. O problema da língua visto por um que nom é filologo

5. O fio da história.

6. Um contraditor no caminho de Santiago

7. A baralha dos partidos estatais

8. O galego e o português

9. A inércia dos especialistas

10. Os especialistas

11. Sobre a cultura galega

12. Nós os terroristas

13. A nossa história em esquema

14. A propósito da língua galega

15. ESPANHA, PORTUGAL, GALIZA

16. O mercado comum e outras eivas

17. O galego esta a morrer, se nom se abrir a naçom irmã, que pode sustentá-lo, nom vai ficar em nada.

Martiño de Lopo

Martiño de Lopo

Isaac Díaz Pardo pertencia a uma tradição galeguista –profundamente iberista e fundamente fidel a uma ideia partidária do socialismo além dos limites nacionais, mas não por isso a Galiza deixou de estar sempre no primeiro lugar do seu pensamento e da sua obra, e esse compromisso com uma certa forma política que não respondia ao velho lema galeguista de forças políticas próprias, não lhe impediu agir em nenhum caso, e sempre manteve uma pessoal e inamovível liberdade e independência. Todo o mundo —seja ele de onde for ou venha de onde vier—, desde que a sua proposta seja comprometida com a Galiza, terá sempre o seu apoio solidário e generoso.

Isaac Díaz Pardo unia na sua pessoa, a condição de génio artístico e empreendedor de sucesso, e sempre com os pés na terra nas inúmeras iniciativas e atividades económicas que impulsionou. O seu caso é infelizmente de grande excecionalidade, e neste seu centenário do nascimento deve ser colocado o seu recordo, memória e exemplo, no patamar exemplar que merece.

Sobre a língua, ele era filho da tradição galeguista, essa tradição que o franquismo com suas manobras, -não dava pontada sem fio-, e o estado e os seus poderes, racharam ao criar uma realidade até então inexistente, a língua galega separada ou o trunfo do Pinheirismo que abrangeu mais do que visitantes da sua mesa camilha. E onde -língua galega- deixou de ser o jeito como o galegoportuguês ou português se chamava entre nós, mas sem nunca serem realidades opostas.

Como dizia ele, o problema da escrita, não é que seja ou não mais adequada, é que a escola nacional e nacionalizadora só nos aprende um jeito e fai-nos analfabetos do próprio, nacionaliza-nos deles e a vez desnacionaliza-nos do nosso.

Na nossa tradição galeguista estava-se no ano 36 pondo-se os alicerces bem firmes para renacionalizar-nos e escrevermos bem, o dicionário das mocidades galeguistas seguindo os vultos dirigentes, era já claro. Se um concebe o som do jota como kh que só se gasta no castelhano, um é espanhol bem nacionalizado, não outra cousa.

A nossa recuperação como povo passa por processos nacionalizadores próprios, que é o que se queria e teria que fazer ao recuperar a autonomia, e que o nacionalismo que agitava as ruas não entendeu, era um filho desconectado da tradição galeguista, crescido no pinheirsmo e no modelo Galaxia, é o invento negacionista “de afirmação da existência de uma língua exclusivamente espanhola”, rachou com a realidade e a tradição, pois nunca, como ele dizia além dos reintegracionistas houve verdadeira oposição a isso. De facto o acordo normativo mais que centrar as cousas, fixo a essa oposição passá-la polas Forcas Caudinas (vide comentários), dum processo de estatização linguística, que Ivo Peeters nos tinha bem esclarecido.

A nossa recuperação como povo passa por processos nacionalizadores próprios, que é o que se queria e teria que fazer ao recuperar a autonomia, e que o nacionalismo que agitava as ruas não entendeu, era um filho desconectado da tradição galeguista, crescido no pinheirsmo e no modelo Galaxia, é o invento negacionista “de afirmação da existência de uma língua exclusivamente espanhola”, rachou com a realidade e a tradição, pois nunca, como ele dizia além dos reintegracionistas houve verdadeira oposição a isso.

Isaac Díaz Pardo mondava-se de riso, quando ouvia isso de “temos a geração galega mais preparada e que mais sabe de língua, graças a termos o galego na escola”. Ele dizia temos a geração galega que sem chamar dialeto a língua perdem a língua todos os dias porque o que se chama galego e se impulsiona desde o governo é um dialeto dos castelhano, a pesar da vontade de muito ingénuo ou espabilado, vai tu saber. E as administrações que falam do castelhano (espanhol dizem eles agora) um só, dividirá ainda mais a nossa, criando a Fala eunaviega nas Astúrias e não sei quantos inventos mais. Galiza não é definida polas instituições do estado, se se aceitar isso está-se aviado…

Se um pega um livro de ensino da língua destinado aos cativos, a primeira lição do castelhano, fala da extensão e unidade do castelhano. Se um pega o de galego, o primeiro capítulo está destinado ao estudo dos dialetos e variedades, cingido na Espanha estado…

Alexandre Banhos Campo


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