O Problema de sermos MINORIA NACIONAL, que é algo verdadeiramente potentíssimo e para já, é não para as calendas grecas, porém, nas cabeças dos nacionalistas galegos vigorantes, tem um problema, que tem a ver com Espanha, em como e quanto somos espanhóis.
No nacionalismo de pré-guerra, no do PG, no das Irmandades da Fala no regionalismo do século XIX, Portugal sempre esteve presente. Havia plena consciência de todos ser um mesmo povo. A nossa língua (extensa e útil de Castelão) fora bem preservada em Portugal.
As Irmandades da Fala tinham como objetivo político, a federação da Galiza (sob Espanha) com a Galiza que constituiu Portugal.
Nos anos vinte e trinta do século passado, n’A Nossa Terra, e noutros órgãos de imprensa havia um debate sobre quanta Galiza era Portugal. E este ia, dos que diziam que todo Portugal era uma Galiza, àqueles para os que Galiza só era o norte de Portugal, ou ate um naco desse norte.
Após passarmos sob o controle franquista e a transação que esse mesmo franquismo balizou, isso desapareceu do debate.
O finíssimo analista Edelmiro Momam, uma das mentes mais luzidas do nosso país tem posto de relevo esse desaparecimento, como tem posto de relevo outros assuntos que o levaram a mergulhar num silêncio abafante.
Antes do franquismo, a fronteira de Portugal não era uma fronteira linguística, não só isso, na Galiza havia variantes locais, que formavam parte dos dialetos minhotos de Portugal como os da Baixa Límia; e outros do aquém inseriam-se nos dialetos transmontanos e/ou minhotos.
O grande Xurxo Souto esclarecia nesta entrevista, como a raia era construída de jeito ideológico, por uma ideologia espanholista, e põe um muito bom exemplo que parte da sua experiência pessoal.
Nestes temas não se pode ser galego minimamente culto e desconhecer a RAIA e a sua realidade, como esclarece na página 5 da revista Agália o sociolinguista Lluis Aracil. Um texto imprescindível.
A Tradição galeguista. desde os primórdios no século XVIII, Feijóo e Martim Sarmiento, XIX Pintos, Rosália, Pondal, Curros…Murguia, etc etc. sabiam que o português era a continuidade do galego, mas sem submetimento.
O Franquismo, marcou tudo com as suas pegadas e no tema da língua achegou as augas a canle do seu moinho. Castela/Espanha trabalhou para apagar a nossa língua, desde que tirou a validade aos documentos na nossa língua, mas como isso foi um insucesso, era fundamental a sua nacionalização, o galego é uma realidade espanhola e só espanhola.
Na parte final da ditadura eram plenamente conscientes de que havia que controlar o futuro da nossa língua. Era um feito fulcral. No ano 68 saíra o livro branco do ministério sobre a educação, e no 1970 A chamada Lei Vilar Palasi, onde se aceitava a incorporação das línguas não castelhanas ao ensino, devidamente constrangidas.
Na ditadura não havia autonomia universitária e nada se podia fazer na universidade de Compostela sem o nihil obstant do ministério madrileno. O reitor designado da universidade de Compostela, a única na altura existente, desde 1968 até 1972 foi o catedrático de direito romano Manuel Garcia Garrido, este filho da estremadura espanhola, foi um combatente ferrenho do galego na universidade, perseguia todo tipo de intervenções e atos. Mas nele achou, um asturiano Constantino Garcia, o devido apoio ao seu projeto de Instituto da língua Galega, e o reitor conseguiu o nihil obstant do ministério após esclarecer as bondades do projeto. ( No ano 1989 quando Fraga vem para a Galiza para ganhar a condição de presidente da Junta da Galiza, cousa que conseguiu com votos contados de gente que não votara <a corrupção não falha>, teve uma longa entrevista com Constatntino Garcia, e após a mesma Fraga afirmava a imprensa, o que fixo este homem por Espanha é impagável).
O Projeto do ILG não nascia a prol da língua, se isso for assim, Carvalho Calero, catedrático da matéria seria quem o dirigiria, e não um professor de românicas que não conhecia a língua galega nem nunca chegou a dominá-la.
O ILG nascia com os seguintes objetivos, nacionalizar a língua como realidade espanhola. É certo que o modelo Galaxia-RAG da língua estava absolutamente dependeste do castelhano, mas ainda assim havia nele nuances que o ligavam com o galego internacional, a tradição galeguista.
A proposta radical do ILG e do galego ser só espanhol, convertendo a fronteira numa isoglossa, e controlando Carvalho ao que constrangem a fazer de secretário do novo organismo criado, para ver se assim tinham a sua bênção e o mudavam do caminho que encetara de reintegração.
No ano 1978 cria-se o regime pre-autonómico, na Galiza, e é conselheiro de Cultura dom Alejandrino Fernández Barreiro, quem após conversa com Carvalho Calero, catedrático da matéria, decide criar uma comissão plural para padronizar a escrita da língua galega.
O Resultado dessa Comissão foi publicado no Boletim da Xunta Pre-autonómica, número 6, de maio de 1980.
O BNPG saudou essas normas como um grande trunfo, porém em vez de seguí-las, a ASPG, ligada ao Bloco, elaborou umas normas bem raquíticas que lhe chamaram de mínimos, que nunca seriam além de declarações. um elemento de impulsionamento certo para a própria militância.
ASPG, ainda elaborou duas propostas mais de normas, uma segunda sobre o esquema das aprovadas na Comissão e outras mais avançadas no caminho da reintegração mas a partir das da Comissão, mas os declarados “sociolinguístas” que controlavam a aparato partidário, decidiram a expulsão de todos os que não se acolherem a esses mínimos minimalistas.
Os grandes vultos do ILG, hoje em dia como Anton Santamarina Fernandez ou os que estão no Ramom Pinheiro, fazem uma espécie de arqueologia linguística da dialetologia mais marginal e vulgar.
O Ministério que controlava o ensino, proclamou urbe et orbi, que as únicas normas válidas para o ministério eram as do ILG, e que a Junta primeira do PP “oficializou”, (coloco entre aspas, porque num estado no que as normas não são lei, essa oficialização legalmente só podia ser aplicada internamente a administração, mas a ditadura normativa saltou). O ILG além de ser instrumento do ministério no projeto nacionalizador, foi fonte de emprego. e centos de pessoas quiçá milhares, conseguiram emprego sob a palavra de ordem de o ILG é deus, e nada me moverei de aí. (funcionários, professores, assessores, orientadores, corretores etc etc,)
O nacionalismo nascido nos anos 60 por caminhos muito diversos, alguns na mesa camilha de Ramom Pinheiro, mas isso sim todos desligados, por ter havido a rutura que impulsionou a ditadura com o nacionalismo galego de pre-guerra; nasceu no quadro estatal, e além disso o racismo anti-português que bem que incutiu na Galiza a ditadura foi um sucesso, que superior e ser-se espanhol.
Quando olham esse mapa da gramática do português dos professores Celso Cunha e Lindley Sintra, publicada nos meados dos anos 50 do século passado em Portugal, o primeiro que percebem e que se há uma única língua, somos em certa maneira um único povo, e por isso vem o de Minoria Nacional, e claro eles são realidade espanhola e Portugal não.
Declarar-se minoria nacional seria estendível até polos cérebros privilegiados da esquerda espanhola, Tate, estam-nos dizendo que não são espanhóis e que querem jogar noutra liga, a das minorias nacionais.
O direito das minorias nacionais, pode aceitar a pertença a estados diferentes, porém o que não pode aceitar são que em vez das normas históricas da língua se utilizem as normas do castelhano, a língua que nos topa, que nos erode, que nos apaga, que nos bane como povo, pois a língua é a alma coletiva do nosso povo, e nós que temos, como dizia Castelão, uma língua extensa e útil (Na carta a Sanchez Albornoz, escreve o seu nome com o tilde, e afirma que ele aspira a que el gallego se confunda com el português). Renunciamos a isso.
Porém fazendo isso, o nacionalismo não se esta auto determinando, está afirmando a sua espanholidade além de toda dúvida, e quando um percebe isso, e olha que fica despido no palco ante o pessoal… e rotundo: nos somos uma nação (um construto que não se faz) não uma minoria nacional…
