DESCONFINAMOS A OBRA DE CARVALHO

Teté Taboada: “Usei o alfabeto galego durante um tempo. Se calhar, está chegando o momento de o retomar”



whatsapp-image-2020-08-14-at-23-09-37Teté Taboada (Vigo, 1995) estudou Filologia galega em Santiago de Compostela e na capital da Galiza realizou o mestrado que lhe abria as portas para trabalhar no sistema de ensino público. Nós tivemos notícia dela no mesmo momento em que botou a andar a iniciativa colaborativa “Desconfinamos a obra de Carvalho” e nos dias seguintes fomos conhecedores da sua capacidade dinamizadora através de mensagens de whatsapp, de comentários nas redes sociais ou mesmo da gravaçom e ediçom de vídeos. Desde que chegou às suas maos, o Scórpio nom deixou de viajar: primeiro andou de passeio por Redondela e Sam Simom e por Moanha e Cangas; e mais tarde tomou caminho de Ourense e gozou da brisa nas terras altas de Castromil, entre A Gudinha, Verim e Ermisende.

Nova professora de Língua e Literatura no Ensino Secundário. Parabéns!

Depois dum longo ano de preparaçom, superei as “opos” e agora som Docente de Língua Galega e Literatura no ensino secundário. No curso passado trabalhei em Bueu. Se nom  houver mudanças, neste mês de setembro começarei em Compostela.

Levas vários anos em amor e companhia com a língua galega… ou nom hai muito tempo que começastes o desconfinamento mútuo?

Penso que fum diglóssica até por volta dos 12 anos e desde essa altura passei a um monolinguismo social en galego. Nom foi doado numha cidade como a de Vigo, no entanto o amor pola língua- toda essa força que me dava- puido com todos os comentários e estereótipos.

E com a leitura? És dessa gente que tem livros até na mesa de noite… ou preferes a mesa limpa porque os livros acumulam pó e podem provocar doenças alérgicas?
Desde que comecei a carreira, leio menos do que gostaria. As leituras obrigadas nom me deixwhatsapp-image-2020-09-03-at-19-14-44avam tempo para mais e durante a oposiçom foi mais do mesmo. Este ano estou feliz por retomar a leitura e devorando páginas e páginas.

Tendo estudado Filologia galega, conhecias a obra de Ricardo Carvalho Calero?
No bacharelato conhecim-no graças ao movimento juvenil com o que simpatizava e nas aulas dos estudos lusófonos na USC falamos muito sobre ele. Umha figura muito menos trabalhada do que se deveria. Sem ele nom estaríamos hoje onde estamos, estou segura.

Como tiveche notícia desta iniciativa de desconfinamento?
Soubem-no pola publicaçom de Carballo Vivo de Friol, que alguém compartiu no Facebook.

Entrache até à cozinha… porque já tinhas certa familiaridade com o alfabeto galego. Nom és nova entre ene agás e ele agás?
Estava familiarizada com este alfabeto e também com a norma portuguesa. Tivem muito convívio com o galego reintegrado e mesmo o usei durante um tempo… Se calhar, está chegando o momento de o retomar.

Como che está resultando a experiencia?
Maravilhosa! Conhecer pessoas tam diversas é enriquecedor e acompanhar-nos na leitura e compartir pontos de vista é umha fonte de sabedoria imensa.

 

Bernardo Penabade

Bernardo Penabade

(Granhas do Sor, 1964) é professor de Língua e Literatura em Burela. Desde 2004 participa na equipa promotora da intervenção educativa Modelo Burela, dentro da qual nasceram os programas radiofónicos Projeto Neo (2012) e Grandes Vozes do Nosso Mundo.
Bernardo Penabade


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  • Rosana Posada

    Eu penso, na miña humilde opinión, que se debe ao de sempre!!
    Se falas e escribes en galego sinálante de forma negativa e mesmo se mofan: eu falei sempre en galego, sempre, (ata en Euskadi durante 3 meses que estiven alí o falaba c@s vasc@s, por inercia, nunca mo afearon, pola contra gustáballes. Falando despacio entendíano perfectamente, algunha palabra traducíallela ao castelán e rematado calquera problema. Alí case non teño nome, son “a galega”, así, como o escribo), falo o da zona oriental con moita influencia de Asturias pero teño que escribilo correctamente (ou inténtoo, porque con tanto cambio…) para a lista da compra, para calquera nota de aviso ou recado, nas redes, nos whats…, escribo no da RAG, pois descoñezo totalmente a norma internacional (que por certo, quero aprendela e practicala) Ben, para que non vos perdades con tanta descrición, cando escribo algo, amig@s miñ@s galegofalantes rinse porque o fago “normativamente”, imaxinades se o fago na norma do galego?? As mofas serían superlativas!! Eu non me achanto, se el@s se burlan eu chámolles incult@s e explícolles o por que, pero moitas persoas séntense intimidadas e menosprezadas e ceden ante todas esas presións que poidan padecer. Isto por non falar xa das galeg@s castelánfalantes…, nin que dicir ten!!! Para eles só somos aldeáns, pailáns ignorantes; se souberan que realmente o son el@s!!
    Este é para min o verdadeiro problema, estamos coma hai un século ou dous… perseguidos, sinalados e mofándose de nós por empregar e defender o noso idioma!!
    Pois eu non me dobrego!! Por min, por nós, polos que virán, por Galiza, polo idioma galego, pola cultura!! É de xustiza!!

    • Miro Moman

      É mesmo assim. Os galegofalantes levamos uma estrela amarela na língua. Um estigma permanente. Somos anormais. É um ambiente absolutamente tóxico. Eu passei um ano na Galiza depois de botar quase vinte pelo mundo adiante e a verdade é que foi um shock brutal. Vou embora em dez dias e, honestamente, não sei se voltarei. O exílio é mais confortável. Sendo um imigrante no estrangeiro sou mais “normal” do que sendo galego na Galiza…

      • Miro Moman
      • https://descochandoargalhadas.blogspot.com conavirus
        • Miro Moman

          Muito simpático. Gostei.

          Eu antes eu dizia que era de Galeesha. Bom em Francês é mais simples, Galis.

          Agora, se é um tema oficial e sei que vai haver papéis por meio, vejo-me obrigado a mentir e dizer que sou espanhol.

          Mas, noutras instâncias também digo que sou português. Mas para mim não é mentir, é a melhor aproximação em termos de categorias nacionais.

          Mas, quando tenho tempo explico que sou galego (galeeshan), que o meu país está dividido entre a Espanha e Portugal e que, embora tenha nascido na metade espanhola, sou português.

          Isto deixa o pessoal bastante perplexo, mas é indisputável.

          Em Rússia já me apresentavam como português, embora sabendo que tinha passaporte espanhol. Vantagens do mundo civilizado. Ninguém se importa.

          Depois, se bebo demais, já confesso que, na verdade sou apátrida. Que a nação onde eu nasci, a dos meus avós, já não existe e que o que fica é tudo uma espanholada de muito mal gosto.

          Os russos, preferir, preferiam que fosse português. As pessoas que têm uma crença, neste caso o nacionalismo, não gostam de que exista pessoal que não a partilhe.

          Então chamavam-me de globalista, o qual para eles é um insulto. Assim que, conselho para viageiros, em Rússia é mais simples ser português.

          Embora o shock mais grande foi quando os informei de que os Gipsy Kings eram franceses. Isso deixou a malta traumas.

          Cumpre ter muito cuidado…

          • https://descochandoargalhadas.blogspot.com conavirus

            O tema do Globalismo é com efeito mui delicado. Este movimento, dirigido polas elites anglo-americano-judias (ver Carrol Quigley, Pierre Hillard, etc) tem como objectivo destruir o estado naçom, pra estabelecer o seu projeto de governo mundial (quem julgar isto de «teoria da conspiraçom» é um ingénuo ou um preguiceiro que ainda nom pescudou as fontes, disponíveis embora bem agochadas ou silenciadas). Daí o apoiarem os nacionalismos coma o catalám (George Soros e a «Open Society Foundations»), argalhárem o esgalhamento da Iugoslávia, coa ajuda da Alemanha (ver Michel Chossudovsky ou William Engdahl), assi como essa coleçom de «revoluições laranjas» e ainda outras falcatruadas que vam fazendo por toda a parte. Nom puidérom porém com Russia (ver Naomi Klein, «The shock doctrine») em boa medida mercê a Putin, que por outra banda tem um outro projeto de domínio globalista, visto que Occidente nom o admite no seu clube elitista.

            Em certa medida nós somos produto do globalismo, que apoia os nacionalismos «latentes», coma o nosso, porque podem servir o seu interesse de destruir o estado-naçom. Hoje, mesmo que nom o tenha destruído sim o tem dominado: ver a resposta global a essa falsa argalhada pandemia dirigida por eles, através a WHO (monicreque financiado pola Gates and Melinda Foundation) das mentiras repetidas do Imperial College London e o seu psicopata Neil Ferguson, que encetárom a cadea de confinamentos e arruinamento da economia pra proveito do clube selecto dos globalistas …

            Por isso é melhor declarar-se, quando possível, apátrida, porque o nacionalismo perdeu toda autonomia e significado. Abonda com ler o nível de burrice destilada no sermos ou diário nós. Declarar-se se quadra galego ou galego-português, mesmo português pra «abreviar», mas num sentido mais profundo, nom convencional nem capitalista, e distanciar-se dos que nom enxergam quem é que está a «puxar os cordelinhos» …

          • Miro Moman

            Puff… Um apontamento: o nacionalismo galego não pode ser apoiado pelo globalismo porque é uma espanholada de esquerda que não é homologável a nível internacional.

            A única esperança para a Galiza, e falo a nível econômico, não político-cultural, é precisamente a de artelhar um movimento homologável. Se não, somos inviáveis.

          • https://descochandoargalhadas.blogspot.com conavirus

            «esquerda, «direita» … som referências do ponto de vista convencional, ou seja, aquele que nom questiona o sistema ultra-capitalista ou liberal que temos todos interiorizado. Ou que defende um capitalismo de estado, como na Venezuela ou em qualquer outro país pobre desesperado sob a ameaça do tamém desesperado imperialismo americano.

            Reproduzir o mesmo sistema do estado-naçom, só que a umha escala mais pequena? It’s not going to happen. Uniom portugalega? Ainda mais improvável.

            It’s game over, os marcos deslocárom-se, a causa e a loita estám alhures: contra o globalismo e ultra-capitalismo. Loita pola supervivência da comunidade, seja ela da escala, forma e natureza que for. Acho que o (finado?) Partido da Terra andava nessa onda, tirante a ideia seudo-globalista do «português da Galiza» …

          • Miro Moman

            Não é o lugar adequado para esta conversa.

            Eu acho que a globalização é uma dinâmica histórica imparável. Ao cabo, os estados-nação não deixam de ser uma fugaz anécdota histórica.

            Também não vejo por nenhures uma alternativa ao capitalismo, que foi o sistema mais versátil e adaptável e o que mais prosperidade trouxe para a humanidade.

            Que o capitalismo e a globalização não degenerem numa sorte de feudalismo corporativo global, depende da vontade dos cidadãos para exercerem o controlo democrático deste processo.

          • https://descochandoargalhadas.blogspot.com conavirus

            Com efeito, nom é lugar pra esta conversa. Mas só apontar que todo parece indicar que o «feudalismo corporativo global» parece ser a etapa final da nossa civilizaçom já global. De facto, a chamada democracia nom existe, é umha ilusom de votar os monicreques que nos ponhem por diante, enquanto quem os controla nom se deixa ver e nos engana com todo tipo de propaganda. Caminhamos cara umha civilizaçom de tipo feudal, cumha exígua elite ultra-rica e mais os seus servidores privilegiados, e umha maioria de servidores cada vez mais pobres. A longo termo, este projeto (e existe documentaçom disponível, nom é invento) requer a reduçom da populaçom a uns cincocentos milhões de habitantes. A argalhada da pandemia e das vacinas fai parte desse projeto, que leva sendo preparado há polo menos vinte anos … saúde!

          • Miro Moman

            De facto, a génese do capitalismo global (o capitalismo propriamente dito sempre foi global) é galaica. O facto fundacional da civilização occidental é o comércio marítimo transoceânico, que foi iniciado pelos portugueses ao circumnavegar África para chegar a Ásia. Antes havia a Rota da Seda, mas era muito ineficiente. O comércio marítimo transoceânico põe o énfase nas actividades comerciais (e não na economia rendista e bélica). Actividades que requerem um forte investimento a longo prazo (o qual por sua vez cria a necessidade dum sistema financeiro potente e sólido, a banca) e uma tecnologia e logística avançadas (o qual põe o foco na ciência e a tecnologia). Eis os pilares da nossa civilização, e são galaicos em origem.

          • https://descochandoargalhadas.blogspot.com conavirus

            Tanto tem quem começou, o que importa é quem o domina hoje (a elite judéu-anglo-americana) e a natureza mais evoluída, no sentido de depredadora e deshumanizadora, que a carateriza. https://www.dailymotion.com/video/x2v2i7r

  • Christian Salles

    Eu falo galego há quase 48 anos. E todos na minha casa. E todos no meu bairro. E todos na minha cidade. E todos no meu país.

  • Galician

    Este forum por vezes parece-se a um grupo de terápia de grupo ou mesmo a consulta dum psicanalista. Eu não sei que aporta a efeitos práticos -mais além do seu efeito desmoralizador- despotricar dia sim e dia também contra a Galiza, o mal que está tudo, o desastre no que vivemos os que ficamos aqui -e não fomos inteligentes para emigrarmos muito longe- e demais. Galiza não deveria der alvo das nossas fobias e frustrações pessoais. Se puderem achegar algo prático e concreto pra melhorar essa situação “absolutamente desastrosa” na que vivemos, pessoalmente agradeceria…

  • Mar

    Eu tampouco gosto do tono derrotista dos comentários. É certo que o galego corre o perigo de se converter numha língua minoritária no nosso país, mas penso que temos que aprender a sair choradas da casa. Nom acredito que falar galego tenha convertido a minha vida num campo de batalha permanente. Falo galego a diário, com todo o mundo, sem exceçons. Escrevo na norma internacional na minha vida pessoal e professional, e a verdade; há bem cousas que ao longo dos anos me têm ocasionado bastantes mais conflitos. Em resumo: sejamos positivos e trabalhemos para mudar as cousas. Cada quem na medida do que poda.