Queda Do Poder Ocidental. Futuro Centro Oceánico



Ideia dos Centros Civilizacionais

Quando uma determinada humanidade atinge um determinado nível evolutivo, os processos civilizatórios tomam seu curso. Devagar, da pré-história, vamos rumando para o caminho da história…
Surgem, então, uma série de centros geográficos, onde se assenta um determinado poder, que cria um determinado paradigma. Essa cosmovisão vai irradiar numa determinada área, durante um determinado período de tempo, adequado a tónica evolutiva desta determinada sociedade ou sociedades.

Criação

Durante suas experiências vitais as civilizações também passam por um processo trinitário no seu decorrer histórico: génese, consolidação e colapso. Ambos processos se correspondem com as três energias activas, que também podemos observar na natureza: criadora – ação expansiva da espiral nova, reconciliadora – mantimento dessa espiral ate chegar a seu ponto biológico de máxima altura e, destruidora – recicladora, contração e queda da espiral evolutiva (fim da experiência civilizacional concreta). A génese corresponder-se-ia com o nascimento, a consolidação com a maturidade e o colapso com a etapa final de velhice – morte.

Cronologia

Uma breve e resumida cronologia, pode trazer-nos mais luz, da necessidade da formação de determinados centros geográficos, onde em determinadas épocas, evolui, seguindo determinadas tónicas a humanidade, em seu conjunto. Pois mesmo estes processos culturais, sejam focados em determinadas áreas geográficas; estes centros expandem seu conhecimento, através do intercâmbio mercantil, cultural, científico e tecnológico (também pelo confronto militar)… Finalmente contribuindo ao avanço evolutivo de toda a humanidade.

6000 a. c Fundação da cidade de Jericó

3900 a.c Cultura chinesa de Yangshao (cerâmica)

3300 a.c Civilização Suméria, Mesopotâmia.

3000 a.c Construção Das Pirâmides – Poder Egípcio – Primeira cidade da China

Cultura Harapa e Moejadaro do vale do Indo

2000 a.c Império Assírio – Início da Civilização celta

O Código Hamurábi

Império Hitita – Civilização Maia, começa a formar-se em Centro-América

1900 a.c Dinastia Hia, na China – primeira dinastia chinesa hereditária

1800 a.c A dinastia Amorita – Mesopotâmia

1500 a.c Poder da Índia Védica e cultura Bramânica – Civilização Egípcia no máximo esplendor

1200 a.c Surge a cultura do judaísmo

Desenvolvimento do alfabeto Fenicio – do que derivam entre outros o hebraíco

cultura polinésia e no México, cultura Olmeca

1000 a.c Rei David une Juda e Israel – Poder do reino israelense –

Poder Etrusco na Itália

900 a.c Poder das cidades Estado da Grécia

750 a.c Primeiras cidades Maias –

700 a.c Poder Asírio e Fundação de Roma

500 a.c Dario I, começa a dar forma ao Império Persa – que teria o começo de seu apogeu com Círio II – e anexão dos Impérios Medo, Lídio e Babilónico

200 a.c Expansão Império Romano

século II. d.C. Apogeu do Império Romano

século V d. C. Queda Império Romano – 476 – destruição de Roma pelos visigodos …

Entre S. VIII e XIII – Centro civilizatório Islâmico – Surgimento, consolidação e queda do Imperio Jemer, na Indochina – centro região de Angkor

Século XII – Império Inca de Manco Capac – Andes

A partires do s. XIII e XIV, começa forjar-se o Poder Mercantil e Financeiro na Europa Central (Lombardia, Mar Bâltico…), que dará lugar ao Grande Centro Civilizatório Ocidental, que hoje está em queda – decadência…

Atual Império Ocidental

Durante a construção desse Império – o poder português das navegações, vai substituir o poder das cidades italianas (mantendo não entanto as famílias sediadas no norte da Itália o poder financeiro e capacidade política de visão global). Ao poder português, o substituirá o poder Espanhol e Holandês, depois o poder Inglês derrotara ao poder espanhol, holandês e francês… Finalmente o Império Britânico, lograra derrotar ao Império Austro-Húngaro e ao Império Otomano, após a 1ª Guerra Mundial

A partires da 2ª Guerra Mundial, este poder dá seu traslado aos EEUU, mas mantendo as mesmas famílias germanas, que derrotaram Roma, junto àqueleas outras famílias celtas, nórdicas, Lombardo – italianas (que estavam no território. Lembrar que durante o império romano várias famílias de oriente, como partos e egípcios, assentaram na península italiana)… Assim como judeus financeiros, de ascendecia ashkenazi, àqueles do poder bancário – Todas estas famílias vão desenvolver o poder privado corporativo que hoje domina o mundo. Apos acordos de Bretton Woods, e da entrada na etapa de Guerra Fria, estas dinastias tomaram partido pelo governo mundial: seguindo a estela de tentativa globalizadora, baixo o poder privado ocidental, bem referida no livro a “Era Tecnotronica” de Zbiginiew Brzenziski (antigo conselheiro norte – americano, já falecido).

Em 1913 com a criação da FED, norte-americana, definitivamente o poder financeiro toma o comando no ocidente. Ainda que já tinha iniciado seu controlo (por trás da plateia), no século XIII, desde a banca veneziana, florentina, e o poder da liga de Hansa, entre outras… A maiores como a criação em 27 de Julho de 1694 do Banco Central da Inglaterra, pelo escocês William Paterson, o modelo de banco central e controlo da emissão, expansão e contracção da moeda, davam ao poder financeiro privado a capacidade de modelar os Estados no Ocidente.

Desenhando um enramado organograma peculiar, após a IIª Guerra Mundial, tanto a nível politico, como social – cultural, económico; além da toma do poder militar através do complexo bélico financeiro; entregavam ao sector bancário ocidental o comando real dos três tabuleiros geoestratégicos, que permitem governar o mundo: o militar; o económico e; o social, politico, cientifico – cultural.

Com a vitória sobre a União Soviética, a fins da década dos oitenta do século passado, Ocidente passa a não ter rival efetivo, ate a queda final do seu poder económico (eixo vertebrador de seu mundo), com a quebra do pulmão financeiro de Wall Street entre 2007-2088.

Crise Imperial

O modelo de expansão financeira, baseado no atrelo as dívidas perpétuas, tendia a ocasionar uma forma de relacionamento social, com caracterísitcas prórpias dum neo feudalismo, tal como brilhantemente estudou o economista norte – americano Michael Hudson. Em este sistema, o poder financeiro expandido bolhas e depois quebrando-as, assim como emprestando aos Estados (através do controle do Banco Central e da emissão de moeda), por meio da privatização de bens e serviços; assim como pela compra a saldo de empressas quebradas; ficava com grandes sectores productivos e não produtivos (tanto de consumo como de serviços) que geravam renda permanente, em favor do sector bancário privado; e finalmente das grandes corporações e famílias que controlavam o mesmo.

Este modelo funcionou enquanto eram ocasionadas bolhas nas periferias do sistema, mas chegou a seu limite biológico, como já falamos, na explosão da bolha económica, relacionada a empréstimos mobiliarios, no centro imperial de Wall Street e City Londrina, a partir de 2007 – com quebra definitiva em 2008.

A partires daí, a Rússia ressurgida das suas cinzas como ave fénix, e a China milenar, revigorada, após a posta em marcha dum modelo pragmático de poder mercantil, com controlo estatal, desenhado por Den Xiaoping, começariam a por em causa o poder unipolar do Ocidente, rumando em favor dum mundo multipolar…

Mundo Dual – Mudança de Dicotomia

O novo Poder militar russo ameaça o 1º tabuleiro geopolítico. O retrocesso do poder militar Ocidental é já patente, em áreas como Meio Oriente, vital para garantir a governança planetária, e permitir o trânsito marítimo, terrestre e aéreo, da energia e mercadorias, em favor da Metrópole dominante… As novas armas hipersonicas russas, assim como a introdução da tecnologia dron e a Inteligência Artificial, no campo militar, tem uma certa vantagem sobre o armanento convencional ocidental. O Ocidente tem pois de readaptar e remodelar seu organograma de controlo, baseado no policiamento global das bases norte-americanas, porta-aviões, presença dissuasória, bombardeamentos ou invasões seletivas… .

China tem criado um modelo económico circular interno e externo, com centro de saída e retorno desde as mais importantes cidades chinesas, baixo o controlo financeiro estatal, de cujas decisões dependem as corporações privadas. Modelo que mesmo lhe permitiria, um fechar-se de novo em suas fronterias, ao estilo das velhas dinastias imperiais chinesas, mantendo-se, em períodos confunsos, alimentada pelo seu mercado interno… Pondo em causa, com estas manobras o 2º tabuleiro económico, mantido ate o de hoje baixo o poder financeiro privado ocidental.

O planejamento de controlo militar do orbe, através da manutenção de bases militares norte-americanas, por todo o planeta (inquestionável durante os anos noventa do século passado); resulta agora muito custoso e de eficácia relativa. Os já mencionados avanços na inteligência artificial, onde a China é um gigante, também estão a mudar este primeiro tabuleiro. O ressurgimento militar do estado chinês, e sua aliança comercial no Oriente, com sócios muito importes do Ocidente, como a Coreia do Sul (cujas exportações dependem num 25% do mercado chinês), dificulta a tática de contenção do gigante asiático. Os bons relacionamentos com a Rússia, e a abertura dum corredor geoestratégico desde Lisboa – a Xangai, dificulta também a contenção do poder russo, e a aplicação da velha tática britânica da “anaconda” de rodear com anéis militares a Russa, e ir apertando, ate estrangular e explodir por dentro o poder institucional estabelecido. As sanções a Moscovo, se tem mostrado, de momento, pouco eficazes.

No terceiro tabuleiro. Tanto politica, cultural, cientifica e socialmente, a Rússia, tem criado um novo paradigma alternativo a cosmovisão ocidental – todavia em cerne, e mesmo em concorrência dentro da Federação Russa, com o ainda vigorante, a nível mediático, modo de vida ocidental – do qual tanto gosta certa elite moscovita. Mas, a ideia de Alexander Dugin, de criar uma aliança pardo – vermelha (legalizando assim o poder soviético e enraizando-o com o novo poder patriótico, ambos conservadores) tem removido habilmente o marco mundial – mudando a dicotomia de confronto direita – esquerda, por um novo confronto entre globalistas de direita e esquerda, contra nacionalista de esquerda e direita. A ascensão de Donald Trump, trouxe uma tentativa de quebrar a iniciada aliança entre direita nacionalista ocidental e o Kremlin. Neste aspecto a Administração Trump certamente funcionou. Mas ao falhar em sua tentativa de derrubar o poder económico chinês; e ante o evidente perigo de fratura social (mesmo com ameaça duma guerra interna nos EEUU) o poder norte-americano voltou a apostar pelos globalísticas. Criando, assim uma nova mudança de dicotomia entre globalistas a favor do Poder Privado Ocidental, e globalistas orientais de poder estatal. Ambos agora reivindicando a multiculturalidade, e multipolaridade.

A nova cronologia histórica de Anatoli Fomenko (rápidamente criticada por seudo histórica), põe, um grau mais acima dessa nova construção dum novo paradigma Euro-Asiático, que gosta ao poder patriótico russo, em luta com o poder pró ocidental, que domina pelo de agora a economia. O poder patriótico, mais associado a Putin, controla o setor militar, judicial e diplomático. Sendo o poder legislativo, de momento, uma espécie de ponte, entre ambas visões na Rússia.

Para os setores mais radicais do movimento patriótico, pardo – vermelho (direita e esquerda conservadora) os globalistas russos pró ocidentais, são uns “traidores vende pátrias”. Mas o pragmatismo diplomático russo, aceitaria com prazer um poder global estatal, multipolar, ao estilo do que sonha China. Sonhando os russos com esta jogada trazer, suavemente, a instalação dum novo centro geográfico Euro-Asiático… As fricções entre Beijing e Moscovo, mesmo em temas fronteiriços muito subtis, ficam, pelo de agora encobertas, pela prioridade da sua aliança em fronte do rival comum Ocidental.

Queda Civilizatória –

Os perigos duma queda civilizatória, sem um centro geográfico substituto em andamento, nos situam na gravidade de períodos como o da destruição do Império Romano, em 476, por Odoacro ou o saque da cidade de Roma, em 410, por Alarico. Após estes factos, o mundo ocidental sumiu numa longa noite de pedra: somente a instauração, três séculos depois, dum novo centro geográfico pelo Islão, salvou a humanidade de trevas mais prolongadas.

Os perigos duma queda civilizatória, sem um centro geográfico substituto em andamento, nos situam na gravidade de períodos como o da destruição do Império Romano, em 476, por Odoacro ou o saque da cidade de Roma, em 410, por Alarico. Após estes factos, o mundo ocidental sumiu numa longa noite de pedra: somente a instauração, três séculos depois, dum novo centro geográfico pelo Islão, salvou a humanidade de trevas mais prolongadas.

Hoje em dia, tanto o projeto Euro-Asiático como o modelo cultural chinês, não tendo atingido ainda a tónica evolutiva do Ocidente, garantem quanto menos uma substituição em caso de queda. No entanto o perigo de confronto global, agudizado pela falha sistémica do modelo económico e a pandemia planetária, situam numa difícil encruzilhada à humanidade atual. Lembrando estes tempos o já conhecidos períodos de entre-guerras…

O chineses guiando-se numa filosofia pragmática confucionista e numa atitude expansiva taoista, de procura dos equilíbrios, apostam por uma nova arquitetura de poder, que subtilmente vaia substituído o encolher do poder ocidental, primeiro no Oriente, depois na África e mais tarde na América Latina. O poder russo, trata de situar-se o melhor que pode perto de toda sua imensa fronteira, assim como na Europa, afiançando alianças ali onde puder, como no caso da Alemanha, com o projeto energético do Nord Stream 2. Imaginando, em início recuperar áreas de influência, como no seu dia teve a URRS em centro Europa. A fricção na Ucrânia, o problema da Crimeia e o Donbas, respondem a estes movimentos políticos e geoestratégicos, dentro dum marco de contração da espiral de poder Ocidental, que também atingiu o velho continente.

Do mesmo jeito que a batalha pela Bielorrússia; ou as alianças com Vítor Orbán em Hungria e os novos bons relacionamentos com o novo poder nacional checo, ou a extrema-direita da Alemanha… Formam parte deste novo cenario.

Os posicionamentos, as vezes mesmo encontrados, entre aliados tradicionais da NATO, no meio Oriente, como Turquia e Arábia Saudita, no caso da Líbia. E mesmo, o afiançamento de certo poder iraniano xiita no Líbano ou no Iémen, onde os sauditas estão a sofrer sérias derrotas… também não pode ser explicado sem esta contração do eixo ocidental. A superioridade militar israelense fica debilitada com a presença russa em Síria. Mesmo Moscovo e Tel Aviv, tenham um correcto relacionamento diplomático.

O máximo auge, que deu a máxima tónica expansiva ao Ocidente, corresponder-se-ia com aquele modelo do “Estado Providência” ou “Estado de Bem-Estar”, falido uma vez confirmada a queda da URSS, com a ascensão do modelo neoliberal de Margareth Thatcher (no Reino Unido) e Ronald Reagan (nos EEUU). Aquele Estado que fazia de ponte entre capital e trabalho, somente foi preciso, para travar as ânsias expansionistas do poder soviético, na Europa. Poder vermelho bem aliado com a força de trabalho em todo o mundo. Uma vez derrotado o Império criado por Staline, em parte pela aliança com a China, de Richard Nixon e os jogos do Pingue-Pongue em abril de 1971; em parte pela perda da supremacia espacial com a chegada a Lua de 1969; em parte pela aceleração da carreira armamentista e capacidade de endividamento norte-americana, impossível para os soviéticos… Aquele modelo do Estado Providência resultava inadequado para as ânsias lucrativas do poder Corporativo Europeu.

Dai Ocidente, para seguir prevalecendo, deve tentar dividir e enfraquecer aos novos poderes globais, que surgiram como concorrentes. Esta visão terá de ser sem dúvida o grande esquema a desenvolver, pela nova administração Biden: criar problemas de todo tipo, tanto nas relações comerciais, como politicas ou sociais; assim como confrontos militares nas fronteiras, nomeadamente, da Rússia; mas também China ou perto. Para contrabalançar os problemas que a mesma Rússia e China, acrescentam a Washington e Bruxelas, na sua expansão comercial, financeira, cultural, e mesmo geoestratégica, com apoio militar, direto e indireto, em Meio Oriente (Rússia na Síria, Líbia…) ou outras partes do planeta, como a base militar chinesa em Djibouti, em pleno corredor das rotas do Índico – Pacífico. Ou os confrontos da China com a Índia, nas fronteiras dos Himalaias, e sua fricção em países da zona, como em Nepal…

Dai Ocidente, para seguir prevalecendo, deve tentar dividir e enfraquecer aos novos poderes globais, que surgiram como concorrentes. Esta visão terá de ser sem dúvida o grande esquema a desenvolver, pela nova administração Biden: criar problemas de todo tipo, tanto nas relações comerciais, como politicas ou sociais; assim como confrontos militares nas fronteiras.

Da capacidade de acomodo em estas situações de atritos globais, dependerá a paz imediata e futura do mundo. Um novo marco de dialogo e moderação, deve ser aberto. Do contrário as fricções irão em ascenso, e as dificuldades de encaixar o quebra-cabeças aumentarão.

Reconhecer a necessidade de ainda manter o Império Ocidental em pé, devido a China e Rússia, ainda não terem chegado à tónica evolutiva adequada para substituir ao Ocidente; pode ser um início de acomodo. Enquanto se negocia, um novo marco de organograma económico, tecnológico e social – cultural, de renovação, trás a falência do velho sistema. Com reparto de áreas de influência e acomodo, momentâneo, entre o sistema privado e estatal, dentro poder globalizador mundial.

O legado Ocidental

O poder Financeiro Ocidental, criador do Império hoje ainda vigorante, foi bebendo e nutrindo-se de conhecimentos, muito diversos mas de raiz comum, que tanto desde Oriente como Ocidente lhe foi legado. Sendo o centro geográfico islâmico (que resguardava a chama do saber, apagada no ocidente trás a queda de Roma) vital para esse propósito. Esses conhecimentos traziam: o saber do antigo Egito, o grego – romano, as achegas da Suméria, Acádia, Babilónia e dizer da Mesopotâmia; acrescentando o saber dos hebreus e as achegas do mesmo islão; junto ao saber milenar celta e nórdico.

Apesar das guerras e cruzadas, entre a cristiandade e o mundo islámico, estás também abrigaram caminhos de interconexão…

Ocidente cultivou com essas sementes valiosas a mudança da filosofia medieval, o pré-renascimento, o gótico das grandes catedrais, o Renascimento, a arte barroca, o Iluminismo dos séculos XVII e XVIII, o grande período da música clássica, o Romanticismo, a Revolução Industrial de metade do século XVIII, abrangendo o XIX; a Revolução francesa e as ideias de liberdade da revolução Americana; o Modernismo; a libertação da mulher e lutas dos operários… E finalmente o experimentar da individualidade, hoje decaída no niilismo…

Este acervo deve ser resguardado e traspassado, para um novo centro geográfico, que poda num futuro, com estas e outra novas sementes dar inicio a um novo processo civilizatório, ao misturar este saber com o seu próprio legado. Parte deste saber, vai ser desenvolvido pela Rússia, mas com a sua visão de ponte entre Oriente e Ocidente. Outra parte será acrescentada, ao novo centro cultural e civilizatório da América do Sul, ainda em formação… Dai, rumará para sul da África, e parte da Oceânia, criando uma nova civilização, já não de um continente, senão que Oceânica. Sendo o Brasil, como grande gigante territorial, demográfico e económico, o centro geográfico futuro deste novo universo. Onde o legado da península celtibérica, africano, indígena, e também de todas outras partes do mundo, já está presente no seu crisol cultural. Crisol formado pelas pelas migrações forçadas e aquelas outras atraídas pelas novas oportunidades, que oferecem as novas terras…

A futura civilização oceânica

Trás a descolonização imposta pelo novo poder Inglês na América Latina, tanto a Portugal como a Espanha, o Império Britânico atrelou as elites sul Americanas a seu modelo geopolítico e a seu centro geográfico. Deste modo essas elites seguem, e seu interesses ficaram baixo o “guarda-chuvas” do poder superior ocidental, dentro organograma privado financeiro.

Mas enquanto decair esse poder (se for aos poucos, evitando guerra global melhor), estas elites sul-americanas terão de procurar abrir seu próprio espaço de gestão, tanto dos seus próprios recursos como dos seus próprios territórios. Algo para o que a dia de hoje, ainda não estão preparadas. Os embates de esquerda – direita, e mesmo as reminiscências de confronto de guerra fria, ainda latejantes, em estas latitudes, estão preparando com severos atritos, as populações e poderes em disputa na América do Sul, para um futuro modelo próprio, de consenso, entre as partes. Território hoje em disputa pelos poderes emergentes e ocidental (mas uma vez diluídas as tentativas falidas de se impor uma visão às outras), surgirá em ele um acordo político interno muito amplo, do qual deve nascer um novo princípio, para criação dum novo centro geográfico na América do Sul, liderado pelo Brasil.

A partires desse novo núcleo, através das rotas do Atlântico Sul e Indico, com entronque no Sul da África, esse novo modelo de fusão de todo o acervo celtoibérico, indígena e global, com miscigenação das étnicas de todo o planeta (facto já a produzir-se no mesmo Brasil), ira aos poucos, estendendo-se para o leste, no hemisfério Sul, formando uma nova civilização Oceânica. Espandido sua espiral, na rota marcada pelas navegações anteriores, do século XVI.

O velho modelo de Bem-Estar Social Europeu, terá de por força, ser adaptado a situação peculiar da América do Sul, no inicio do social consenso. Com um Estado regulador das dinâmicas de interesse contraditório entre capital e trabalho, que terá de ser forte e exercer suas funções com independência ética. Modelos já falidos de confronto esquerda – direita, devem ser ultrapassados, por meio deste processo dinâmico de unificação e equilíbrio: caminho do meio.

Os contrastes, são precisos e preciosos, numa sociedade saudável, na qual o estado intermediário pode fazer com honorabilidade e lealdade política sua ponte… Mais adiante, esse modelo inicial herdado da máxima tónica evolutiva da Europa, tomará suas próprias características, e criando suas próprias dinâmicas, será modelado, para formação desse novo sistema político de participação cidadania mais direta nas decisões. Mas também de maior conhecimento e responsabilidade dos mesmos cidadãos, partindo daquele: “conehce-te a ti mesmo” do templo do Deus Apolo em Delfos. Desse substrato, bem removido e irrigado, surgirá a cultura oceânica…

Criação do modelo

Toda criação é trinitária e passa pelas três fases precisas:

a) Idealização

b) Planejamento

  1. Materialização

No plano da Idealização (naquele plano da ideias do que falava Platão) devemos indagar a luz do pensamento, para achegar como semente, a esta futura civilização. Em ele estamos agora envolvidos, sabendo ou sem saber, todos os pensadores e pensadoras, que pertencemos a esta cultura de ligação Península Ibérica, América, África e Oceânia. As rotas abertas por espanhóis e português criaram este laço, no lado positivo da história. Do lado negativo já tudo tem sido muito analisado, nem sempre para bem, como em todo o que respeita ao conhecimento da história.

A Galiza como mãe semiótica, que deu o germe linguístico, do proto galaico (mistura de gaélico celta e latim), estudado pelo professor Carvalho Calero; do qual surgiriam o galego – português e castelhano… Assim como mãe física, que entregou a metade de seu território – entrega da sua carne a seu filho – Portugal, para criação do reino português, futuro centro das navegações ao Oriente… Além de útero Espiritual de onde brotou a berço celta, e guardiã das suas tradições… Teve um papel de relevo, que a história de algum modo apagou e como boa mãe, para dar-lhe mais brilho a seus filhos, ela ainda não reivindicou. Serão seu netos na América do Sul, desde Brasil nomeadamente, que lhe darão com certeza esse merecido reconhecimento….

Se soubermos que o problema principal da humanidade está no seu pouco desenvolvimento em termos de consciência; dado que o ser humano ainda tem sua atenção muito focada no afetivo emocional e, as mares das suas emoções muito dominadas pelas paixões e impulsos animalescos… Poderemos facilmente resumir, que para criar uma nova civilização, que aspira a modelar o caráter humano, devermos primeiramente trabalhar, polir esse afetivo emocional, por meio do poder da razão e da inteligência. Amplificado com aquela boa intuição, que nos permite aprimorar os sentimentos de amor, paz e ajuda mútua.

Para criar uma nova civilização, que aspira a modelar o caráter humano, devermos primeiramente trabalhar, polir esse afetivo emocional, por meio do poder da razão e da inteligência.

Aqueles 12 trabalhos de Hércules; aquela concretização das 7 virtudes que ultrapassam os 7 erros, mal chamados pecados; aqueles 12 passos do Nucteremon de Apôlino de Tiana; aquela Senda Natural do Tao, ou aquele caminho óctuplo do Buda… Entre outros, deverão ser a base – Pedra Filosofal, na que firmar a nova consciência. Consciência renovada, rensacida, que em seu momento poderá criar essa nova civilização.

Em esse processo estamos imersos, e não poderemos realizar umas verdadeiras achegas se antes nós mesmos, não conseguimos dominar nossos instintos mais primários. É um trabalho árduo, que dura toda a vida, mas é em realidade nosso único trabalho, em esta ou outras vidas (se em elas você acreditar).

Se formos vitoriosos, poderemos ser semente desta nova civilização, hoje ainda em processo de fermentar suas joais mais primorosas: Seus tesouros imateriais e seu futuro poder afiançado na matéria… Trabalhemos pois com esmero!

Vede em primeiro lugar corretamente os vossos próprios olhos, se quiserdes ver corretamente as outras coisas. Não com os olhos, mas através Deles, deveis olhar para que possais ver aquilo que além deles está” (Do Livro de Mirdad, de Mikhail Naimy).

Artur Alonso Novelhe

Artur Alonso Novelhe

Galego, mas nascido no México, é diplomado pela Escola Pericial de Comércio de Ourense. Exerce como funcionário do Serviço Galego de Saúde do Governo da Galiza. Publicou várias obras de poesia e colabora habitualmente com diferentes publicações, entre as quais o PGL. É sócio da Associaçom Galega da Língua (AGAL) desde os meados dos anos 80 e académico da AGLP.
Artur Alonso Novelhe

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