Parar o aspeto religioso da guerra

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O caminho espiritual é para unir, não para dividir –guerra, pelo domínio territorial– material, não é uma senda religiosa – também, já se tem demonstrado como não civilizatória.
A essência Una –Inteligência Universal– tem muitos nomes: através do diálogo inter-religioso, ecumenismo ativo, procedemos também a um diálogo civilizacional, que constrói pontes, para entender como as nossas mesmas verdades (diferentes formas de perceção sobre uma mesma essência: aquela que cria a semente), são olhadas por outros povos.
Lembremos o que a semente contem dentro de si: a forma biológica para desenvolver na futura criatura. O mistério da semente encaminha a olhar uma Inteligência Universal, na natureza bem plasmada.

No estudo “Principais Elementos da Geometria Sagrada”, Ugo S. Perozin demonstra essa essência, que une todas as cosmologias do mundo. Em primeiro lugar vemos a comparação da primeira bolha no vácuo com um óvulo.

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Também compara esse óvulo com o caos primordial, que emprincipia os mundos, antes do ciclo da ordem cósmica. Aquele ciclo de Úrano, continuamente procriando, ate chegar o ciclo de Cronos, onde o tempo começa a inserir uma certa ordem no espaço.

Aqui está ainda a energia espiritual do Pai movendo-se pelo útero cósmico da Mãe.
A seguir temos, já a interceção entre o Círculo Espiritual simbólico do Pai, com o círculo – útero – taça, símbolo espiritual da Mãe, criando a Vesica Piscis – Símbolo do Peixe Crístico – o Filho / Filha.

imagem02-para-artur-alonso-novelheVemos o Filho – Filha Espiritualizado, como mediador entre céu e terra. O Avatara, Filho do Eterno, que segundo o Bhagavad-Gita desce aos mundos físicos quando a humanidade entra em ciclo de decadência, corrupção, corrosão; para servir de guia, com o seu sacrifício, e de novo encaminhar esses seres perdidos à luz espiritual, dando-lhe, à sua vez, uma nova tónica evolutiva: um novo Pramantha, um novo cânone, uma nova tradição espiritual, variante temporal da Tradição Eterna, que mantêm a sua essência.
Pramantha, que é fonte de luz, a tríade de fogo das cosmogonias várias. O Pramantha é o rigor, parte superior masculina (fálica) do instrumento de mudança, sendo a parte inferior Arani: o útero feminino, a matriz do mundo. Ainda hoje os Brâmanes na Índia, em certos cerimoniais, roçam um pau sobre um disco de madeira, ate produzir fogo: Pramantha atuando sobre Arani, trazendo o fogo espiritual ao mundo.
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Nesta representação podemos observar o Filho espiritualizado (o Cristo, o Avatar, o Messiah) no meio do Pai Celestial e a Mãe Terrena (unida esta Mãe Terrena à Mãe Cósmica pela Deusa da Natureza), fazendo esse filho de liame para volver unir a humanidade com Deus (o Uno-Todo).
Esse Filho espiritualizado tem correspondência com a esfera cabalista solar de Tiphareth. Única esfera da árvore-da-vida que comunica com todas as outras. Esfera da Cruz, onde se pode dar o ritual ou cerimonial da crucifixão: morte do velho ego materialista, renovação no novo Ser Espírito. Essa crucifixão no imaginário cristão corresponde com a de Yeshua e na mitologia nórdica é a de Odin: pendurado no Freixo Sagrado (para obter a sabedoria das runas). Odin pendura-se de cabeça para abaixo, simbolizando a descida, queda do espírito na matéria. Ao obter a sabedoria sagrada volve sustentar-se de cabeça arriba (conexão com céu, raiz dos pés na terra). Filho Consagrado (que através do sacrifício e do conhecimento, pode guiar o seu povo), fazendo de ponte entre os mundos celestes e terrestres. Assim também era Lugh, filho, ser mercurial, perfeito em todas as artes.

imagem04-para-artur-alonso-novelheSeria este processo, o mesmo daquele da obtenção do conhecimento interno, chamado na tradição indiana de Pramantharani. Este saber permite perceber os cânones evolutivos da humanidade, os ciclos e caminhos, que ela tem que trilhar para chegar finalmente para a realização da Grande Obra do Eterno na face da Terra.

De aí as profecias em diferentes povos do Messiah ou redentor. Entre os xiitas do Irão chamado o Mahdi, para os budistas chamado o Buda Maitreya, para os cristãos A Segunda Vinda de Cristo. Tendo sempre como visão o fim dos tempos (mas não devemos fanatizar-nos com guerras, morte e separação dos justos e injustos, passando antes pela terrível prova duma guerra assoladora). Falamos aqui do fim do tempo, a chegada da espiritualização coletiva, Pralaya –descanso– noite de Bramha: recolhida no seio do Pai, dos filhos da sua criação.

Aqueles que não deram a tónica evolutiva terão de voltar a encarnar em outros 7 sistemas de realização (com os seus respetivos globos, rondas e cadeias), quando voltar o período da manifestação ou Manvatara. Os mais depravados pagarão com a punição lógica, da sua eleição nas suas vidas sucessivas (onde tiveram oportunidade de emendar-se, fazer o bom caminho das correções, do que falam os rabinos cabalistas).

Em todas as tradições existe essa figura Redentora.

Ellen G. White, advertia da necessidade de conhecer as profecias de Daniel e Apocalipse, para preparar-se na fé, desenvolver-se bem espiritualmente e tomar consciência dos tempos por vir. Devemos aqui lembrar que o Apocalipse tem também muita semelhança com o “Rolo ou Pergaminho da Guerra” dos Essénios. Mas mesmo assim, sabemos como dizia o grande espiritista brasileiro Xico Xavier, que as visões, mesmo daqueles considerados iluminados ou santos, são advertências, do que puder acontecer, caso a humanidade não volte a senda da LEI.

Sendo que no Logos do Pai surgem as causas –espirituais, no Logos da Mãe– se planificam as ideias (mundo das ideias de Platão) e por tanto a Lei (e no Logos físico do filho as realizações ou efeitos). Saibamos recolher a causa amorosa do Pai na Lei Espiritual do Amor –Sabedoria da Mãe– para criar o efeito de luz na humanidade. Evitando criar, por livre arbítrio, ignorância e egolatria causas, fora de lei, que nos levem a efeitos de destruição e autodestruição.

Contava o Chefe Cutelo, da nação Sioux, que o Grande Chefe “Cavalo Louco” fora a Bear Butte em procura duma visão espiritual. Ele viu que haveria guerras terríveis por todo o mundo, com grandes fogos e grandes combates. Que os povos do mundo sofreriam e as mulheres chorariam muito. Que em todos os cantos do planeta os homens seriam brutais com as mulheres e que finalmente o Grande Espírito (Wakan Tanka, era chamado pelos Dacota) viria à Terra para julgar os seres humanos.
Esta visão de “Cavalo Louco” parece definir muito bem o século XX. Confiemos, pois, em que os seres humanos saberão entender todas as múltiplas arestas destas profecias, sejam capazes, em tempos de crises múltiplas e transição sistémica (na altura), de chegar a acomodos geopolíticos e, na base, começar a trabalhar a Nova Sociedade mais ecológica, menos predadora e mais baseada na Ajuda Mútua e no caminho espiritual.

Aguardemos o bom discernimento reine entre os humanos seres!

“Todos temos nascido de uma mulher, ainda sendo diferentes em muitos aspetos. Não nos podem criar de novo. Vos sois como vos fizeram, e tal como vos fizeram, podeis seguir sendo. Nós somos tal como nos fez o Grande Espírito, e não podereis cambiar-nos; então, por quê teriam de pelejar-se os filhos duma mesma mãe um mesmo pai? Por quê um teria de enganar ao outro? Eu não acredito que o Grande Espírito der a uma categoria de seres humanos o direito de dizer a outros seres humanos, o que devem fazer” (Chefe Joseph Nez Percé, 1879, da naçao sioux)