Os Senhores do Anel (I)

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Por Artur Alonso

“Acredito que as Instituições bancarias são muito mais perigosas que exércitos abastados… Se o povo americano permitir que bancos privados controlem a sua moeda, os bancos e as corporações que crescerão à sua volta, irão privar o povo dos seus bens; até que um dia os seus filhos se verão sem teto no continente para eles, por seus pais conquistado”

(Thomas Jefferson, 1743-1826)

Neofeudalismo

Sociedade baseada no controlo duma nova elite, através da privatização e apropriação do património público e a sua correlata transferência para o benefício do património corporativo. Dominando estruturas tanto de produção, segurança, lazer, como de bens e serviços. Serviços dos quais as corporações tiraram as devidas rendas, ou bem através da cobrança direto ao utente, ou bem por meio da cobrança subsidiária (a toda a sociedade via impostos) pela realização da mesma em nome do Estado.

O Estado – tem de pagar às corporações os serviços que antes ele dispensava diretamente à população. Os custos da prestação por lógica encarecem, então o Estado deve obter os recursos necessários para fazer-se cargo das despesas elevadas. Estes recursos são fornecidos através de impostos diretos e indiretos e orçamentos governamentais obtidos de financiar-se diretamente no “livre mercado” – dado ser impossível ao mesmo Estado emitir os seus recursos através do controlo da moeda e do Banco Nacional, pois ele foi substituído por um Banco Central – dominado pela Elite Neofeudal.

Todo o dinheiro produzido por esse mecanismo é emprestado em juros. Convertendo a dívida na única fonte de riqueza. Sendo, pois o principal círculo do anel para atrelar toda a sociedade, dos governos, instituições, organismos e organizações aos cidadãos (todo eles bebem do elixir que jorra do manancial da eterna dívida). Também os partidos políticos estão gravitando sobre este centro – criando assim, pela mesma dinâmica do sistema, uma partidocracia que funciona em parceria com os senhores neofeudais donos das corporações que os financiam e sustentam.

Deste jeito os partidos já não se devem aos cidadãos que os votam mas aos senhores que os financiam – direta ou indiretamente. Pois, ainda suprimindo as achegas aos partidos políticos, os senhores detêm o poder permanente de gerir os serviços, que previamente em décadas foram privatizados e agora são vitais para a manutenção do próprio estado. Acontece também que os políticos e famílias políticas normalmente surgem e se associam no seio das estruturas de poder desenhadas pela mesma elite; ou estudam e se formam nos estabelecimentos de ensino associados a estas.

Dívida

A dívida é o único mecanismo de criação de riqueza numa sociedade pós-industrial. Através da dívida se criam as relações de poder e vassalagem (tanto verticais como horizontais) num contexto programado de lealdades forçadas. Nada mais de valor pode ser criado ou retirado, sem antes entram a caminhar sobre o circuito perpétuo da dívida. O resto de antigo valor e as antigas mais-valias das sociedades industriais e pré-industriais, ressaltam agora como resíduos da história e restos duma paisagem próximos a serem banidos.

O monte de dívida é dirigido e controlado por meio dum Banco Central.

Banco Central

Controla as taxas de juro e fluxos da oferta de dinheiro (quer dizer, tem os mecanismos para controlar a inflação e a deflação). Se esse banco, como no caso do BCE ou do FED norte-americano, depender e servir para financiar inicialmente a banca privada, que por sua vez faz empréstimos ao estado; podemos facilmente deduzir quem controla a economia e quem então tem o poder real, por trás do cenário e das aparências. Grande Mascarada encoberta pela Mídia.

Os bancos centrais emprestam aos governos com juros. Aumentando ou diminuindo a moeda que circula, o qual regula por sua vez o valor real do dinheiro que está em circulação. Mediante este simples mecanismo, a elite pode decidir quando a riqueza duma sociedade está em expansão ou em contração.

O dinheiro criado, a partir desta armadilha, contrai já desde a sua nascença uma dívida ligada à sua base fracionária. E então como pagar essa dívida aderida a uma moeda, que está agora em circulação? Desde o próprio Banco Central, que tem de novo que aumentar a oferta de dinheiro – criando por sua vez mais dívida e mais poder de controlo sobre toda a sociedade; aquela que a fim de contas está obrigada a pagar a mesma.

“Se vocês quiserem continuar escravos dos bancos e pagar pelos custos da sua própria escravidão, deixe-nos continuar a criar dinheiro e controlar todo o credito da nação”

(Sir Josiah Stamp, 1880-1941)

A bolha

O grande mecanismo para se tornar donos de toda a riqueza duma sociedade num determinado momento – é a criação e implosão das típicas bolhas. Aumentando a dívida e o crédito forma-se uma bolha que permite extrair grandes lucros enquanto dura o período natural de expansão; por sua vez quando chegar o momento de extinção biológica – estoura-se a bolha, aproveitando a crise consequente e as falências surgidas no processo, para obter imenso património a custo muito baixo.

Neste processo são eliminados concorrentes desnecessários e absorvidos aliados pequenos necessários para consolidar o poder neofedual e as cadeias de vassalagens.

A única que fica ignorante da sequência e consequência é a malformada, pouco informada e desmemoriada sociedade civil… que neste novo quadro histórico terá que conformar-se com o papel de servente.

Servo

Segundo a primeira aceção do dicionário Estraviz: “Aquele que depende de um senhor, sem ter direitos, nem dispor da própria pessoa ou bens”…

E dizer que aos servos – a sociedade civil – lhes coube o papel atribuído de servir os senhores (os que decidem) e lutar nas suas guerras.

… e como este conto o outra também continuará por entregas semanais…