O verdadeiro poder feminino



“Não pagarei homem algum com o mal. Persegui-lo-ei com a bondade”
(do “Hino ao Preceito da Comunidade, da Filosofia Essênia)

Afirma o Prof. André Pena Granha – Decano do IGEC – que no 20 mil a. C – o Noroeste da Peninsula Celto-ibérica converte-se num refúgio climatérico (Durante o úiltímo período glacial, que teve lugar no Pleistoceno). Aí, na posteriormente chamada Terra da Deusa Cailleach (Terra Mae) – Caillaecia: local da Terra Mãe, vai surgir o berço duma civilização, a celta, que a partir do 10.000 a.C, com o desgelo, ira povoar todo o Continente Europeu – atingindo no período zodiacal de Carneiro, a partires do 2.000 a.C. seu maior período de esplendor, chegando mesmo sua expansão ate a Galácia Turca, hoje atual Anatólia. E convertendo-se, ate irrupção do Império Romano, e posterior Poder germânico (já no período zodiacal de Peixes) no Centro Geográfico, provisor, da tónica evolutiva de toda uma Era, para toda uma humanidade em desenrolo.

No seu livro Os Grandes Iniciados, Éduard Schuré afirma, que a mulher celta europeia, adquire, de início, grande relevância ao serem ela a mais capacitada para indagar no mundo do supremo invisível, prenunciador do acontecer necessário. Sendo o carvalho, onde obteve a primeira visão, transformado na Árvore Sagrada, por excelência.

Ate o 7.000 a. C. Inciado o ciclo zodiacal de Gêmeos, uma sociedade Matriarcal, já em declínio, confronta-se, com um dos dirigentes celtas mais ativos, nomeado de RAM. Este propugna, uma lógica necesária de mudança social e uma re-orientação do excessivo poder feminino – agora virado para o lado escuro – guerreiro, dominador; em favor duma reconciliação com o masculino.

Ram teve um sonho – no qual lhe é monstrado no longínquo Oriente, uma Nova Terra de Promissão. Para evitar, pois, uma guerra contra o velho estamento Matriarcal dominador, RAM parte à procura duma nova rota ate o Nascer do Sol – chegando a influenciar a cultura do Zoroastro, na Pérsia – e dos Vedas na Índia – desde seu inicial assentamento na meseta do PAMIR.

Na Índia Ram, passaria a denominar-se Rama, herói, que o poeta Valmiki, consagraria na épica narrativa do Ramaiama, ou “a viagem de Rama”.

Em esta nova cultura oriental, a mulher será retirada do comando, do fogo do altar e colocada ao cuidado do fogo do lar – Aqui começa um novo e longo período patriarcal, que rumaria de Oriente a Ocidente, influenciado todo tipo de novas tradições. Patriarcado hoje em plena decadência – virado também ao lado escuro dominador, guerreiro e intransigente.

AKHENATON

Perto do 1.300 a.C o Farão Amenhotep IV, ou Amenófis IV da XVIII dinastia do Egito, converter-se-á em Akhenaton ou “Aquele que louva a Atón” ou em “Aquele que é útil a Atón” – Sendo Atón, o Espírito Solar Criador – Disco Solar Luminoso – Logos Único – ou Sol Oculto – Astro Zero, Zoroastro, na Pérsia, herdeira da longa marcha de Ram.

Além de voltar a recuperar no Egito o culto ao Deus Único Criador, Akhenaton, também devolveria à mulher ao fogo do Altar – em harmonia, união, comunidade (comum unidade) com o homem. Recuperando aquela Parelha Manúsica – dos Gémeos, guias, ou Iniciadores dos caminhos Espirituais. Ficando o próprio Farão, com o culto Masculino, entregando o sacerdócio feminino, a sua esposa, Nefertiti. Voltando ao velho equilibro, já anteriormente existente, na Terra, no ciclo de Poder da velha raça Tolteca, da qual todos os povos do México se assumem herdeiros. (Eis aqui que voltamos observar, como a evolução cíclica segue um percurso circular holístico: Do remoto Centro Geográfico, Espiritual e Material Tolteca, ao Centro Geográfico, Espiritual e Material Celta. Dai, a Meseta do Pamir, novo Centro Espiritual e Material Geográfico. Atravessando – os passos ate chegar a Egito. Passando, depois o conhecimento hermético, do Deus Thot, à Grécia Pitagórica.

Mas tarde rumando até novo Centro Geográfico, já somente material, em Roma – Dai ao Império Ocidental dos nossos dias. Dividido já o Centro Geográfico Material, que se conserva no Ocidente; ficando resguardado o centro Espiritual, no Oriente: Tibete, Índia…Todo dentro do Hemisfério Norte. Para agora de novo um novo Centro Espiritual e Material, estar a procura dum novo destino. Tal vez, já rumando caminho do Hemisfério Sul, onde o Sul da América, ainda em preparação, seja quiçá o novo recetor, que de novo vai unificar os dos centros: Espírito e Matéria, Purusha e Pakritri, como chamam os indianos.)

Derrotado Akhenaton, pelos sacerdotes materialistas de AMON, seu filho, futuro farão, teria de pactuar com o Poder Religioso Material, mudando seu nome de TUTANKATON ao de TUTANKAMON. É Dizer, mundando o culto espiritual de Atón, Disco Solar, pelo material religioso de Amon e, os Deuses Antropomorfizados. Ao tempo, voltando ao velho esquema patriarcal, retirando à mulher do fogo do Altar (somente reservando para os homens) deixando-a atrelada ao fogo do lar -e as tarefas de quidar marido e prole. E desequilibrando outra vez, ainda apaixonada, emocional, submissa humanidade.

ESSÊNIOS

A meados do século 2 a.C. Uma comunidade judaica, de origem controversa, assentada no deserto de Qumran, chamada dos Essénios – voltará a pregar as doutrinas do Espírito Solar Único ou Logos Criador. Ao tempo que também voltar a restituir o sacerdócio feminino, deixando homem e mulher, a partilhar em conjunto tanto o Fogo do Lar, como o Fogo do Altar.

Finalmente no ano 68 d.C, a comunidade é assolada, devastada, destruída. Em com ela de novo a ideia de comunidade, o comum na unidade – abandono da materialidade (abandono da ideia de propriedade privada, em favor da ideia, mais elevada, de confraternização e ajuda mutua, entre os seres vivos e a mãe terra) assim como abandono da luta mulher – homem, pela harmonia na união do masculino e feminino, que gera a vida; voltaria ser apagada.

No entanto, sabemos que os primeiros cristãos, judeus da Alexandria (Egito), foram fortemente influenciados pela gnose, shopia – sabedoria, tanto dos essénios como dos nazaritas.

Também sabemos, pelo evangelho da mesma Maria Madalena, ou Maria de Migdala (localidade de onde ela era natural), que o futuro apostolo Pedro, não concordava com Yeshua, o Cristo, na ideia original de manter vivo o Sacerdócio feminino na figura da própria Maria de Magdala (considera pelo mesmo Mestre, a mais evoluída dos seus discípulos), e, a única com capacidade de compreender o transfundo total da doutrina, que ia ser legada a nova humanidade. Àquele humanidade reconciliada no “Amai-vos uns aos outros”.

GNOSE – ATUAL

Tanto o Apostolo Pedro, como Paulo de Tarso, fariam um trabalho profundo, meticuloso e perseverante, para apagar a figura Feminina, e o culto ao Poder da Mulher, como Mãe, esposa, filha – mas também como Deusa Mãe – Terra, Deusa Humana – Mulher e Deusa Cósmica – Trono Intermediário, da LEI, entre a Causa e o Efeito.

Sabemos também que esse culto, foi dalgum modo transladado a França, onde se acredita Maria Madalena, tenha chegado, com mais duas mulheres – àquele famoso porto costeiro provençal, precisamente denominado Saintes Maries de la Mer. No distrito de Arles, na França.

Mas sabemos também, que no ano 303 (segundo preciso estudo de Fernando Conde Torrens) Lactancio, Eusébio de Cesárea e o Imperador Constantino, começam a trabalhar para criar uma nova religião, acorde aos interesses do Império. Já no Concílio de Nicéia, com Lactancio já falecido, se impõe esse novo cristianismo, onde a figura da Deusa Feminina, e o poder do sacerdócio feminino, fica ultrajada e meio apagada, no culto mal direcionado à Virgem Maria, mãe de Jesus – Filho de Deus.

Sabemos, também, que nosso valoroso Prisciliano, no século IV, vai trazer esse conhecimento gnóstico, para misturar na Galiza, com o conhecimento celta ainda latejante e mesmo reminiscente, na nossa atualidade. Recuperando de novo o Sacerdócio Feminino, e os cultos a Deusa Mãe Terra, Humana e Cósmica.

E por elo vai pagar com o martirio e morte decretado em Tréveris, em 385, por um papado plenamente temeroso de acordar de novo um caminho espiritual, que verdadeiramente transforme o ser humano, em um ser de poder, amor e luz, ao serviço dos seus semelhantes.

ESCURIDÃO

Sabemos, também que última tentativa Cátara, nos séculos XI e XII, foi também fortemente reprimida, pelo Papado, massacrando o Langedoc, na altura também vassalos do reino de Aragão, e defendida com honra, pelo pai de Jaime I, o Conquistador; Pedro II de Aragão , que daria sua própria vida, auxiliando à comuna de Muret, a 12 de setembo de 1213. Sabemos também, que os últimos cátaros vivos, passariam a Catalunha, pelo famoso caminho dos “bons homs” ou Bons Homens. A partir daí, todos estes cultos, tiveram de ficar na sombra, guardados por mulheres e homens, de bem agir, na maior das clandestinidades.

Mas que entranhava e entranha o poder feminino, para despertar tanto medo no poder patriarcal?

Parte deste místerio vai ser desvelado, devagar, nós próximos decênios. No entanto vamos dar um breve repasso ao significado do verdadeiro poder feminino, através dos tempos.

Na arquitetura de todo o mundo temos o obelisco, a torre, como simbolizando o masculino: Falo. A cúpula como simbolizando o feminino: Cetis. Muitas das catedrais, realizadas por mestres canteiros, conhecedores da Sabedoria Iniciática das Idades, deixaram essa marca harmónica, da unidade homem-mulher, mulher-homem, a vista de quem tem olhos para ver, como falavam os evangelhos gnósticos. Cúpulas geodésicas realizadas, por arquitectos e mestres canteiros, em locais bem orientados, em cujas paredes incidem diversamente os raios do sol (segundo as diferentes estações, meses e hora do dia). Seguindo aquele antigo conhecimento construtor, que já fora utilizado por nossos ancestrais em Templos como Stonehenge.

LUZ

Nas bodas celtas o homem casa sustentando uma vara ou pão, na mão direita e, a mulher uma cunca, cavidade – útero – poder gerador, na sua mão esquerda. Simbolizando, aqui, o poder projetor da semente masculina e o poder recetor, do útero feminino.

Assim, sendo a mulher o poder recetor – recipiente – Taça, vemos também refletido um dos aspetos do Culto do Graal, taça, continente, aquilo que contem – sendo outo aspeto o Graal, como Grassal, livro, saber – Sophia, conhecimento. Ambos aspectos complementares do universal feminino.

Se o feminino, é, pois o poder de receber o conhecimento – o recipiente, continente, onde o conhecimento espiritual pode ser vertido. A perda, desse feminino, ideada em Niceia, tira à humanidade o poder de receber, aquele Graal Espiritual. Deixando-nos, fora da ação de receber, merecer, enriquecer-nos. Ficando com a simples ação de dar, entregar. Entregar o que e a quem? Entregar nosso suor, da frente, nosso trabalho, ao poder dominador de Niceia – herdeiros, daqueles sacerdotes de Amon, religião material – Falso Poder Espiritual, que ainda hoje dominam, através da Patriarcal Igreja, e do Patriarcal Império.

A ideia, pois, é que o verdadeiro Sistema é Luminoso – onde Comunismo, liberalismo, conservadorismo, progressismo; direita e esquerda. Masculino e feminino, se complementam.

Sendo na comunidade de ajuda mútua, que se realiza o comunismo. Sendo que no livre arbítrio, sem lesar aos outros, se realiza o verdadeiro liberalismo. Ambos complementares. Pois, não existe conservação sem progresso, nem existe progresso sem conservação. Do mesmo jeito que não existe direita sem esquerda, nem esquerda sem sua complementar direita. Homem, complementando mulher; mulher complementando homem, para melhor evoluir da vida, que traz vidas.

Tal como bem afirma, Pietro Ubaldi, no seu magnífico livro “O Sistema, gênese e estrutura do universo”; hoje vivemos no antissistema, lado escuro, negativo, do verdadeiro sistema Luminoso. Em este antissistema o falso comunismo e o falso liberalismo lutam entre si, abertamente, fomentado, guerra, destruição, obstrução. Impedindo a construção, pela suma de todas as formas, todas as visões, todos os ângulos do mesmo prisma.

Conhecer a triplicidade do uno, é começar conhecer o mesmo sistema, em início, trisquel celta do surgir e ressurgir.

Triplicidade onde o masculino, feminino, neutro, vivem harmonizados. Onde o Pai Cósmico, em união com a Mãe Cósmica, criam o Filho, Filha material: Esfera cabalística de Malkuth, ou Reino da Materialidade, fisicalidade. Tudo dentro da Unidade Universal, de onde tudo promana. Dai nosso pensamento, ideação e ação, seguir o mesmo padrão perfeito.

Assim fala Ubaldi, em seu já referido livro: “Toda nossa atividade criadora, no trabalho, segue estas três fases: primeiro um pensamento que concebe e projeta a ação (fase espírito); depois uma vontade que executa aquele pensamento, que, de outro modo, permaneceria sem atuação, ou seja a ação que cria (fase energia); enfim, uma forma concreta na qual se imprimiu a ação e o pensamento se exprimiu (fase matéria)”. Sendo a segunda fase, energia, local da ideaçao – onde a ideia (semente) será planificada, planejada (útero), para finalmente – chegar a terceira fase material- a ideia, dar a luz – Parto.

É assim, como também o mesmo Pietro Ubaldi explica, se sae do engando do poder dominador, ultrapassando, a velha guerra de contrários, por eles alentada. Assim afirma Ubaldi: “Por isso, temos de ser pesquisadores sinceros, que amigavelmente se ajudam no mesmo trabalho de indagação, e não polemistas que procuram sobrepor-se, esforçando-se cada um por impor ao outro a própria verdade… Para nós, situados no relativo, as perspetivas são diferentes. Dessa forma, não só as verdades são relativas à posição particular de cada um, como também são progressivas, ou caminham em evolução, e são conquistáveis por aproximações sucessivas. Por isso, os verdadeiros pesquisadores, sabendo disso, não fazem polêmicas, mas pelo contrário, ao invés de procurarem eliminar-se mutuamente, como num combate de esgrima, buscam o caminho da compreensão para colaborar, combinando as próprias visões particulares para alcançar uma visão de conjunto sempre mais vasta” Sejam, pois as mentes mais altas, capazes de viver no diálogo amoroso, que unir diferentes visões, permitindo, a sua vez, alcançar, acessar a uma realidade mais vasta. Para isso, preciso é retribuir de novo nosso feminino interno: receber, encher. De novo nossa taça criar, feminino útero emancipador, para receber, conter a Sophia, sabedoria. Esse é o primeiro passo libertador, em este longo caminho, particular e coletivo, de ampliar com amor a Consciência.

Não pretendas toda resposta conhecer, tem ainda paciência. Lembra o poema de Rilke:

“Não perguntas em procura de respostas
que não podem ser-te dadas
por que tu não as podes viver
e, aqui, trata-se sobre tudo de viver.
Vive as grandes perguntas agora
Tal vez, num dia longínquo,
sem perceberes,
te familiarizas com as respostas”…

Artur Alonso Novelhe

Artur Alonso Novelhe

Galego, mas nascido no México, é diplomado pela Escola Pericial de Comércio de Ourense. Exerce como funcionário do Serviço Galego de Saúde do Governo da Galiza. Publicou várias obras de poesia e colabora habitualmente com diferentes publicações, entre as quais o PGL. É sócio da Associaçom Galega da Língua (AGAL) desde os meados dos anos 80 e académico da AGLP.
Artur Alonso Novelhe

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