“Da mesma maneira que os poetas adoram seus versos, e os pais aos filhos, um comerciante preza sua riqueza por ser obra sua, e também por causa de sua utilidade, igualmente a todos os outros homens. Este é o motivo por que é difícil a convivência com eles, pois se interessam apenas pelo dinheiro” (“A República” de Platão)
Quando mudam os ciclos mudam as hegemonias. Hoje, os velhos mercadores, convertidos em os Senhores das Grandes Finanças, que dominam o mundo; começam a perder o controlo ao que submetiam aos povos através da “Divida Perpétua”, em favor dum novo ciclo mais de poder orientado ao cívico: no início controlado pelo Estado…
A implosão sistémica começa a ser um fato, e na “Demolição Programada do Velho” surgem novos protagonistas; os antagonismos exacerbam, e, a humanidade trilha encruzilhadas, que a miúdo se resolvem com a força. Uma fricção excessiva nas placas tectónicas, que se sobrepõem, na luta pela concorrência hegemónica mundial (entre o velho modelo de dominação em declínio, e o novo modelo de organização em paulatina expansão, mas todavia em desenho), pode-se tornar num confronto direto.
Em esses tempos estamos, não existam dúvidas. Fechar os olhos ante a evidência é suicídio.
Ocidente acha que debilitando Rússia na Ucrânia, que tentando implodir China, impedindo sua expansão marítima, talvez pelo poder militar ou, erosionando internamente a “teocracia islámica” do Irão, eles irão prevalecer em seu sonho unipolar, quanto menos durante um certo período de tempo.
Mas a vitalidade de Ásia, move muitos polos em favor do centro chinês, e a construção da ponte Euro-asiática da Rússia, favorece interesses antes em confronto, como os da Índia – Paquistão; Irão – Arabia Saudita; ou mesmo a Turquia – Arménia e Azerbaijão… Se esta Ponte Russa tiver sucesso, Ocidente pode ter um revés irreversível, no seu plano hegemónico global e a multipolaridade, ser o novo paradigma de construção do novo imaginário coletivo mundial. Com a África dos Sul e o Brasil, a começar a ter um pequeno e sustentável destaque, no tempo, como centros de suas áreas regionais respetivas.
E a má notícia, deste andamento, para nós europeus, é que o que está em declínio é precisamente nosso modelo de civilização ocidental, que leva governando o mundo, desde que portugueses e espanhóis, abriram as rotas marítimas para o instauração dos Impérios da Europa no mundo (no século XVI); com todas suas diversas formas de governação (desde a paz Westfália – aos Impérios da revolução industrial (com seus centros e metrópoles), ate nossos dias das finanças. Cenários geopolíticos mudados através dos tempos, mas pelo Ocidente impulsionados, de maneira incontestável. Tal vez ate hoje? Aí vem a Ásia?…
Ásia volta reclamar o centro dinâmico das economias emergentes desse futuro novo mundo (China, apesar do auge ocidental, manteve o centro económico vital até o século XIX – perdendo em favor dos britânicos trás as duas infames guerras do ópio). E as rotas da Euroásia, emergem agora, tornando-se atrativas para a disposição e implementação dum novo modelo de controlo estatal, por cima do antigo formato de dominação unilateral das Corporações Privadas do Ocidente.
Sendo em essência esta nova cultura euro-asiática conservadora na sua aposta programática cultural. Na sua nova política social soberana estatizada, coletiva e, sua nova globalização: multipolar… Em antagonismo a atual, em contração e desconstrução globalização unilateral privada, anti estatal, universal – sem ter em conta as peculiaridades locais, de cultura progressista centrada no individuo (desenraizamento da família, da ideia de nação; fugida da raiz popular local, da comunidade, em favor duma dimensão social individual exacerbada, universal liberdade ocidental centrada no consumo de bens e no entretenimento niilista. Na decisão do eu, por cima do nós). Visão hoje já agonizante…
E acontece o Ocidente parece ir perdendo esta batalha, que aguardamos para o bem da humanidade, não terminar uma guerra global a grande escada. Mas todavia nada está decidido.
No entanto esse novo poder “totalitário” conservador de Estado, ameaça substituir esse Ocidente, que semelha em entropia. Esse modelo seguir de início há o conselho que Platão também propõe na mesma ideal “República”:”Compete aos fundadores conhecer os modelos que devem seguir os poetas nas suas histórias e proibir que se afastem deles; mas não lhes compete criar fábulas” Dado o novo paradigma a criar, vai sempre manifestar umas margens, por onde a criação cultural deverá veicular-se. E como sempre: sempre haverá rebeldes, revoltados, confrontados contra o poder, que negando-se a acatar o novos marcos estatutários, iniciar vão devagar, o lento caminho do longo próximo futuro de progresso…
Um novo mundo anseia começar, onde o interesse já não esteja centrado no dinheiro; senão nos valores “conservadores e conservacionistas, tradicionais” que unem as comunidades por aquilo que ainda mantem em comum, tal vez ainda não sendo esses valores, aqueles dos que gostaríamos… Mas esses novos valores ainda no caminho da correção terão mais peso e importância nos vindouros tempos, que estão, em este momento, nascendo .… No começo “impostos” através dum poder totalitário, em luta com uma anterior mal entendida democracia, convertida em plutocracia.
Um novo mundo anseia começar, onde o interesse já não esteja centrado no dinheiro; senão nos valores “conservadores e conservacionistas, tradicionais” que unem as comunidades por aquilo que ainda mantem em comum.
E sendo assim que se faz a longa travessia da humanidade pela evolução, negar esta evidência somente pode trazer-nos ativar, o perigo iminente dum grande – mundial – embate. Nos tempos de encruzilhadas os povos tomam partido. Nós, na Europa, perificando-se, vamos ter pouco valor a hora de alçar nossa voz, que foi a voz predominante nos anteriores séculos. Mesmo assim, e a pesar de tudo os povos do mundo devemos estar unidos, apesar de nossas diversas formas de olhar a mesma realidade. Isso é preciso para evitar esse Armagedon, que alguns loucos sonham ser necessário. Ultrapassado esse perigo, o resto terá de ser modelado, com os séculos.
E assim como a historia se escreve e nós, em ela, anotamos alguma particular página…
