Por Artur Alonso Novelhe
Tu queres visualizar Galiza no fundo da tua alma. Eu quero Galiza visual no universo humano em pé com outra culturas, sem ocupar outros espaços, sem que outros lhe ocupem o seu. Vos pensais que Galiza nasceu para mártir, porque desconheceis a grandeza da sua história: Galiza é o berço da céltica identidade, é o caminho de confluência que lutou com cobiça contra o Al-Andalus, foi reino germano onde a Sueva bandeira ondeou e também espaço aberto aos irmãos Lusos, os de longas guedelhas, como maré que comunica com as Atlânticas ilhas. Foi o desespero napoleônico e a legalidade mal entendida.
E agora que quereis que seja? Uma terra que se nega a si mesma, um país que enraíza o auto-ódio e se sente débil, cativo, sem empréstimo, como avocado à eterna condenação do governo dos medíocres. Quereis essa Galiza?… Pois então que pouco amais a vossa Terra. Que mau conceito tendes de vós mesmos, que pouco vos amais porque vós podereis ser hoje Espanhóis, amanhã Europeus, ontem Império forçado por Roma, mas o que nunca deixareis de ser é Kallaikos.
Amo esta Galiza, como amo todos os povos e paisagens que a minha alma teve o privilégio de percorrer. Amo-os em pé de igualdade, por que ao igual que Kallaikos todos formamos uma mesma humanidade, um planeta que lateja, morre e agora só terá uma forma de salvar-se: o reconhecimento de todos os povos, de todas as espécies, de todas as diversidades que estão ameaçadas…
(*) Do blogue: http://paisdabretema.blogspot.com/
