Por Artur Alonso Novelhe
O modelo de dominação americano que entra em cena a partir do fim da IIª Guerra Mundial, e que atinge o seu período de esplendor ascendente até 1967 – 1973, está a entrar em crise. Mas também pode que a crise não seja uma crise do modelo Americano mas duma era de dominação ocidental começada no s. XVI, pelos Portugueses, seguidos de Espanhóis, Holandeses e Ingleses.
O consumo privado dos países ricos que alcança em 1973 os 5,1% desce aos 2,3% em 1990. E hoje em dia continua em progressão recessiva alimentando a difícil solução do grave problema de superprodução industrial iniciado na década dos 70.
A base que sustenta o sistema de consumo que permite recolocar e incentivar a produção industrial está decadentemente esgotando-se, pois a classe média e baixa do ocidente tem cada vez menos poder para adquirir mercadorias. Estando cada vez mais endividada, pelo que ao mesmo tempo lhe é cada vez mais difícil, ao sistema imperial, procurar fórmulas para gerir eficazmente esta crise baseada na acumulação de riqueza, sem limite, por parte dumas classes altas e privilegiadas.
Por outro lado a falência financeira motivada pelo colapso de um sistema que acreditava há apenas um par de décadas acumularem ativos sem fim, afastando-se com maior rapidez da verdadeira economia industrial e produtiva, é hoje uma bomba-relógio na espinha dorsal do próprio poder central americano.
De mais a mais a crise energética, apesar da descida significava no barril de crude para reativar a economia a nível global, está sustentada numa difícil espiral de escassez petrolífera; tendo em conta que os maiores campos do mundo no México e na Arábia Saudita atingiram o pico e começaram já o seu declínio. Não havendo ainda outra energia em vias para a substituição do mesmo, as ramas especulativas têm mais a ver com negócios imediatos que no caso dos agrocombustíveis elevam consideravelmente o preço dos alimentos, do que com uma realidade do amanhã prometedor.
Em interação com o resto, salienta a crise económica que cumula três fenómenos interligados como são a desaceleração do crescimento económico global, o crescimento do endividamento publico a nível global e a financeirização do modelo empresarial, cujas organizações corporativas com influência universal, dependem das flutuações bolsistas, hoje em dia com muitas turbulências.
Surge neste mesmo espaço mundial interconectado, com mais força que nunca na história, a presença dos negócios ilegais ligados ao tráfico de seres humanos, tráfico de armas, tráfico de diamantes e drogas. Esta massa de negócios constitui já, pela sua capacidade de movimentos e dinamismo, um fator importante na acumulação global de capital.
Para alem disso há que apontar a crise de modelos de valores numa sociedade onde a máxima aspiração humana passa por chegar à cima da cadeia alimentar, mediante a apropriação de recursos materiais de uma maneira complemente desorganizada. Uma sociedade onde ética e moral ficam relegadas a sua função no mercado. Quer dizer, o mercado marca os limites para o que está e não permitido e sempre em função, não do bem-estar psicológico da população, mas simplesmente das necessidades acumulativas do momento. Fomentando-se nos média globais a dupla moral, a venda da alma e do corpo, assim como da dignidade como um modelo mais já não só para a sobrevivência, como também para a obtenção dum benefício económico que me permita ascender na escala social. Frequentemente estes tipos de comportamento se premiam com maior atenção mediática.
A sobreprodução, pois está a atingir o seu cume em todos os campos humanos, anestesiando as nossas sociedades ocidentais de uma simulada tolerância, que em realidade reflete anestesia, derivada dum excesso de niilismo.
Podemos, pois, assistir a todo o tipo de cenas, de atos, por muito repulsivos que sejam, por muito que pudessem ferir a nossa sensibilidade: pois na realidade nada nos importa realmente.
O império está em crise. Os seus súbditos estão desorientados e tristes.
Já não pode guiar o planeta, já não pode ser o referente em que se olharem as novas sociedades emergentes. Já não tem o domínio militar global, já não tem o domínio espiritual, já não pode mostrar com engano os seus modelos libertadores, passaram de moda: a estatua da liberdade, os jeans, o jazz, o blues, Bob Dylan, Bruce Springsteen, a cosmopolita Nova Iorque, a luta pelos direitos civis dos sessenta. E no mundo poucos acreditam que ele tenha algo a oferecer-nos.
Daí que agora nos lancem o seu último sonho: Obama (O homem com quem você pode falar), o filho negro, o que surgiu dos bairros humildes, um mais dos de abaixo… Mas sendo verdade que ganharam o primeiro round… o efeito global mediático é impactante… será muito mais difícil agora, para eles, tentar conformar o resto do mundo tão só com imagens…. e uma mão aberta em aparência.
