A saída das tropas norteamericanas do Afeganistám, e a toma, posterior, das milícias talibás, da sua capital Cabul, além da irrupçom da China como novo ator geopolítico (a sua aliança comercial com o novo poder afegá) mostra às claras, aparentemente, um espelho nítido do declínio ocidental.
Mas melhor nom adiantarmos acontecimentos…
Se bem, tanto a China como a Rússia, lhes interessar mais umha estabilidade regional, devido ao contágio jihadista nas suas fronteiras; dentro deste jogo geopolítico, nunca um pode acreditar a segurança estar a paz garantida, mesmo com um acomodo mercantil, entre a China, Rússia, o novo poder talibá e o governo do Paquistám.
Lembremos Islamabad ter preferência por um poder de milícias de senhores da guerra, de distintas etnias, como os talibás; a um poder nacionalista afegá, da etnia pasthun, que pode complicar e muito a estabilidade nas suas fronteiras.
Polo que mesmo, com a pressom norteamericana acima da sua cabeça, o governo paquistanês, vai preferir as vantagens da rota da seda e a integraçom euro-asiática, que oferece Rússia e China, via integraçom no espaço, cada vez mais assente, da Organizaçom de Xangai, às promessas de progresso ocidentais, até o de agora nunca realizadas.
Impom-se, pois, o pragmatismo geopolítico.
O velho organograma ocidental, de poder financeiro global, com exportaçom do modelo civilizacional de democracia ocidental e predomínio, da integraçom multicultural, das elites mundiais (depois dos seus povos, perdidas já as suas raízes culturais, em favor dumha nova realidade mundial, dentro dumha sociedade tecnotrónica) dentro do círculo central de poder corporativo ocidental; aparenta já morto, quanto menos no Oriente.
O velho organograma ocidental, de poder financeiro global, com exportaçom do modelo civilizacional de democracia ocidental e predomínio, da integraçom multicultural, das elites mundiais (depois dos seus povos, perdidas já as suas raízes culturais, em favor dumha nova realidade mundial, dentro dumha sociedade tecnotrónica) dentro do círculo central de poder corporativo ocidental; aparenta já morto, quanto menos no Oriente.
A China, que foi integrada no comércio mundial, precisamente por esse poder globalista ocidental, soubo aplicar mui bem o ditado do falecido dirigente Deng Xiao Pin quando afirmava: que nom importa a cor do gato, o importante é que saiba caçar ratos…
O mesmo dirigente deu umha advertência a Gorvachov, em plena perestroika, quando lhe informou, que ao seu parecer, se a Uniom Soviética seguir abrindo o processo de liberdades políticas, junto ao económico, os poderes intercionais financeiros iam tomar o controle do estado e quebrar a sua economia, para comprar o país, a preço de saldo.
“Nós nunca abriremos a mao do poder político”, acrescentou o, naquela altura, máximo mandatário chinês
E assim parece ter acontecido, desde as revoltas da praça de Tianamem, até os protestos de Hong Kong. Mesmo como no cerco militar e diplomático a Taiwan (na espera do tempo da maçá amadurecer, para cair da árvore).
China, que devia servir para fábrica de manufatura a preço de saldo dentro do Organograma mundial do poder globalista ocidental, sobe habilmente, gostemos do seu governo autoritário ou nom, colocar as peças subtilmente no cenário internacional, misturando (como temos apontado noutros artigos) a filosofia confucionista, de cara ao consumo interno, do seu povo; com o saber milenar taoista, mais desenvolvido na estratégia de recuperar o centro económico mundial, perdido nas guerras do ópio do século XIX.
Criando, finalmente, uma rede económica de rotas comerciais e implicaçons em todas as economias do mundo, com centralidade, de entrada e saída, desde o centro chinês. Umha rede sustentável, que trás a queda do pulmom financeiro ocidental, em 2007-2008, com suavidade soubo ir ganhando espaços, num tabuleiro internacional, onde o Ocidente em contraçom obrigado, após atingir o seu máximo de expansom biológica, e explodir, tivo de ir recuando.
Para muitos analistas económicos, China já é a primeira potência económica dos nossos dias.
E os Estados Unidos, para fazer-lhe frente, terám que transladar de novo a casa, as empresas deslocadas, no auge da estratégia financeira dos anos 90 do século passado, assim como voltar a modernizar sua infraestrutura nacional…
Algo que precisa retirar orçamento de aventuras militares internacionais, e mesmo talvez, enfraquecimento da rede de bases militares por todo o mundo; assim como reorganizaçom do poderoso complexo militar-industrial, para concorrer com a nova tecnologia russa de armamento hipersónico…
Daí a retirada do Afeganistám, e a procura de outras soluçons, que nom passem pola implicaçom militar direta.
Ocidente, dentro deste jogo geopolítico, precisa desestabilizar as fronteiras chinesa e russa, para impedir a materializaçom dum corredor proveitoso comercial, chinês e russo, que mesmo poda fazer mover-se a Índia, a favor da integraçom euro-asiatica, pondo em risco a sobrevivência da mesma aliança ocidental e da NATO, pois a mesma Alemanha poderia estreitar mais laços com Moscovo, além das alianças energéticas; aceitando um corredor que permita a sua indústria, expansom, de Lisboa a Xangai e Vladivostok.
Ocidente, dentro deste jogo geopolítico, precisa desestabilizar as fronteiras chinesa e russa, para impedir a materializaçom dum corredor proveitoso comercial, chinês e russo, que mesmo poda fazer mover-se a Índia, a favor da integraçom euro-asiatica, pondo em risco a sobrevivência da mesma aliança ocidental e da NATO
Perder o mercado interno da Índia, similar ao chinês, seria converter ocidente numha futura periferia.
China sabe do poder geopolítico do seu mercado interno, daí um dos fracassos da guerra comercial de Trump, quando as empresas pontas norteamericanas precisam de aceder ao mesmo.
Assim que o dilema de Cabul estará em saber se finalmente China e Rússia som capazes de estabilizar a zona ou se, pola contra, a insurreiçom contaminará a regiom, complicando a viabilidade do corredor geoestratégico euro-asiatico…
De momento os talibás, que no seu dia desmantelaram o negócio negro do ópio, quando governo do Mula Omar, com graves problemas para as máfias internacionais (nom se retomou o mesmo até a invasom norteamericana); estám a lucrar com esta atividade. Fonte primordial das suas finanças.
Parece que este movimento aprendeu a jogar num tabuleiro mais amplo.
Veremos também se sabe aceitar realidades geopolíticas contraditórias, e talvez tirar partido dumha posiçom neutra nom beligerante.
Mesmo abrindo-se a um acomodo interior de partilharem o poder com a agora escassa dissidência, evitando essa falta de visom, poda ser aproveitada por interesses forâneos, para voltar a prenderem a chama da guerra e a desestabilizaçom.
Vamos imaginar que todos os atores políticos globais estám à altura, e for possível um acomodo internacional, com respeito a interesses vários e às vezes, mesmo contrapostos, que evite acender umha faísca, que se acrescente, as já acesas em Síria ou Líbano, mergulhando a humanidade numha espiral involutiva, que acenda um confronto mundial.
Aguardemos o pragmatismo também se impor, neste difícil momento de transiçom, do Poder Ocidental em declínio, até a chegada dum novo foco e centro civilizacional, talvez na Euro-Ásia; sabendo a China e a Rússia (mesmo em crescimento exponencial) ainda nom atingiram a tónica evolutiva, que o Ocidente consolidou no final do século passado, mesmo agora em decadência.
Que todos nós sejamos responsáveis cada um da sua açom e palavra, evitando maiores divisons, na humanidade, começando, cada quem na sua casa, localidade, naçom, estado…
