Por Alexandre Banhos (*)
Em 20 de Julho, na reuniom do Conselho Reitor da EGAP, informou-se de que por fim vam preparar na escola os temários das oposições todas da administraçom galega (incluídas as do pessoal de regime laboral), ainda que se iniciará o processo, com os corpos c1 e c2 e as “agrupações” do antigo grupo E.
Porém, como nom podia ser menos, com este governo com o autonojo incutido com ferrete a respeito da língua (1), que confundem o plurilinguismo com falar castelám, e que agem a respeito da língua da Galiza fazendo-a continuamente desnecessária, e com os galegos e galegas, que pretendemos viver na nossa língua com normalidade, como verdadeiros racistas… decidem que todos os temários vam ser feitos em bilingue (2).
Olha que existem argumentos legais contra disso: artigo 5 do estatuto, artigo 24 Lei 3/83 que fala da EGAP e a língua, artigo 15,7 Lei 4/2006…. prática que conta avondo com todas as benções, incluídos informes de membros do Conselho Consultivo da Galiza, como o de Gonzalo de la Huerga Fidalgo, de quem no seu dia editou a EGAP um livro sobre a questom do alcance da oficialidade do galego, quando era presidente da sala do contencioso-administrativo no Tribunal Superior da Galiza.
A tal proposta do bilinguismo e da nova política linguística tivo os parabéns de Francisco Nuñez (UGT), do catedrático de direito administrativo da USC José Luís Carro Fernandez Valmayor, e de quem foi presidente do Tribunal constitucional Álvaro Rodriguez Bereijo, quem exprimiu, que já está bem de discriminar o espanhol (3).
Nom assistiu o membro do Consello e secretario geral de Política Linguística, Anxo Lorenzo. Era bom termos escuitado o seu critério.
O conselheiro da Presidência, que é quem preside ao Conselho Reitor, tomou a palavra sobre este assunto como encerramento da reuniom e manifestou que se vai respeitar sempre o galego como língua da C.A. Mas também vam fazer respeitar todas as línguas (sic) e a defesa da prática bilingue, e que isso nom vai contra o galego, pois o espanhol também é língua oficial da Galiza, e que isso se vai aplicar em todos os lados.
Sobre o facto de se convocarem cursos da EGAP em castelám
Apresentam-no como umha suposta defesa do plurilinguísmo, a que nunca foi contrária a CIG (4), (eu pessoalmente abençoo-a), quer dizer, a que venham à nossa escola, à nossa administraçom os melhores de qualquer lugar do mundo e falem nas suas línguas e aproveitemos os seus conhecimentos e experiências, e se garanta a traduçom simultânea se for necessária, mas nom imagino falando-nos sobre reforma administrativa o ministro para a Reforma Administrativa da Suécia e o anúncio da conferência em sueco ou inglês.
Umha instituiçom tam pouco suspeita como o Conselho da Europa, que já confirmou, na sua vigilância do cumprimento da Carta europeia das língua minoradas (BOE 222 de 15-09-2001) sobre o respeito das línguas minoradas, e nas duas vezes que o fijo, sobre Espanha, afirmando claro e rotundamente que na GZ nom se respeitam os direitos linguísticos dos galegos e galegas, e que liberdade linguística é a liberdade de estudar e saber qualquer língua, e que cada território deve poder viver de jeito natural na língua dele objectivo da Carta, e que as gentes nom escolhem a língua em que nascem, nem o seu território, como nom escolheram tampouco os seus pais, e que a liberdade é muito importante para mistificá-la com outras cousas.
Porquê os turcomanos-iugures da China têm a liberdade de “escolherem” o viver em chinês? e os chineses de Beijing, ou os moradores de Ávila, ou os de Berlim, nom gozam dessa liberdade? Porquê a normalidade social e linguística no mundo nom goza dessa liberdade?
Porquê na Hespanha nom existe umha cultura de igualdade e de valorizaçom do plurilinguísmo como um valor, onde todos deveríamos conhecer – polo menos – os rudimentos das demais línguas peninsulares? Pois porque Castela nunca vai querer que a Hespanha seja umha Suíça.
No entanto, estes que só falam o espanhol simplex incutido polo aparato do estado e a sua escola no povo galego, sem respeito nem perguntar a ninguém, nem liberdade (porquê nom a liberdade fiscal?), pensam que defender o espanhol e negarem a língua da Galiza é-che o mesminho que defenderem o plurilinguísmo, e enchem-se a boca com o inglês os Feijó, Rajoi… mentres nom som quem nem de dizer hello, mas com isso dizem-nos subliminarmente –inglês e castelhano som importantes e o galego-castelhano é inútil e desnecessário– um sentimento.
Nesta EGAP em que nos querem passar um curso de inciaçom a Word, como se fosse que vai vir aqui o Nobel Joseph Stieglitz a nos dar umhas aulas desde o seu MIT (Massachussetts Institut of Tecnology), e claro, como nom o ia fazer em inglês? Porém, anunciariam-no em inglês?
Estes novos governantes da GZ, agem como os samoranos que representavam o reino da GZ trás o processo que seguiu à batalha de Toro de 3 de Março de 1476, quando se iniciou a guerra contra do nosso povo que findou em 1489 e que sancionou o absoluto domínio castelão do reino, com a vinda dos católicos Reis a Santiago-Crunha em 1492, com a criaçom da audiência da Crunha em 1492, com a decapitaçom da nobreza e a sua emigraçom (ou para a corte)… na limitaçom do exercício administrativo (tabeliões- registradores) só aos da escola de Toledo, e de passagem tirou-se-lhe a representaçom nas cortes aos nosso povo para ser representada a Galiza por Samora, se lhe arredou o Berzo e outras tropelias….
Mas o cronista castelão/aragonês Zurita, chamava a isso polo seu nome, doma e castraçom do reino da Galiza; porém, estes alfaiates de terceira para o nosso país, dim que defendem a liberdade…. mas é a liberdade do desrespeito e o desprezo, e com o mesmo peso no estado dos samoranos, daquela defendendo à Galiza, eis o mais recente exemplo: 7,1 % do financiamento adicional inabalável – pois noutro caso o nosso Presidente diria nom – passou finalmente a ficar por baixo de 5%. E bem calado ficou o presidente Feijó, pois quem levava a liderança do seu grupo resultou ser La Rioja, que multiplica por mais de três os recursos galegos por pessoa, e claro está, nom se opujo.
NOTAS
(1) Nas comunicações internas que fam por ex. aos sindicatos, recuperou-se o enviar os textos em galego e castelám, seguindo o modelo de há já uns anos e conhecido por pré-autonómico
(2) Idem, voltamos ao franquismo adaptativo e pré-autonómico de golpe e ao seu bilinguismo inicial. Será política de poupança?
(3) Estou seguro que como bons juristas, aqui, agem com o sentimento. Se fosse assunto de aplicar a técnica jurídica nas valorações, manteriam a devida distância entre os “seus” sentimentos e as normas e a lei.
(4) Sou membro do Conselho Reitor da EGAP em representaçom da CIG e nele tento aplicar a minha larga experiência na matéria formativa.
(*) Artigo publicado originalmente aqui
