Por X. do Galheiro
Nom podo deixar de louvar a cultura rururbana. Essa que nom suporta a aldeia isolada sem taverna, mas que tampouco atura o anonimato da cafetaria de grandes avenidas. E neste misto que nem arre nem xó, penso que a morte ainda está neste espaço ao lado da aldeia: sente-la, compreende-la, achegas-te.
Conto-o porque no outro dia chamou-me minha nai para me contar que finara um vizinho, um home velho que já vivira o seu, por acaso até familiar, umha má besta. Que Deus o faga melhor do que o mandou, que diria o outro. Mesmo assi, à distância, sentim o vazio, o arregiço, esse silêncio, de nom poder voltar a cruzar-me com ele. De nom nos poder voltar a fazer o gesto coa cabeça, de baixo para riba, altivo, orgulhoso. De nom poder parolar mais com ele disto ou daquilo, sem importância, só falar por falar, esse prazer.
Nos prédios a morte fica mais anónima, entre apartamentos, andares e lotes. Sempre hai barulho nas ruas, as persoas continuam co seu ritmo, rápido reparamos como brincam as crianças no parque, se beijam os moços e passeiam os adultos. O movimento sempre nos leva a avançarmos.
Na aldeia o pouso fai com que tenha algum arrepio ao passar pola porta fechada, a janela coa contra trancada, o fume que nom sai pola chaminé e as telhas que desejam cair, tristes.
E o leitor ou leitora pergunta qual é a relaçom entre a morte, o silêncio e a aldeia co galego. Pois é esse silêncio, o da morte na aldeia, o que experimento quando nom sinto o galego, nengures, no lugar onde me eu criei. Como os velhos que ficam à espera de chamadas que constatem o passamento. Nom preciso estatísticas nem estudos, é só silêncio.
“Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa”.
Pois isso: Semente.
