Tenho notado nos últimos tempos que a cada vez mais os intercámbios lingüísticos entre galegos e portugueses em ámbitos formais estám a ficar regulados polo emprego, pola banda portuguesa da língua espanhola, ou, polo menos, por umha tentativa de demonstrar proximidade co ouvinte através do emprego, com distintos graus de competência, da língua espanhola, e, pola banda galega, polo menor recurso aos falares galegos.
Noutras ocasions estes encontros em contextos formais veiculam-se através do inglês, e nom só em ámbitos empresariais ou altamente especializados, como pode ser a medicina ou a tecnologia. Esta situaçom vivi-na muitas vezes e outros colegas partilham esta impressom, quer dizer, é umha sensaçom geral. Ou seja, concertos, apresentaçons de livros, de filmes, de relatórios institucionais, congressos e jornadas, reunions bilaterais, encontros transfronteiriços, etc. estám a ser marcados polo emprego pola parte galega do espanhol, ou como muito dum galego aproximado, e pola banda portuguesa dum espanhol nem sempre disfarçado.
Mesmo programas tam interessantes, necessários e transformadores como a bolsa Erasmus, Europracticum, etc. podem ser cursados em Portugal recorrendo ao espanhol ou ao inglês, e neste caso a responsabilidade é toda dos académicos portugueses, ainda que nom me deixa de surpreender que os formandos galegos melhorem o seu inglês ou recorram ao espanhol para a sua formaçom em Portugal, ainda bem que sempre lhes fique algo das noites de farra e o convívio.
É certo que no ámbito académico e empresarial português de longa data existe umha competência muito alta em línguas, nomeadamente espanhol, francês e inglês. Para calquera dos que nos formamos em Portugal a presença de materiais em inglês, espanhol ou francês é muito habitual, chegando em Portugal a viver situaçons, que mesmo afeito, nom me deixam de chocar: apresentar palestras sobre a língua, cultura, literatura, história portuguesa em inglês, estabelecer um debate entre portugueses em inglês, ou responder à pergunta dum brasileiro em inglês. Mas aí, cada quem na sua casa fai o que quer!
Por isso falo mais da actitude galega e sempre me ferve o cu quando num acto social, empresarial, académico, mesmo em contexto onde se lhes presupom um interesse pola língua da Galiza, o orador português começa a falar no seu bom espanhol e fico coa vontade imensa de berrar: Por favor, que alguém lhe diga algo!
A gota que fixo transbordar o copo da minha incredulidade aconteceu-me cumha conhecida banda de pop portuguesa, que no dia 24 de julho lembrou-nos a todos os presentes no seu concerto em Santiago de Compostela, que galegos e portugueses entendemo-nos, mas que ia falar em espanhol porque havia muita gente de fora!
Outra vaca vai no milho! A de vezes que escuitei isto ao longo da minha vida!!! Um sempre há de ficar na dúvida se dizer algumha cousa aos nossos falsos amigos!
