Sindicatos e «Sindicalistos»

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Por José Luis Fernández Díaz

Entre livros, recortes de jornais, revistas e outros papéis o outro dia topei referências do labor dalguns mestres galegos, e em concreto, na província de Ourense. Topei também, na internet, listados de companheiros que dérom a sua vida pola liberdade e a defesa do ensino nom sectário e laico e pola dignificaçom do docente, em tempos mui diferentes aos de hoje.

Curiosamente muitas dessas reivindicaçons continuam a ser as mesmas que as de agora, ainda que os que as defendam tenham várias estratégias contrapostas. Uns ponhem as demandas como escusa para ter mais afiliados e outros dedicam as suas vidas ao serviço dos demais, defendendo os interesses laboráveis dos docentes ante uma Administraciom muitas vezes insensível e excessivamente burocratizada. Talvez seja por estas e outras causas que o professorado está um pouco farto de promessas e em ocasions metem a todos na mesma «albarda de aproveitados», ao se tornar impossível saber, a prióri, quem negoceia racionalmente e quem se soma às negociaçons que já estám feitas.

Nestes anos passados, acontecérom algumas cousas que nom estavam previstas, entre elas, a recuperaçom da memória histórica, e nessa nossa história está a asociaçom de trabalhadores do ensino de Ourense, (A.T.E.O.) da Uniom Geral de Trabalhadores. Alguns pensam que foram bastante atrevidos ao empregar essas siglas na  II República, mas outros afirmam que o seu compromisso com os professores era tam profundo que nom escatimavam em meios humanos para luitar polos mestres maltratados por nom acompanhar ditames religiosos ou nom comungar com uma linha doutrinal concreta.

Por desgraça, na «guerra civil» deixárom na sua sede os livros de afiliados e simpatizantes e  alguns forom fuzilados ou passeados. Outros que salvárom as suas vidas foi por terem algum familiar na Falange ou por conhecerem algum falangista com poder de decisom. O delito de pertencer à esquerda e defender os trabalhadores do ensino costou a vida a muitos deles. Estes som os antergos do sindicalismo em Ourense e, com a olhaada no futuro, as estratégias para a defesa do professorado continua a ser: «O nosso compromisso es tu».

Foi o seu compromisso no passado e continua sendo na actualidade como colectivo reivindicativo e sindical. Por isso o sindicato maioritário do ensino na Galiza é  forte nas negociaçons nas diferentes mesas sectoriais que convoca a Administraçom, e mesmo tem uma presença especial na Comissom Permanente do Conselho Escolar da Galiza.

Por outra parte nom podemos esquecer as áreas da sociedade que actualmente estám a sofrer mais directamente a grave situaçom económica. A actuaçom sindical nas empresas é a única medida de pressom efectiva ante o abuso de demasiados EREs (expedientes de regulaçom de emprego) desnecessários. As margens de benefícios empresariais som exponencialmente injustos cando se sostenhem em princípios de minimizar custos despedindo os trabalhadores e forçando-os à tragédia do desempego sem motivo.

Talvez seja o momento para que os sindicatos recuperem a falta de credibilidade que arrastam desde hai alguns anos, trabalhando por aqueles que querem trabalhar e nom os deixam. A maior parte da sociedade pensa que a laboura sindical está em nomear piquetes informativos em greves e mais greves, ou que o libertado sindical é o nugalham espabilado («sindicalisto») que nunca está quando é preciso. É possível que esta fama alguns a ganhassem  e a continuem ganhando com méritos, porém hai muitos mais que dedican o seu tempo e esforços polos trabalhadores que convivem num entorno de injustiças laborais.

Muito trabalho sindical está a ser feito no silêncio, por isso, os que temos a oportunidade de expressá-lo, ainda que nunca o digamos com a força que tem um titular nos meios de comunicaçom, chegará a todos aqueles que nom tenhem nem ideia de como reivindicar os seus dereitos numa situaçom de indefensom e impotência. Quando tivermos um equilíbrio em direitos e deveres, em justiça e igualdade e em convivência e liberdade, já nom precisaremos dos sindicatos. Penso que ese tempo vai tardar em chegar, se chegar…, por isso é preciso que fagamos reflexionar cada Federaçom de cada sindicato para que, se for preciso, renove a sua identidade e afiance os seus objectivos numa volta às origens da acçom sindical que brotava dos coraçons. Nom é muito pedir que na actual dinámica democrática cada colectivo faga a sua funçom com rigor e independência. Para aos que já o fam: vaiam os meus parabéns.

Máis de José Luís Fernández Díaz