Por José Luís Fernández Díaz
Com frequência escuitamos que os valores que esta sociedade tem estám a perder-se dia a dia, ou que simplesmente carece deles, mas em poucas ocasions som fornecidos dados específicos a respeito de que valores estamos a falar. Quando uma sociedade nom está dirigida por uns responsáveis que apoiam a liberdade de pensamento, sem ligaçons sectárias, alguns sectores sociais fam um pendom das injustiças e um facho dos desacertos do presente, contraposto co estado bucólico do passado. Nada mais longe da realidade. A sociedade está formada por indivíduos e muitas vezes, se estivermos na contra, estaremos enfrontando-nos a nós mesmos.
No âmbito educativo, cada vez é máis complicado dar aulas!, mas detrás de cada aluno/a que nom tem um bom comportamento, hai, num elevado tanto por cento, uma tragédia pessoal, familiar e social. A falha de comunicaçom entre docentes e alunos, entre pais e filhos, entre algumas Administraçons e os professores, entre pessoas com responsabilidades de direcçom e trabalhadores, provoca em muitos casos a busca das soluçons nos amigos.
Alguns pais, quando chegam à casa e acontece algum conflito, tenhem varias opçons: copiarem o modelo de como os educárom a eles os seus pais; consentirem todo o que os pequenos querem; chamarem algum amigo para seguir o seu conselho ou, no melhor dos casos, botarem mao dalgúm livro versado em educaçom. Hai tamém os que lhe trasladem o problema aos avôs ou os que tentem imitar uma súper nanny pseudoamericana (à espanhola), como resoluçom salvadora dos problemas de convivência cos seus filhos.
Ante esta situaçom, os mestres tenhem mais trabalho que fazer e menos objectivos alcançáveis, devido à contingência que implica ter na sala de aulas nenos cum conflito familiar acussado ao viverem cada dia uma forte pressom desde diferentes frentes, que imprime neles uns valores que contravenhem o que as maes e os pais predicam, quando em realidade assim o figerem.
A Amizade
O afecto pessoal desinteressado e fortalecido co trato através do tempo é a verdadeira amizade.
Neste valor cumpre aclarar vários pontos característicos:
- A amizade é bondadosa e sincera.
- A amizade e cordial e generosa.
- A amizade desenvolve-se plenamente na madurez da pessoa.
- A amizade alegra-se da prosperidade do outro.
- Se houver confiança mútua, a amizade estará baseada na discreçom e a transparência.
- A liberdade dá um froito chamado amizade.
- Se houver diferenças que criarem dependência, submissom ou temor, a amizade corre grave perigo e deixa de ser verdadeira.
Habitualmente escuitamos que as persoas dim: Vou cos meus amigos!. Quizás seja uma frase feita, mas afortunadamente ainda existem bos amigos e bos exemplos de amizade. No valor da amizade vai implícito o valor dos valores, tronco comum dos demais, que tem a sociedade: o respeito. Respeito significa “olhar ao teu redor”, é dizer, reparar em que nom estou eu só à hora de fazer algo. Hoje dizemos que nom hai respeito, ainda que cada um de nós, de quando em, vez olhemos só o nosso objectivo sem ver quem temos ao redor. Confundimos respeito com urbanidade ao pormos sempre o exemplo de que ninguém cede um assento quando vais no autocarro; e se cada um de nós cedesse um pouco dos seus direitos tudo havia de ser mais justo.
Estes e outros valores desenvolvem-se no âmbito da liberdade, mas educar pessoas livres implica que os resultados ham de depender da sua vontade e nom da nossa. Nas religions o resultado está determinado, a pessoa nom é livre, está atada a ritos, a normas, a dogmas; num princípio pode parecer que os valores venhem dela, mas quando olhas o atrasso que provém da submissom e do submetimento a qualquer religiom denominada cristá ou nom –cristao, reparas que em nome de Deus fôrom feitas as maiores atrocidades da História e reparas que desde a liberdade hai êxito e valores. A manipulaçom do Cristianismo em estado puro (a mensagem de Jesuscristo) mudou-se num monstro de religions e os valores primários da liberdade e da livre elecçom passárom a ser de aleccionamento e desvalorizaçom. Incluso os que quigérom imitar a mensagem caírom num panteísmo que desvaloriza países inteiros com religions exóticas cheias de bons propósitos; estou a referir-me a ritos orientais e muçulmanos.
A Sinceridade: um valor reconhecido
Quando nos ocupamos dum valor de fácil asimilaçom mas ao mesmo tempo de clara manipulaçom e abuso corremos o risco de passar por alto a importáncia que acarreta o empregá-lo com regularidade . Cada pessoa ou grupo social tem a sua propia escala de valores: alguns centram-se na ordem, outros na estética, na honestidade, na paciência, no respeito ou na urbanidade, mas todos tendem a dizer que a sinceridade é comum aos seus principios fundamentais como pessoas, ou polo menos interage cos demais. “Digo-cho sinceramente…!!!”. “Olha, vou ser sincero…”, “… este é um pouco… mas a verdade é que foi sincero…”. Em quantas ocasions nos topamos com expressons como estas? Isso nom devera ser algo negativo se em realidade a sinceridade fosse parelha à veracidade.
As persoas mentem, alguns mentem muito, e a manifestaçom pública do sentir de cada um e do pensamento interior, pode ser empregado em contra, num ambiente enrarecido pola manipulaçom. O grande paradoxo está ao constatarmos que a convivência está fundamentada na veracidade dos demais. Se desconfiarmos de todas as pessoas crendo que nos ham de enganar, será impossível convivermos socialmente. Coa prática da sinceridade, e assumindo as consequências de que os demais nos podam mentir, hai excelentes resultados. Quando virmos a trajectória duma pessoa transparente, é dizer, que tem o valor da sinceridade, quase de imediato acreditamos nela e nas suas promessas. “A primeira vez que me enganares é culpa tua; mas a segunda vez, é culpa minha”, assí expressa esta situaçom un aforismo árabe; por isso acreditar de novo nos que nos mentírom uma vez é moi complexo, e envolve um risco que poucas pessoas estám dispostas a assumir.
Existen tamém os que alardeando de sinceridade chegam a ser senvergonhas e imprudentes, dizendo o que nom devem, para pôr em evidência outras pessoas ou para obter informaçom que corresponde à intimidade do indivíduo. A sinceridade tem uns limites que tenhem muito que ver coa veracidade. Hai verdades que nom se podem dizer abertamente já que a ferida que produzem é maior ao objectivo que perseguem, e neste mundo no qual estamos existem valores que superam, em todos os casos, o da sinceridade, como som: o dereito à Vida, o Respeito aos demais e o Amor.
Ainda pode haver oportunidade para adquirir os valores parcialmente acadados. Joham Vicente Viqueira dizia aos jovens na sua obra póstuma que lessem poesia. Repetia-o uma e outra vez, que de certo havia de espertar neles a sensibilidade polas cousas. Quizás nom chegue somentes con isso, mas desde a nossa sociedade plural, tolerante e livre teremos opçons para nos encher dos valores que tanto reclamamos e que outros nos negárom, ainda que, paradoxalmente, se nos queira fazer crer que naquela altura sim que os havia e que agora já os perdemos. Uma cousa sim perdémos: sermos escravos duma única ideia que nos atava e agora já sabemos viver sem ataduras.
Contudo, venhem tempos em que o recorte das libertades está em funçom da maior ou menor manipulaçom que se figer através dos poderes mediáticos e o feito de criar conflitos onde nom existem, refíro-me ao tema do ensino em galego, castelhano, ou inglés, russo, alemao etc…; ou ao feito de dar passos atrás na gratuidade dos livros de texto (num ensino <b>obrigatório</b>), só som uma pequena mostra do que está por vir.
Revalorizarmos os valores de costas a uma perspectiva laica, a um Estado laico e a um ensino com duas redes de centros nos quais se nos quer vender que no privado-religioso estám os verdadeiros valores é, como já comentamos, um disparate que acota a liberdade das pessoas e fai-nos olhar atrás mais uma vez.
