Por José Luís Fernández Díaz
Nom é preciso imaginar nada do que pensariam os membros das mocidades galeguistas ao saberem o que está a acontecer coa língua galega nestes dias. E asseguro isto porque alguns tivemos a oportunidade de lhe perguntarmos diretamente nom hai muito tempo. Sabemos o que pensavam e diziam, pois ninguém conseguiu tapar-lhes a língua, tirar-lhes a fala ou fazer-lhes olhar às costas para que perdessem o caminho.
Um deles é a vida de D. Luís Taboada Camoeiras, que por sorte e sem buscá-lo, topei com ele investigando outros temas que alguns conhecem. D. Luís Taboada, o “seis-dedos” para os amigos, assistiu às aulas da Escola Laica Neutral, e foi aluno de Hipólito Sinforiano Luengo e Teresa Roqueta. Numa entrevista que figem a D. Luís, alá polo ano 1998, no Ateneu de Ourense, contava-me que foi o seu pai o que esperou a que inaugurassem o Centro laico para matriculá-lo. Contava-me que primeiro estivo na casa do Caiám, na praça que hai detrás da Trindade, mas depois passou à rua Rainha Vitória.
Coa sua memória prodigiosa relatava anedotas que o marcárom muito, como quando lhe berravam os nenos das monjas: “Fora, fora Escola Laica/ fora da nossa naçom/ que queremos ser amantes/ do Sagrado Coraçom”. Com tudo, ele sentia-se privilegiado de estudar ali, quando no tempo era uma desgraça social. De moço passou a formar parte das mocidades galeguistas e sempre falou galego, por isso, tentárom dar-lhe o passeio da morte, para matar o galego.
Mas nom foi assim. Sempre tivo valor e a sorte de seguir adiante na luita pola sua terra, pola sua língua e pola sua identidade. Outros poucos ou muitos, mudárom radicalmente. Nom foi o medo que dim alguns ou justificam outros, emulando aos primeiros, senom que quigérom buscar a oportunidade assumindo o preço da dignidade pessoal. Estou a falar de Vicente Risco, parafraseando a sentença de Castelao “quando Risco era alguém”.
E isto vem a conto polo enfrentamento que tivo a mãe de D. Luís Taboada com Risco. Aconteceu no pós-guerra e daquela Risco era o Director da Escola Normal. D. Luís precisava um relatório de boa conduta e Risco negou-lho. Quando a mãe de D. Luís lhe lembrou que havia uns anos ele era coma eles, em quanto às ideias, Risco respondeu em castelhano “Yo no era tanto…”. A voz entrecortada de D. Luís relatava este episódio com dor, báguas e sem ganas de vingança.
A dia de hoje o galego sofre da indiferença da Administraçom Educativa. Querem vender-nos que fomentam o ensino da língua na Ásia e noutros países e continuamos a ser ninguneados cum Decreto na nossa Terra, que está em mãos da Justiça. Por isso a luita polos direitos dos galegos continua adiante. Contava que D. Luís tivo sorte pois pudo exercer como mestre, mas nom quero esquecer a sua família que tanto o amava e que conseguiu que os seus derradeiros anos fossem mui bons.
Lembro que quando tivo que deixar Ourense estava mui preocupado, mas o seu filho José Manuel e a sua nora Graciela, traziam-no a Ourense sempre que podiam, a dar umas voltas pola rua do Passeio. Ali topava-se com meio Ourense que o conhecia, e penso que ele mesmo reverdescia. Mas confesso, eu que nunca me confessei, que nunca conseguim falar-lhe de “tu”, como me pediu , tantas vezes!!!, talvez fosse porque conhecia a sua história e nunca me atrevim a tirar-lhe o “você”, que com tanta honra tinha ganhado.
Tentaram matar o galego e nom pudérom coa sua vida que era a língua. Assim fôrom noventa e dous anos de vida e deixa-nos uma herança pela qual cumprirá que continuemos a luitar.
Em memória de D. Luís Taboada Camoeiras
