Por José Luís Fernández Díaz
Em 29 de maio de 1931 foi criado o Padroado de Missons Pedagógicas, mal chamado assim, segundo cita a memória do ano 1934, sugerindo que o nome devia ser “Missons aos povos ou às aldeais”. Foi constituído para que as pessoas isoladas nos povos tivessem acesso à cultura, luitando contra o analfabetismo, mas sem desprestigiar o mestre que lhes dava as aulas. As missons estavam orientadas nom só aos nenos, mais sobretudo às gentes do rural, com as quais havia uma dívida e uma injustiça que emendar. Os mestres mais preparados eram os escolhidos para ir aos povos e às Missons.
Para ser Missionário nom valia qualquer mestre que nom fosse sementar a sua vida nas Missons. Nom podia deixar de exercer como tal, ainda que nom estivesse actuando, polo que nom tinha vida privada, ao seguir sempre ligado à sua Missom. Nom podia ser ocioso nem despreocupado, e sobretudo, nunca mostrar como é que ia passar o tempo. Devia de ser singelo, e nom deitar lenha ao lume quando houvesse inquedanças entre os assistentes às actividades, sendo conciliador com as famílias quando rematasse a sua actuaçom.
O Missionário devia divertir-se e gozar com o seu trabalho, mas sem excessos. Nom podia exagerar o seu entusiasmo, nom fosse que ofendesse alguém na aldeia, ao transmitir, sem o querer, que estava de jolda ou que ia divertir-se ao povo. Tinha que mudar os seus hábitos ou costumes de cidade, que segundo o Padroado, chocavam com os costumes do povo, e adaptar-se aos paisanos. Eles diziam “Llaneza, llaneza”. Devia ser repousado e simpático, e ao mesmo tempo reparar em que a Missom nom era um lugar de descanso e em ocasions haveria uma tensom interior de “corpo e alma” no Missionário.
As actividades que caracterizavam as missons pedagógicas eran mui diversas. Contavam com um serviço de bibliotecas, de música, de cinema e de projecçons fixas. Além disso, de coral e teatro para o povo (com obras escritas por Alejandro Casona, natural de Besulho) tinham retábulo de fantoches e conta-contos, e um museu itinerante ( com telas que eram réplicas de obras do Museu do Prado, realizadas por Ramón Gaya, entre outros). Entre as telas da exposición estavam: Berruguete Auto-de-Fé (Auto de fe), Greco Resurrecçom (Resurrección), Velázquez As Fiandeiras (Las Hilanderas), Zurbarán A Visom de Sam Pedro Nolasco (La visión de San Pedro Nolasco), Goya Os Fuzilamentos de Dous de Maio (Los fusilamientos del dos de mayo), A Maja Vestida (La maja vestida), O Fantoche (El Pelele). As telas viajavam em caixas de madeira com um dispositivo de bastidores.
Com o serviço de bibliotecas o governo da II República quijo achegar aos povos mais remotos o conhecimento e a cultura que só estava ao alcance de uns poucos. As bibliotecas existentes estavam na Catalunha e Astúrias, e no resto do Estado havia locais cheios de livros amontoados sem nenhuma ordem (que ninguém se atrevia a denominá-los bibliotecas como acontece nalguns casos hoje em dia). As primeiras bibliotecas municipais a funcionarem nos povos fôrom através da criaçom do (JIAL) “Junta de intercambio y Adquisición de Libros para bibliotecas Públicas” mediante o Decreto de 21 de Novembro de 1931. Estava dotada de uma verba económica que superava 17 vezes a do ano anterior e a única condiçom para a ter era que o Concelho cedesse um local sob a tutelagem de um responsável. Com as bibliotecas das missons pedagógicas aconteceu algo mui semelhante. Curiosamente nom era preciso ter missom no povo para que pudessem dispor da biblioteca. Cossío acreditava tanto nelas, como meio para erradicar o analfabetismo, que 60% do orçamento do Patronato estavam dedicados a elas. A dotaçom de livros era menor que nas municipais, que chegavam aos 500 exemplares, mas nada desprezível, pois enviavam 100 livros, bem encadernados, e com folhas soltas para poder forrá-los. A selecçom corria ao cargo de Matilde Moliner e Luis Cernuda com livros de literatura, história, geografia, pedagogia e biografias, entre outros. Tinham um registro de leitores, de empréstimo e de leituras mais solicitadas e ademais podiam incrementar o número de exemplares polos inspectores de primeira ensinança, segundo a Ordem Ministerial de 29 de abril de 1932.
De 19 de agosto de 1931 a 31 de dezembro de 1933 fôrom criadas 3151 novas bibliotecas (na Galiza fôrom criadas 186 bibliotecas: 45 na Corunha, 29 em Lugo, 97 em Ourense e 115 em Ponte Vedra), e surpreende que a Comissom Central nom se sentisse satisfeita davondo devido ao panorama desolador de uma Espanha afogada na miséria da incultura e na impotência do analfabetismo.
(*) Esta é a segunda entrega da serie de artigos resumo de uma conferência que dim na Deputaçom de Ourense com um dos poucos investigadores sérios nesta matéria: Eugenio Otero Urtaza.
