Mestres Missionários

Partilhar

Por José Luís Fernández Díaz

Com a formaçom do Padroado das Missons Pedagógicas os mestres que quigérom dedicar as suas vidas aos demais pudérom fazê-lo. Para o começo da primeira sessom de cada Missom, M. B. Cossio escreveu um discurso descritivo de que eram e que faziam. Gosto de denominar isso como o selo de identidade das missons, porque nom só foi lido na primeira entre 16 e 23 de dezembro de 1931 em Ayllon (Segóvia), mas também lido a modo informativo, cada vez que comezava uma Missom, em cada povo e em cada aldeia da Espanha Republicana.

Así comezava a mensagem de Cossio:

«Es natural que queráis saber, antes de empezar, quiénes somos y a qué venimos. (…) Somos una escuela ambulante que quiere ir de pueblo en pueblo(…) donde no hay que aprender con lágrimas, donde no se pondrá a nadie de rodillas (…) Porque el Gobierno de la República que nos envía, nos ha dicho que vengamos ante todo a las aldeas, a las más pobres, a las más escondidas, a las más abandonadas (…) Lo triste es que hemos de marcharnos y nadie sabe cuando podremos volver…»

Entre as actividades que eram bem recebidas e muito apreciadas estavam o serviço de música e o coral das missons que estava integrado por estudantes. Este serviço facilitava através do Padroado um gramofone e uma selecçom de discos de música clássica e de música folclórica. Entre as obras é preciso destacar compositores como Weber, Falla, Chapí, Bretón, Camille Saint Saens, Grieg e Paul Dukas, além de Bach, Mozart e Beethoven.

Na infinidade de curiosidades está a que nos conta um missionário. Existiam povos nos quais a corporaçom municipal nom era afim ao governo da República. Estes desanimavam a vizinhança a assistir as actividades, mas ante a curiosidade que espertava a música, neste caso, as pessoas escuitavam às agachadas. A crónica di-nos que começavam as sessons com cantigas folclóricas, que eram as mais apreciadas polas gentes do meio rural, e deste modo iam atraendo-os pouco a pouco.

O coral das missons era digno de encómio de qualquer pessoa ainda que nom fosse um músico especialista. Estava dirigido por Eduardo Martínez Torner, músico consagrado, compositor e investigador. Ainda estám em vigor os seus contributos  ao folclore espanhol (Folklore y costumbres de España. Casa Editoral Alberto Martín, 1944). Tamém se conservan as gravaçons originais do coral, com um amplo repertório, que identificava as gentes dos povos com o seu cantar e com o seu sentir.

As bibliotecas, a música e o coral das missons nom fôrom davondo para o Padroado das missons pedagógicas. O cinema nos povos mais necessitados, onde nunca ouvíram falar de Charles Chaplin, era das actividades que mais gente juntava. Nas fotografias que temos, e que pudemos ver na fabulosa exposiçom em Madri e na Corunha ate 1 de julho de 2007, observamos facianas cheias de ledícia e surpresa, como esquecendo por um instante as dificuldades em que viviam, e cumprindo o objectivo do Padroado de os divertir, para lhes arrancar a tristeza que os escravizava. O riso das gentes reflectia agradecimento e nunca esqueceriam aquela experiência fantástica. Para as projecçons contavam com projectores de 16 mm e com acumuladores para ter autonomia caso se fosse a corrente eléctrica.

Finalmente é necessário considerar o termo «Missom», pois fai-nos lembrar algo de caracter religioso, e neste caso é todo o contrário. É liberdade, é escola laica, é alegria por saber e conhecer. Mais por que escolheriam esse termo os republicanos?

Desde 1780 o dicionário da Real Academia Espanhola conservava a acepçom de «misión» como acto de enviar e de peregrinaçom que fam os religiosos de povo em povo, predicando o Evangelho. Deste modo o único missionário era o que predicava algum conteúdo de caracter religioso. Posteriormente isto vai mudar e Ortega y Gasset reflexiona, considerando o caracter sociológico e real que tem o termo missom, afirmando num discurso que pronunciou na inauguraçom do Segundo Congresso da Federaçom Internacional de Associaçons e Instituiçons Bibliotecárias, na Universidade de Madri, em 20 de maio de 1935, que:

«Misión significa, por lo pronto, lo que un hombre tiene que hacer en su vida. Por lo visto, la misión es algo exclusivo del hombre. Sin hombre no hay misión. (…) Misión es esto: la conciencia que cada hombre tiene de su más auténtico ser que está llamado a realizar.»

Por isso a República quijo demonstrar ao mundo inteiro o que era em verdade uma Missom em termos de educaçom. As mulheres e os homens, mestras e mestres, sementando a sua vida ao serviço das vidas dos demais.

 

(*) Esta é a terceira entrega (é última) da serie de artigos resumo de uma conferência que dim na Deputaçom de Ourense com um dos poucos investigadores sérios nesta matéria: Eugenio Otero Urtaza.

 

+ Ligaçons Relacionadas:

 

Máis de José Luís Fernández Díaz