Por José Luis Fernández Díaz (*)
Há muito tempo que tinha interesse em possuir uma desas revistas que figérom história neste Ourense de há 50 anos, como foi Posío – Arte y Letras, que marcou a continuidade da revista Posío de 1945. Por muito que tinha procurado polos canais habituais de livros e revistas de segunda mão, nunca tinha topado nenhuma. Nem sequer em alguma dessas bibliotecas privadas em que, de quando em vez, podemos comprar algo antigo, ao ser rejeitado polos seus donos, bem por falta de espaço, bem por nom apreciarem o que tenhem.
Porém, no rastro deste mês de setembro, no quadro fabuloso da Praza Maior de Ourense, e a um preço justo, pudem fazer o meu sonho realidade. Estava para mim, mas quero que seja para todos vocês também, por isso periodicamente irei publicando no blogue O recuncho de Carnicero as partes mais salientáveis desta formosa revista, com gravuras de Manuel Prego de Oliver e artigos de muita importância que resgatam capítulos da história de Ourense, como o escrito por José Ramón Fernández Ojea (Ben-cho-sey), sobre a imagem da Virgem do Pousio, ubicada nos dias de hoje onde estava a Virgem do Carmo, nas Burgas, e que ao arder um dia de trovoada, lá polos anos 20, foi substituída pola de pedra, sendo associada ao culto às benditas ánimas, com que, em princípio, nom tinha nada que ver. Mas as cousas som assim e sabemo-las, neste caso, graças a Ben-cho-sey.
Por outra parte Jesús Ferro Couselo, presidente da Junta directiva da sociedade, deleita-nos com um importante artigo sobre os romances e os livros de cavaleiros na onomástica pessoal galega dos séculos XV e XVI, destacando a onomástica medieval, mesmo dentro de famílias de muito nome.
Surprende-me a estrutura da revista num princípio, mas podo assimilar o carácter prático da sua forma ao se tratarem de números agrupados num único volume. Depois dos artigos comentados e algum outro, aparece a secçom de «Poesía Galega» caracterizada pola figura do afiador. Serafín Gómez Pato escreve o romance do afiador namorado com a dedicatoria intimista que diz: «A todol-os compañeiros de roda que percorren as cinco partes do mundo soñando camiños». Ademais do lucense Manuel María, e o amigo e poeta admirado Víctor Campio, podemos ler duas poesias de Pura Vázquez, intituladas «Salto do can» e «Invitación pro ensono dos meniños».
Também há lugar para a poesia castelhana com poemas de Antón Tovar, José Luis Montes e a curiosa participaçom de José Manuel Silva Méndez com uma poesia intitulada «Tras lo Divino», no qual se questiona: onde está a paz eterna?. Tenho que reconhecer que me surprendeu. Depois de uma obrinha de teatro de dous curtos actos, escrita por José Luis López Cid, desfrutamos de uma secçom dedicada aos Ourensanos Ilustres, colaboraçom de Alberto Vilanova Rodríguez, autor do livro intitulado Vida e Obra de Manuel Curros Enriquez (edicións “Galicia” do Centro Galego de Buenos Aires, 1953), obra mui recomendável pola quantidade de fontes históricas da época que o autor pudo consultar e contrastar. A adquisiçom da primeira ediçom foi outro sonho desses que se tornam realidade quando menos esperas. Noutra hora ja contarei isso.
Em resumo, que se tiverem a fortuna de topar um outro número de Posío, ainda que seja o de 1953-54, espero que nom passem de longo e fiquem um bocado de tempo para olhar nele, lembrando que esta revista era fruto de um grupo de moços inquietos que formavam o grupo «AZOR» (José Luís Varela, Segundo Alvarado, Alfonso Alcaraz, Segundo Fernández Covelo e Pura Vázquez) e que ademais tinham uma tertúlia literária en Radio Ourense, lá polos anos cinquenta.
(*) Membro do Conselho Escolar da Galiza.
