Risco e Yeats



risco Finalizou o ano do centenário de Nós, mas não imos esquecer nesta coluna nem a revista, nem a sua geração. Hoje quero falar da relação de Galiza e Irlanda e, particularmente, de duas grandes figuras de ambas nações: Risco e Yeats; figuras muito caras para o amigo Felipe Senén. Ambos os povos fazem parte das sete nações celtas, hoje esquecidas para muitos galegos: Galiza, Bretanha, Irlanda, Gales, Cornualha, Escócia e Ilha de Man. A revista Nós fez de canal dos estudos sobre a relação galega com o movimento panceltista europeu e as implicações políticas e culturais que comportava.

Os acontecimentos sobre a independência de Irlanda da Grã-Bretanha –conseguida em 1922–, foram seguidos com muita atenção na revista. Irlanda era uma nação irmã e viam com muita simpatia a sua luta independentista. O núm. 8 da revista (dezembro 1921) é consagrado integramente à lembrança de Terence Mac Swuiney, escritor e alcaide de Cork, que morrera após uma folga de fome, e que chamam “héroe-mártir que pasmou o mundo”. Ademais das referências biográficas, o número conta com um texto de Yeats, um poema de Cabanillas e outro de V. Taibo, e os artigos “Irlanda e Galiza” de Risco e “Irlanda política no s. XIX” de Otero Pedrayo.

Vicente Risco já publicara no núm. 3 (1920) uma análise da figura literária do Nobel W. B. Yeats (1865-1939): “Letras irlandesas: W.B. Yeats”. Risco fala de Irlanda como “domeñada y-oprimida cruelmente po-la Inglaterra”; e, citando uma revista francesa, fala de Yeats como “gran poeta europeu” e que por ele “o celtismo entrou na gran literatura”. Ademais, o ourensano compara Yeats com Teixeira de Pascoaes.

Risco continua a falar de “A moderna literatura irlandesa” nos números 26, 27 e 28 (1926). O seu breve conto “A velliña vella”, publicado em 1925 em Celtiga de Buenos Aires, é uma reinterpretação da peça teatral de Yeats Cathleen ni Houlihan (Cathleen a filha de Houlihan), traduzida para o galego no núm. 8 por Antón Vilar Ponte. Cathleen é uma personificação da velha Eirin e a velhinha de Risco é uma alegoria de Galiza.

[Este artigo foi publicado originariamente no Nós Diario]

Victorino Pérez Prieto
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