Paisagem e Cultura

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Por José Luis Fernández Díaz

Um dia qualquer, sem querer, acontecem cousas que nom esperas e consegues livros que ja som história. Mas nom faria sentido falar do livro intitulado Paisaxe e Poesía publicado en 1955 pola editorial Galaxia, se nom houbesse possibilidade de que quem quisesse lê-lo, pudesse fazê-lo. Assim podo dizer que na Rede de Bibliotecas da Galiza podemos encontrá-lo com o Registro: 8532.

Descrevê-lo como uma delícia é pouco. Quizás seja um desses livros que pouca gente lê ao se tratar de um conjunto de ensaios relacionados com a paisagem galega. Se fosse novela teria máis público, porém o seu conteúdo é denso e profundo. O primeiro dos ensaios é de D. Ramón Otero Pedrayo e nele expressa magistralmente a idiosincrassia galega no seu conjunto. Nom esquece o povo marinheiro e estabelece relaçons com a cosmologia, a matemática e com a música.

Vale a pena transcrever parte do texto em que define o processo primaveral na Nossa Terra: “… preludio de ordenación cósmica, preparación do cadro xeométrico; ensaio de coor ceibe e mensura nova do mundo…; trunfo dos equilibrios da lus e dos verdes novos na forma case cegada á lediza e gozo da perfeición esferoidal.” Quanto à música fala dos primeiros cantos dos pássaros e expressa-o com a premissa “O tecido de son encobre a Galiza. Un tremor musical anunzador do velo froral das xesteiras”.

Mas com tudo o que poderia contribuir ao espírito a paisagem galega, ao afundar na alma dos galegos, Don Ramón afirma como conclusom: ” … no espírito durme – no espírito dos galegos e mariñeiros- un amor ao cósmico e sinxelo da montaña e do mar…”. Todo um tratado fabuloso sobre a paisagem galega, que muitos nom sabem aprezar no dia a dia e que lembram na longania. Quizás por isso os galegos fam-se galegos longe da terra da paisagem.

Outros ensaios que merecem a nossa atençom formam parte do livro que estamos a ver. Entre eles falarei de José Luis Alleu Andrade que intitula o seu estudo baixo o epígrafe: “O nosso sentimento da paisaxe” na qual relaciona a paisagem galega com as obras de Cezanne e Rainer Mª Rilke (o impressionante poeta alemám), sem esquecer outros poetas galegos. Completam o livro um tratado de Cuevillas sobre a Paleopaisagem e outro de A. Cunqueiro, escrito em castelhano, e intitulado “El paisaje en la concepción poética”.

Demasiadas vezes esquecemos os intelectuais galegos que escrevérom livros imortais. No fazer educativo está o descobrir cadaquém sem esquecer os de hoje, por isso é importante que os mestres fagam um uso adequado dos livros de texto, deixando um tempo importante para a investigaçom e a búsqueda noutros livros de galegos ilustres que trabalhárom e trabalham em temas monográficos de vital importáncia.

Demasiadas vezes, quando chega o final do curso, preocupa máis acabar os livros que mergulhar-se no currículo buscando cada um dos temas propostos. Este livro que hoje apresento é um alento de ánimo a aqueles que tenhem como objectivo que a leitura e o amor aos livros seja cada dia maior. Todo um presente para o espírito e um repto para o bom leitor.

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