Ondulação e Sincronia

Partilhar

Algo não é vulgar porque se vulgarize” (Chesterton)

14-hexagramas-semioticaCriar um sistema de comunicação que não se sustente nos processos discursivos, estritamente racionais, sequênciais, que vão de A a B, que falam de causa e efeito desse jeito tão unidimensional é uma experiência única que atenta contra a rigidez da tradição, especialmente da ocidental. A mente ocidental cria muros invisíveis que continuamente fazem que a comunicação fique ancorada ou bem que se realize compulsivamente sobre temas obsessivos, querendo impor linhas de pensamento, temas a tratar, debates, estruturas dialógicas, enfim, todo um imenso edifício de elementos pesados que atuam como grilhões nos pés, cadeias nas mãos. É algo assim como um movimento no plano quando poderia haver três dimensões. O pensamento não é capaz de abandonar a teologia, mesmo que se apresente como crítico da teologia, como ateu, como o que quiser. Tudo se joga num espaço fechado, denotativo. Os mesmos processos artísticos e poéticos, que têm por si próprios uma virtualidade de comunicação essencial, são utilizados como objetos de consumo e decoração, de esteticismo, não aportam nada à transmisão do conhecimento e da comunicação mas ao consumo e ao valor. Há aqui um profundo analfabetismo, uma impossibilidade de ler mensagens que se estruturam sobre outra maneira de conceber a comunicação. Todo o pensamento e a filosofia ocidental descansam numa justificação permanente, é um contínuo discurso justificativo. Está ancorado na culpa ou na acusação.

Os mesmos processos artísticos e poéticos, que têm por si próprios uma virtualidade de comunicação essencial, são utilizados como objetos de consumo e decoração, de esteticismo, não aportam nada à transmisão do conhecimento e da comunicação mas ao consumo e ao valor.

Por isso é interessante o conceito de onda e de sincronia. Uma onda implica um movimento em que se emite baixo uma determinada frequência com um sentido dos tempos e dos ciclos. Chega a um ponto e volta a recomeçar tratando diferentes temas mas sob a mesma frequência, criando um patrão que apela ao ritmo e a uma outra sensibilidade. A sincronia apela a elementos simultaneamente heterogéneos que confluem numa conexão holística mas que podem não ter semelhança entre si: como os elementos de uma pintura, uma fotografia. Essa co-presença brinda-nos uma imagem, como um arquipélago de ilhas. Para além disso está o que Jung chamava de sincronicidade e que poderíamos chamar também de co-incidência.

Provavelmente as línguas com sistemas de representação ideográfica reflitam melhor aquilo que aqui quer ser exprimido .Como diria Wittgenstein, está o que se mostra e está o que se diz. E são cousas diferentes que é preciso tecer.