O sorriso de Avelino



Os últimos artigos desta coluna* e muitos dos anteriores não são reflexões sobre um tema de atualidade ou dum passado que nos afeta hoje, como costumo fazer, mas sobre pessoas concretas; homens e mulheres que deixaram uma pegada significativa e com os quais tive o regalo de compartir algo da sua vida. A vida da gente concreta é muito mais importante que as reflexões gerais. Por isso, por este espaço foram passando homens e mulheres galegas com uma vida comprometida com esta terra e a sua gente.

Hoje traio aqui Avelino Pousa Antelo, a quem o Concelho da Banha vem de nomear filho predileto. O egrégio galeguista recebeu a homenagem póstuma da vizinhança do lugar que o viu nascer há 108 anos com um jantar de irmandade, a colocação duma placa comemorativa e a publicação do livro As paroladas de Avelino Pousa Antelo, em edição de Valentín Arias e Amancio Liñares.

O que mais lembro de Avelino –um dos maiores intelectuais e ativistas galegos do século XX–, é o seu encantador sorriso. Era bem conhecido o seu compromisso de mestre e dinamizador rural, no cooperativismo, com o Partido Galeguista e tantas atividades a prol dos galegos nas últimas décadas do século. Porém, os que nos contávamos entre os amigos nos últimos anos –finou vai fazer agora justo os dez anos-, penso que o que mais poderíamos salientar particularmente era o seu sorriso.

Pousa Antelo era um velho petrúcio galeguista que, como Otero Pedrayo, era um desses nobres e rejos carvalhos que de quando em vez dá a nossa terra, como dissera alguém do de Trasalva. Um galeguista incombustível. “Já só quedo eu”, dizia-nos Avelino a Christina e a mim na última das visitas que lhe fizéramos na sua casa de Teo. Fora um dia inesquecível: a conversa na manhã, a leda comida com a família e a grata sobremesa, à que veio unir-se deixando a sua rigorosa sesta, pois não queria perder parola…

Pousa Antelo era um velho petrúcio galeguista que, como Otero Pedrayo, era um desses nobres e rejos carvalhos que de quando em vez dá a nossa terra, como dissera alguém do de Trasalva.

Avelino era um velho encantador; sem deixar de ser muito crítico com o que não lhe gostava, sobretudo da vida social e política do país. Mesmo considerava-se “um crente cristão crítico”, como me tem confessado. Até o remate dos seus dias, brilhava nos seus olhos a sua paixão de jovem, mas o que mais vivo quedara nele foram os seus afetos.

[*Este artigo foi publicado originariamente no Nós Diario.]

Victorino Pérez Prieto
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