O erro de Tagore

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Por José Luis Fernández Díaz

Sempre me chamou a atençom a boa acolhida que tem e tivo a Obra de Tagore em Espanha ao longo dos tempos, apesar de que segundo nos relata o professor Shyama Frasad Ganguly da Universidade Jawaharlal Nehru de Nova Delhi, a maior parte de Ocidente sofresse um desengano maiúsculo com o seu pensamento (expressado na correspondente rejeiçom na Europa), depois de lhe ter outorgado a Academia Sueca o Prêmio Nóbel em 1913.

Os seus cegos seguidores opinam que foi devido às traduções do bengali, e ainda que nom lhes falta razom, sempre eludem citar as consequências políticas e sociais que suporiam as suas ideias. Quem ousar pôr em dúvida a Obra literária de Tagore nom sairá bem parado, pois no seu conjunto é deliciosamente fantástica, ainda assim escritores de prestígio como Gabriel García Márquez e Octavio Paz nom duvidaram em criticá-la; este último assegurava que Tagore é um grande artista mas nom é um pensador. Um pensador cria e procura um pensamento novo e coerente, sendo ao mesmo tempo todo o discutível que se queira e este nom é o caso de Tagore.

Entre as suas ideias estavam as interpretadas por Ortega e Gasset, tomando como construçom epistemológica o novo humanismo sob a orla da razom vital, aplicada às Obras literárias de Thakur. Se tinha um bom amigo o poeta indiano em Espanha, esse era Juan Ramón Jiménez, mas o único que se atreveu a fazer uma análise exegética profunda tinha sido Ortega, e graças a ele conhecemos o erro Tagoriano.

Tagore tinha tido como grandes mestres o seu avô Duarkanaz e o seu pai Drebendranaz, que lutou contra o Protestantismo em 1845, ante o avivamento de conversons levadas adiante pelo Dr Duff, da Igreja Escocesa. Paradoxalmente os estreitos colaboradores de Tagore seriam Protestantes e deles nom aprendeu a falar do seu sol, do seu céu e das suas flores, antes bem todo o contrário. O artista indiano tinha tentado procurar umha religiom sincrética que combinasse o Criador com o homem e escorregando pacificamente topou com o novo humanismo para acabar num claro PANTEÍSMO.

A razom de que as suas Obras fossem tam bem arropadas em Espanha, razom que pelo visto ninguém se atreve a relatar, foi que o kraussismo ou PANENTEÍSMO (do grego Pan- en- teismo-todo está em Deus-), tinha arraigado neste país com muita força. Tanto que tinha sido origem da filosofia da ILE (Instituiçom Livre do Ensino) e combinava excepcionalmente bem com o culto por todo o relativo à infância. Os meninos seriam motivo de veneraçom ao igual que se refletia nas Obras Tagorianas de O carteiro do Rei ou A Lua Nova.

Estas ideias eram contingentes com as correntes filosóficas Européias, entre elas o positivismo que se impujo na segunda metade do século XIX, mas também eram diametralmente opostas às doutrinas Protestantes e à mesma Biblia, que tanto tinha influído em Tagore. Esta postura panteísta (Do grego Pan- teismo-Todo é Deus), foi atacada e tivo umha frente aberta formada por figuras como Emilia Pardo Bazán e Eugenio D’Ors, além de um bom número de jornalistas e críticos. A Pardo Bazán, com bom critério, afirmava que emular a sua filosofia nom era outra cousa que divinizar as suas experiências e emoçons pessoais.

Pessoalmente acho que todos os seus erros se resumem nesta frase ao que Ortega acrescenta falando de O carteiro do Rei: Todos os grandes espíritos soubérom escuitar… a alegria e o menino que levamos dentro. Quando li o livro de Tagore titulado Cristo, me dei conta que Ortega tinha razom. O pensamento Tagoriano nom era novo e o seu panteísmo batia frontalmente com as palavras do mesmo Jesus ao afirmar em Joám 14:6 ‘Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vem ao Pai a nom ser por mim’.

Ninguém é perfeito, certo, mas ante tanta erudiçom literária como há em Tagore, é todo um enigma a sua frase «se fechares a porta a todos os erros, a verdade ficará lá fora». Pergunto-me que verdade?


(*) Membro do Consello Escolar da Galiza.

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