Meu santo, minha santinha



igreja-de-santo-andre-de-hioFalava a semana passada* Miguel Anxo Bastos que vira na imprensa que alguns nacionalistas galegos queriam suprimir os santos dos nomes das paróquias dum concelho galego. Logo soube que foi o grupo do BNG de Cangas o que fez a proposta no pleno do concelho, instando a Xunta a “retirar os nomes dos santos e outras advocacións dos nomes oficiais das parroquias”, como diz o texto apresentado. Reconhece que, apesar de a paróquia ter sido uma “unidade relixiosa”, atualmente apenas é uma “unidade demográfica”. Porém, acho que isto é muito dizer, pois as igrejas seguem a ser elementos fundamentais dessas unidades populacionais rurais.

Infelizmente, não é a primeira vez que isto ocorre. Com estes ou outros, tem acontecido em Marim, Oleiros e outros concelhos galegos, que fizeram desaparecer progressivamente os santos dos nomes dos lugares.

Por isso, penso como o companheiro nestas páginas que, sem duvidar das boas intenções dessa proposta que tem a virtude de corrigir topónimos como San Ciprián de Aldán por San Cibrão, ou San Andrés de Hio por Santo André, é um erro verbo da realidade galega sobretudo a rural; não só no aspeto religioso, mas no histórico, o cultural e possivelmente no político, pois a história e a vida dos galegos esteve e está muito ligada à religião e aos santos cristãos. Por mais laica que cada vez seja a sociedade, e por mais que a Igreja fez algumas coisas que puseram a gente contra dela, a religião é um elemento fundamental na história e a cultura do povo galego, e ainda é importante para a maior parte dele, seja mais ou menos “praticante”.

Lembrei uma formosa secção que durou vários anos no jornal A Nosa Terra, também nacionalista, onde tive ocasião de colaborar vários anos, e que não semelhava ter esse preconceito laicista: “Meu santo, minha santinha” (2001-2003), da autoria de Francisco A. Vidal. Falava ali de santos e santas galegos ou que tinham relação com a história e a vida galega, entre a lenda e a realidade, mas sempre com carinho e humor: “O arroutado san Paio”, “Santa Tegra, amiga de Paulo”, “San Pedro de Mezonzo”, “San Rosendo”, etc. Esses concelheiros deveriam tomar nota disto.

[Este artigo foi publicado originariamente no Nós Diario]

Victorino Pérez Prieto
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