Por X. do Galheiro
Na atualidade falar de viagens, escrever relatos sobre excursons ou percursos que fazemos por outras terras resulta até ridículo. Viajar, fazer turismo ou passear é algo do mais comum na nossa sociedade, e se essas viagens nom som reais com certeza temos conhecimentos através de reportagens televisivas ou internáuticas. É por isso que nom quero aborrecer coa história da minha viagem, mas sim vos quero fazer partícipes das minhas reflexons de viajante anónimo.
Num destes fins de semana da castanheira, fum eu e um grupo de oito persoas fazer umha excursom polo Courel. Já estivera no Courel, mas desta vez tinha todo mais planeado, os percursos e trilhos que queria fazer, as aldeias e lugares que poderia visitar, as cousas que gostava de conhecer. E como tamém ocorre quando fazemos algo em grupo, cada um é do seu pai e da sua nai, sempre hai persoas com gostos e com vontades diferentes.
Chegamos sexta e reparei que tinha esquecido Os Eidos de Novoneyra, tinha vontades de relê-lo em ambiente. Na manhá de sábado começamos umha excursom para conhecermos o castelo de Carbedo e como ocorre quase sempre na Galiza, nom hai qualquer cartaz ou panel informativo que explique as origens do castelo, a sua história, a sua funçom no território. Já se sabe, para os povos com história escrita, que nom se poida ler é que nom tenhem história. Além disto, mesmo ao pé do castelo chantárom umha torreta para transportar eletricidade. Com certeza, os responsáveis do atentado duvidárom se pô-la mesmo no meio do castelo.
Um pouco despois começamos o trilho desde o alto do Couto -onde umha pintagem nos lembra a desfeita que as canteiras estám a fazer nessas terras-, que nos levaria até o monte Formigueiros, o mais teso cume do Courel. Ainda que gosto de flora e fauna nom tenho muitos conhecimentos sobre os seus nomes, por isso agradecim fazer o caminho cumha persoa que me ia dizindo como se chamava cada cousa: “pino”, “castaño”, “abedul”, “brezo”. Que triste sensaçom, a subir polo monte galego, com persoas estudadas nas universidades galegas e formadas sistematicamente no esquecemento da língua galega, adeus aos pinheiros, castinheiros, bidueiros ou urzes.
Já no cume, estafado, chegamos para tirar fotografias, celebrar o miradouro e ler o poema “Terras outas e solas!” de Novoneyra, que alguém com gosto deixou ali em forma de placa numha cruz. Pola parte de trás desta placa alguém colou um auto-colante da asociaçom Peña Trevinca, que em bom espanhol dizia nom sei o quê: no comment!
Já de carro, visitamos, Visunha, Ferramulim, Vieiros, Seara, aldeias que nos imprimem um tom de tranquilidade decadente e que nos transportam para passados de trabalhosa vida e futuros incertos. Todos ficamos admirados coa paisagem natural e humana do espaço, só que eu nom deixava de ruminar na ideia de que alguns dos meus companheiros de visita, que amam e respeitam o ambiente, nom tenham sensibilidade para a língua que construiu a história destas terras, da nossa terra. Nom havia ecologia linguística.
Através dos pés e das terras parei a falar cos poucos habitantes que atopei, todos falavam galego, um galeguim surpreendente para os meus inhos costeiros. Polo contrário, nom houvo visitante galego de naçom co que me cruzasse que nom falasse espanhol, até que dim cum amigo, colega de trabalho, a passear por umha destas estradas esquecidas. Já se sabe, o mundo é-che bem pequeno e ele foi a excepçom que confirma a regra.
Como a visita foi na altura de eleiçons foi fácil constatar que nos espaços talvez mais idealizados pola etnografia galega urbana a voz da pluralidade política nom é constatável, só pudem ver cartazes dum tipo com óculos e letras brancas “súmate al cambio”, agrafados a casas escangalhadas. Era mais ca umha metáfora.
Como nom gosto de voltar por onde vim, desde Esperante apanhamos a estrada Lu-1304 que vai dar a Pedrafita do Cebreiro passando por Romeor, Cham de Pena, Sisto, Fonte Formosa, Zanfoga ou Santim, até chegarmos ao Cebreiro. É umha paisagem natural e humana de espanto, mas onde é bem visível a falta de respeito polo património coletivo: lixeiras, casas de cores azuis e laranja, repovoaçom de eucaliptos e pinheiros, canteiras abandonadas e caminhos no monte para nengumha parte, à mistura entre outros espaços bem conservados.
Entre o nevoeiro apareceu-nos o Cebreiro e nom foi fácil saber se estavamos na Galiza porque nada em galego puidemos ler. No Santuário de Santa Maria a Real do Cebreiro atopei umha data de informaçom cumha cheia de bandeiras, nengumha era a que eu tenho por minha. É mais, o galeguismo autonomista -existe?- nem informa que o escudo da Galiza tem no seu centro o Santo Graal que visitamos no Cebreiro. É todo em espanhol: vida de santos, informaçons várias, histórias milagreiras e crónicas hospitalares, nada sobre a nossa história, mesmo a religiosa, que seria de interese para os milheiros de persoas que cada ano passam por este lugar. Como epílogo universal, um grande cartaz em inglês sobre o way. Todo isto pago por algo chamado “Xunta”. Saim do Cebrero (como lhe tinha ouvido a outros galegos) sem saber onde estava, seria a névoa.
Apanhamos o carro pola “Autovía del Noroeste” e nom houvo momento no que nom me lembrasse que estava a ir “do Courel a Compostela por terra submissa e anestesiada”.
