Fé e rebeldia



irimia-lumeNo passado sábado, um grupo de cristãos celebrávamos no mosteiro de Bergondo a Candelória, batizada há bastantes anos na As. Irimia como “Festa do lume”. Este ano fazíamo-lo com o tema “Fé e rebeldia”, ou “Mística e revolução”. Como viver uma experiência religiosa/espiritual/mística e um compromisso social e político? São coisas que não têm a ver ou, ao contrário, devem estar intimamente relacionadas?

A resposta encontrávamo-la em dois curas galegos (Moncho Valcarce e Francisco Carballo) e outro colombiano (Camilo Torres). O cristianismo libertador e o compromisso nacionalista galego foram as claves dos dois primeiros. No terceiro foi uma experiência profunda de fé cristã e compromisso político que o levou até dar a vida. Este era dum país diferente, e com o oceano por meio, mas os três estavam unidos por uma proximidade geracional e, sobretudo, pela aposta da vida: a libertação dos oprimidos.

O primeiro dos três será seguramente mais conhecido para o leitor. Moncho Valcarce (1935 – 1993), o “cura das Encrobas”; foi um verdadeiro símbolo contemporâneo nas lutas labregas do século XX e na vivência dum cristianismo libertador.

Moncho Valcarce (1935 – 1993), o “cura das Encrobas”; foi um verdadeiro símbolo contemporâneo nas lutas labregas do século XX e na vivência dum cristianismo libertador.

 

Francisco Carballo (1925 – 2014), outra figura fundamental no compromisso com a cultura e a sociedade galega, foi cura, historiador da Galiza e da Igreja galega, professor e homem comprometido social e politicamente com o seu povo. Mas foi desrespeitado pela hierarquia da Igreja e padeceu uma persecução política pelo seu compromisso nacionalista.

Camilo Torres (1929 – 1966) foi também cura, intelectual e professor; um homem comprometido social e politicamente com o povo colombiano. Após uns intensos anos na vida eclesial, docente e política em Bogotá, acabou brevemente como militante na guerrilha do Exército de Liberación Nacional (ELN) e morreu assassinado pelo exército na sua primeira aparição em combate.

Moncho, Paco e Camilo quedaram na memória dos bons e generosos como homens que souberam ser fiéis aos ideais evangélicos e libertadores. Eles são os “imprescindíveis”.

[Este artigo foi publicado originariamente no Nós Diario]

Victorino Pérez Prieto
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