Debulhando o pensamento de Dom Ricardo Carvalho Calero neste 2020



A História clínica da nossa Língua na Galiza

mapa-gallaeciaUma das afirmações recorrentes de Carvalho, era insistir no facto de que a nossa língua mais que uma história normal, o que tinha era uma história clínica.

Para ele a passagem do reino da Galiza (e de Portugal), ou da experiência de normalidade, a recuperação da escrita da língua na Galiza no século XIX, ou a recuperação institucional no último quarto do século XX, não é inteligível, sem conhecer essa história clínica.

Como sem ela poderia alguém entender decisões, e caminhos polos que se andam.

A história clínica da Língua é a história clínica do país, ambos as doas são inseparáveis.

Quando começam? Pois quando uma certa normalidade, que no reino do norte já levava algum tempo em problemas, -perdida a Corte do reino-, esse lugar, onde segundo a primeira gramática da nossa língua, a de Fernão de Oliveira 1536, as palavras se cozinham e acham o brilho. Fernão Oliveira na gramática refere-se a situação da língua no reino do norte, e diz ele: No reino do norte perdida a corte, esmorece.

Mas como foi que se passou para passarmos de dous reinos com suas cortes e relações bem estreitas entre eles de todo tipo a essa situação?

A cousa é muito simples, Portugal é a criação indireta de Gelmirez, a melhor cousa que ele fez, pensai a Galiza sem Portugal e logo pensai num espaço para a Galiza como o do asturoleonês.

A Galiza viu ao mundo da história, com um general romano, Décimo Junio Bruto (esse do rio do esquecimento), quem viera de Cónsul a Hispania para derrotar o lusitano Viriato. Porém acabado o trabalho, como bom romano queria estender os domínios e aproveitou para ir a terras inexploradas, Ele vinha pela costa para o norte, e ao passar o rio Douro achou que lá moravam os calecosi (os calecoi que diz Estrabão) os de Cale. E deu o nome que eles se davam a si próprios a todo o noroeste peninsular. Eis como a Galiza apareceu. E o lugar onde moravam os calecos de Cale, chamou-no de Portus-Cale, que andando o tempo se converteria em Portugal (Porto dos Galegos).

Logo viria com Augusto a Província da Galiza, com cabeça em Braga. Logo o reino dos galegos (galaeciorum regnum 411), com cabeça em Braga. Logo de novo reino da Galiza etc. E a Braga cabeça civil, virou como cristã cabeça da Galiza e como tal continuou até 1495, além de se converter na cidade primaz (ainda é) de Portugal. A cousa de ela ser a cabeça da Galiza é tão simpático, que na Galiza há umas quantas aldeias que levam o apelido de galegos, e são-no por responderem os seus fundadores a bracarenses fugidos das razias muçulmanas.

A nossa língua, a nossa criação mais original e alma coletiva, foi gerada pelas gentes da Faixa ocidental peninsular entre o Ortegal e o Douro, no tempo que vai do século quinto ao nono.

Compostela é provavelmente uma idealização da Corte de Carlos-o-Magno, em Aquisgrana, como farol motivador da Hispania. A Sé do bispo não se estabeleceu em Compostela até mais de 200 anos depois. Porém vinha recém de se estabelecer e caiu nas mãos de quem era bem ambicioso e sonhava com dirigir como Sé apostólica, toda a península. Que a ambição era peninsular temo-la no facto de quando ao nené Afonso, sob a sua tutela, o proclama rei da Galiza, também o faz rei de Toledo. E Braga cabeça é com certeza o primeiro espaço para ocupar, a Braga da que dependia, logo viria Mérida, e tentaria Toledo…

As manobras, da nova sé de Compostela (Gelmirez) para ocupar a posição da sé de Braga (Paio) cabeça da Galizaii, deu lugar a um conflito que acabou na divisão do reino em dous. A divisão, não foi obstáculo para Braga conseguir manter, -desaparecido Gelmirez- a cabeça religiosa de muitas entidades, instituições e sés religiosas da Galiza até 1495.

O território ao norte usufruiu para o seu reino o nome de Galiza. O território ao sul, tomou o da velha cidade galega Portus-Cale. Todos os nossos nomes a norte e a sul venhem do mesmo sítio e são a mesma coisa.

No reino que usufruiu o nome de Galiza, Compostela era muita cousa, e ela e a sua ideologia o compostelanismo, seguiam com uma só aspiração, governar a península.

Em 1230 falece o nosso rei Afonso VIII, e frente ao seu testamento -norma legal obrigatória-, que era oposto a união com Castela, manobra Compostela e Castela (ante o papa) para que a unidade, com um rei galego, da casa dos Reimundez, se produza, um trunfo do Compostelanismo. Bem que nos fornece os dados Emílio Gonzalez Lopes de como as sés que dependiam e obedeciam Braga se opunham a trapalhada de Compostela, e eram maioria, estavam no grupo inclusas Samora e Oviedo.

Isso foi grande sucesso do Compostelanismo, até a lírica em língua galega mandavam na Corte de Castela. Porém o jogo peninsular acaba por colocar à Galiza compostelã na periferia e pronto novas elites reais não ligadas a Galiza assenhoreariam o reino de Castela.

Agora vem a nossa experiência clínica

No primeiro de março de 1476, tem lugar em Toro, a batalha mais decisiva para o futuro da península ibérica e para a nossa história. Para o reino do norte quase mortal (ou mortal de todo se não despertamos e descobrimos com quem nos jogamos tudo), para o reino do sul, lá esteve a semente da sua ocupação por quem levava a coroa de Castela em 1580. Nessa batalha se desfez muita cousa, Ernesto Vasquez Souza diria: A desfeita do projeto ocidental, e virada da coroa de Castela para Aragão. (Os catalano-aragoneses pensavam que fizeram bom negócio… )

E após essa batalha a Galiza sofre dura guerra de castigo que se prolonga por bem anos. O país é destruído bem a fundo, Sabiades que Ourense, repetidamente atacada, só foi submetido após um cerco de 11 meses, e que Ponferrada custou-lhe também muitos meses o submetê-la aos castelhanos.

 

Era a chamada guerra de Doma e castração (nas crónicas deles): Para a Galiza foi: Destruição da sua economia, proibição das relações económicas internacionais que havia, destruição da sua nascente burguesia. Os aristocratas (classe dominante) são: Derrubados os seus castelos, e uns ajustiçadas, Pardo de Cela, Alvares Osório (Conde de Lemos),… outros fogem e instalam-se em Portugal, e os mais são tirados do reino para a Corte. Não é casual que Andaluzia e Castela estejam hoje em dia cheias de títulos de origem galega. A igreja e as ordens religiosas que ainda dependiam de velha capital da Galiza, Braga, passam a depender de Valhadolid, e os cargos religiosos (o poder conformador do consenso ideológico), passam todos para elementos castelhanos. Desaparecem os galegos do aparato da administração e da justiça na Galiza. Há galegos em postos de responsabilidade civil e religiosa, mas sempre fora do seu solar pátrio, na Galiza só nas vagas de menos categoria, contínuos; e isso durou até último quarto do século XIX.

Na Galiza reino ocupado, os cargos são reservados aos estrangeiros do reino dominador. E a Galiza reino, se lhe retira o voto e participação nas cortes da monarquia de Castela, e num processo de humilhação ao nosso povo, verdadeiramente inacreditável, os seus votos e representação nas Cortes são entregues à cidade de Samora.

A documentação toda no reino da Galiza era em galego, e se um fazia um testamento ou uma venda, era em galego, e os tabeliões tudo faziam em galego. Mas agora declaram que só vão valer as escrituras dos escrivãos da escola de Toledo.

Dizem alguns néscios ao serviço do “amo”, que a nossa língua não se proibiu. Mas quem sabia ler e escrever?. Os religiosos, os aristocratas, os burgueses. E onde iam apreender agora e com quem, e onde andavam etc.. Não sumiu a nossa língua por vontade dos galegos e galegas se não por imposição. A Galiza tornou-se agrafa, e as novas realidades lhe chegam na língua do poder, o castelhanoiii. E pouco a pouco vão apagando a nossa história dos carros e carros de documentos que existiam na nossa língua na Galiza, de que falava Sarmento, e como se fossem um sonho. Ainda que a nossa Língua, é a língua falada e vivida polo cento por cento dos galegos e galegas.

Em meados do século XIX renasce para a literatura uma língua socialmente estigmatizada, funcionalmente minorizadaiv, banida das instituições oficiais e hostilizada pelo Estado. Popular e realmente falada, a língua galega começará a ser posta ao serviço dum movimento cultural e político que irá perfilando uma vocação que (com cautela, porém) poderíamos chamar nacionalv.

E como escrevem?. Da única maneira que sabem, aliás a única forma que podiam conhecer. O agrafo galego passou a escrever-se conforme a feição gráfica da língua oficial e única língua verdadeira. Acresça-se, em ordem a perceber as intenções do programa linguístico dos primeiros promotores da língua regional, que, entre estas, de nenhum modo se encontrava a de concorrer com a língua nacional, cuja hegemonia estava fora de causa. (Não procurem em Rosalia o que não há). Correlato visual da minorização linguística, a ortografia perfilhada servia ainda para ratificar que as notabilidades escreventes do galego eram e queriam ser um subconjunto regional do conjunto espanhol. Aliás isto se passou em mais lugares, por exemplo nas Astúrias, Sardenha e Ocitânia etc.

Desde inícios do século XX, contra tudo e apesar de tudo, sectores da comunidade linguística galega transgredirão normas imemoriais, abrirão brechas em altos muros e sondarão novos caminhos, passando a fazerem servir o galego como instrumento do discurso público e da ação política.

Eis um resumo das novas posições: De um Murguia – Portugal manteve a nossa língua cuidada e protegida e além disso converteu-na na do Brasil. Antom Vilar Ponte: Quanto mais galego for o galego, mais português ele é. Leandro Carré: O português é o nosso mesmo idioma. Joham Carvalheira: A unificação ortográfica com o português é fulcral. Afonso Castelão: O galego é extenso e útil. Eu desejo que o galego se confunda com o Português. Irmandades da Fala: Temos que pôr as bases para convergirmos na ortografia com o português, ortografia que é a nossa histórica e original. Seminário de Estudos Galegos (instituição criada pelo nacionalismo e ainda não devolvida pelo estado): Galego é português são a mesma língua.

Foram três décadas animosas e febris, férteis, que enveredavam por novos caminhos, além disso temos que saber que em nenhures a ninguém lhe estavam ensinando a nossa ortografia histórica…Parecendo tão simples usar a do castelhanovi.

O levante militar fascista de 1936 cortou isso com feroz eficáciavii.

Escrever e meter a língua no traje da imposta por quem domina e aliás é a única que se conhece, é o natural, pois o imposto aparece como a forma natural. Porém se um é livre isso é um absurdo. Eis um exemplo: O galeguíssimo território do Couto Misto, em palavras de Garcia Manhãviii, foi o último naco incorporado à Galiza 1864, e após um referendo reclamado por Portugal, no que 860 pessoas votaram se unirem com Portugal e 1 com Espanha. Diz Garcia Manhã: Não entendo como ali nunca escreveram em galego sendo eles bem galegos. Sem reparar ele, que para escrever o galego, cumpre antes uma cousa, haver recebido o castelhano…e até lá não chegara.

 

Os remédios de Carvalho para a nossa sanação

carvalho-caleroCarvalho começava por exprimir esta sentença: Ou o galego é galego-português ou é galego-castelhano. E o galego-castelhano é muito forte na adesão da sub-comunidade linguística nossa no estado à comunidade castelhana, e é liquidador da comunidade galego-portuguesa.

Para o galego-castelhano qualquer cousa que for castelhana pode-se passar por galega, mesmo por isso, por ser castelhana, e ao ser a língua imposta ao cento por cento dos galegos e galegas, a converte em língua teito e elemento de correção dos utentes do galego-castelhano (quem dizer que não, mente).

Em 1981 Carvalho Publica na editora de Lisboa Sá da Costa, o livro “Problemas da Língua galega”. Ele exprime na sua contorna de reintegracionistas e de amigos, que ao intitular enganou-se, pois ele tinha que o haver intitulado. “Problemas do português da Galiza”. Pois para Carvalho o dobrar o nome de línguas, aliás é bastante frequente, bem perto temos castelhano/espanhol; franciano/francês; toscano/italiano, romeno/moldavo… O nome não deve ser causa de confusão, e o termo galego representa mais a nossa afirmação de formarmos parte do subconjunto Espanha, que da realidade linguística, cultural e nacional que somos.

A ele fazia graça, o problema de muitos com o jota… Custa de entender para eles, que não teriam problema os falantes de castelhano em usar na nossa língua (e topónimos…) o som jota (g+e,i), como ele é, se eles não estivessem tão inseridos no universo da norma castelhana, que chegam a adotar ao falarem na língua da Galiza, a pronuncia castelhana dessa letras, daria riso.

Carvalho sobre a Espanha pensava, Espanha não sente a Galiza, como algo que lhe é consubstancial é próprio. Se isso fosse assim: Espanha amaria a nossa língua, reconheceria o direito dos galegos e galegas a vivermos nela. Nem confundiria o conhecimento do castelhano com o direito dos castelhanos a serem atendidos na sua língua na Galiza de jeito universal, simples exercício de imposição. As relações comunicativas com Portugal meios TVs seria o normal e não impedidas como estão. As grandes datas e fatos comemorativos da nossa história, seriam festejados por todos, e formariam parte do acerbo comum da Espanhaix. Mas infelizmente são apagados, ocultados, tergiversados, como mais um caso de povo submetido e negado.

Para Carvalho, a nossa língua, como língua internacional extensa e útil, tem a diversidade interna que é comum a qualquer uma das línguas internacionais que há no mundo, que formam o que a linguística chama um diassistema. Todas as línguas tem diversidades segundo utentes, segundo ambientes, é segundo territórios e os modos que essas línguas tem de modelox.

Carvalho tendo em conta a “história clínica da língua”. Ele, como Presidente da Comissão oficial de elaboração das normas da Língua galega (1980 Boletim Oficial de Galicia -pre-autonómica- núm 6), propõe na altura umas normas de mínimos de reintegração no modelo histórico, e nas que todos se pudessem sentir bem cómodos e ir avançando segundo as necessidades e a sua consolidação a começar pelas universidades etc. Mas foram por Espanha e as suas políticas banidasxi. Como se viu, havia neles o assalto aos nossos muros da subalternização espanhola, e havia medo do sucesso.

Que diria hoje Carvalho do sucesso da normalização: Pois que sob a pretensa normalização da língua da Galiza, sempre inacabada, as autoridades espanholas apresentam a língua nacional carente de qualquer sentido de utilidade e expurgada da sua dignidade e da sua condição de ser uma das línguas europeias de maior difusão internacional, usada em todos os continentes, que com a variedade própria das línguas internacionais é falada por centos de milhões de pessoas no mundo. Que enquanto se reforça continuamente o fator da utilidade e a correspondente necessidade da língua castelhana; para a língua da Galiza, as políticas reduzem-na, a um sentimento carente de utilidade e necessidade, o que a faz perceber como uma escolha na intimidade privada e sentimental, despida do que é a realidade das línguas: Uma criação coletiva que se vive socialmente e como tal é necessária e útil.

Como se percebe ainda não conseguimos sair da nossa história clínica.

 

 

i Segundo Higinio Martins, galego é uma palavra celta que significa DA TERRA.

ii Capital da Galiza romana, capital do galaeciorum regnum, Da Igreja da Galiza, e logo de Portugal, e após a divisão do reino seguiu de cabeça de grande número de entidades religiosas da Galiza até 1495.
iii Ainda que o intenso é tradicional comércio e emigração de todo tipo com o reino de Portugal, vai permitir que novos termos incorporados ao galego de Portugal voltem ao território ao norte do Minho perfeitamente integrados.

iv As consequências da minorização linguística eram também patentes no plano lexical e na estrutura morfo-sintáctica. Como resumem e categorizam em relação ao primeiro Carlos Garrido e Carles Riera (Manual de Galego Científico). “O confinamento social do galego nos usos coloquiais e rústicos, a língua, por um lado, perdeu recursos expressivos e o léxico culto, especializado e de carácter abstrato que desenvolvera e, por outro, viu-se submetido a um processo de corrupção, que se traduziu na generalização de alterações vulgarizantes (plebeísmos) de algumas unidades lexicais; desprovido de registo e de centro normador, o léxico galego padeceu uma diversificação e atomização em variantes geográficas; o processo de substituição lexical atuou fazendo desaparecer unidades lexicais em benefício das correspondentes castelhanas; a estagnação da língua, decorrente da falta de usos formais, impediu que o galego habilitasse novas unidades lexicais para designar novos conceitos; no entanto, as lacunas expressivas foram preenchidas […] por unidades lexicais da língua de cultura, que não era outra que o castelhano (suplência lexical)…”

v Este parágrafo e os seguintes bebem sem dissimulo em Fernando Corredoira

vi Mas no ano 1935 o PG edita um dicionário já etimológico.

vii As escolhas adotadas após o franquismo e recuperação da autonomia vão ser feitas ao serviço do projeto dos dominadores. Da Identidade a Norma (laiovento), de Vítor Vaqueiro e Nicolás Xamardo, apresentam muito bem a política de Espanha com a língua da Gz: Como dizia Lluis Aracil, na Gz há quem trabalha bem firme a prol da língua, vive disso, e garante o seu futuro, o mesmo que o do analfabetismo, desaparecer.

ix No ano de 2011 foi o 1600 aniversário do nascimento do reino da Galiza. Nada se fez desde as autoridades espanholas pelo seu estudo e festejo, o que contrastou com o milenário de Granada. O segundo sentem-no do seu acerbo, o primeiro não, e por tanto é problemático.

x Por isso temos na internet códigos de língua, por exemplo na nossa temos pt-gz, pt-br, pt-pt, pt-an etc.
xi. O poder espanhol na Galiza pode ate encorajar a trabalhar sobre a língua, a viver dela, mas isso sempre de jeito pejado, e sem pôr em questão a dominação e imposição do castelhano, e para fomentar o apagamento da identidade nacional dos galegos e galegas de jeito que resulte estupefaciente e incompreensível por quem o sofre. Se não for assim a cousa, o seu comportamento pode ser terrível.

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    A questão é na parte da Galiza que usufruiu o velho nome comum, pois como povo espilido e o compostelanismo sabe, nós nunca jogamos a perder, e por isso os castelhanos nos submeteram de forma bem humilhante, que nunca lhe faltaram Fragas, Rajois, paradigmáticos Pios Cabanilhas… e toda casta de gentes ao serviço do seu imperium (é dizer dos que mandam sobre nós e nos submetem).

    O Compostelanismo sempre pode fazer uma linda história dos galegos como são quem manda na espanha e a fazem agrandar… Segundo as minhas fontes, e após muitas reviravoltas e vendo o analfabeto Casado (outro apelido galego), Feijó ainda vai levar os estandartes do reino,…enquanto se desmoroa.
    E poderão dizer como Castelão de Casares: Ele na execução da governança era extremamente neutro e contrário a Gz (sabendo que era um bom galego, que isso sabia Castelão), não fosse ele acusado de parcialidade. Pois parciais só podem ser os senhores da casa não os serventes, os senhores da coaligação que vai do país basco a andaluzia, a que se lhe colou aragão, o eixo da espanha, por isso o terrorismo não lhes tirou competências e ate o levavam bem, nem ninguém, berrou bascos fora. Quase diria mais, Castela/espanha foi uma construção basca em aliança com os latifundistas do sul. E como diz Cossio nessa obra impressionante que são Los Toros, O sul criou o toureio a cavalo e os bascos o toureio a pé….eles homens -senhores- de valor incomparável…
    E nós ficamos com as chegas dos bois, proibidas polo império por maltrato animal….estou mixando com o riso, e a Pega do boi….com os peões pegadores ..,,,, putos obreiros sacrificados e calados lusitanos….mas desse jeito souberam levar a sorte ao seu rego.

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    Mandou-me um apontamento um conhecido dizendo que Espanha (Castela na altura nunca proibiu o galego e que o artigo ele não olha isso claro.

    Eis:

    Isso de proibir línguas é uma cousa muito século XIX ou XX, naquela altura importava pouco o que o povo falar. Isso sim o castelhano passou a ser a única língua que se reproduzia de jeito culto, é dizer que se ensinava e que se usava nos papeis, e a única possível de se usar em qualquer documento público. E os analfabetos não são consumidores de cultura, não leem, (ainda que não o exprimam por isso mesmo os defensores do “galego” pensam o nosso como povo analfabeto, eles -as elites- também o são)https://pgl.gal/desde-a-galiza-uma-achega-a-pompeu-fabra-i-foch/.

    E claro com a escola nacionalizadora e sem elites cultas, há que ir a forma fácil (que dizia Filgueira) a única que sabem(os), a do castelhano. Quando há um n palatal -se no castelhano tem “inherente” pois pomos unha-…

    Por isso vir a falar agora de a fala dos galegos na altura não foi proibida, e falar com categorias de hoje deslocadas a aquele tempo, em realidade é mais que nada um jeito de dizer (Castela) Espanha era boa ou não erra tão má.

    Mas com essa vara de medir, Castela/espanha em cada altura pode-se passar por boa e o seu comportamento histórico: violento, depreciativo, racista, que deveria ser um forte apelo a des-aprendermo-nos dela… Pois se não mirados no espelho é como se os escravos reclamassem os bons tempos da escravatura e o trabalho sob as chicotadas.
    https://pglingua.org/opiniom/index.php?option=com_content&view=article&catid=3&id=5288&Itemid=81

    Eis como logo no século XIX a Espanha proibia: Por exemplo Olivença onde recebia coimas, qualquer um que fosse apanhado falando o galego alentejano

    Como se vai impedir que o pessoal fale do único jeito que sabe…Logo no XIX chegou a escola, o potente instrumento de nacionalização dos cidadãos, por isso os galegos escreviam do único jeito que sabiam.

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    • António Gil Hdez

      Mais potente, Banhos, foi e é o exército e a GC ( = exército), para além da Igreja catóDica, que predicava em sande: latim – castelhano – latim, duas línguas que, felizmente, as camadas populares então não entendiam bem e por isso na Galiza ainda se conservam ritos e sentimentos pagãos (apesar do Dumiense).

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        Pois acho que não. O exército tem uma grande capacidade de uniformização dos homens, mas não esqueças que quem socializa e incute os valores são as mulheres. Como bem sabia a Santa Teresa de àvila que escrevia às freiras, pedindo que puseram muito cuidado na educação das raparigas pois educando a elas educavam povos, entanto dizia ela, que educar rapazes e sempre educar rapazes, os homens nunca deixam de ser rapazes completamente.

        O nacionalismo é algo que só se percebe realmente quando ele se enfrente, se afirma frente a outro nacionalismo.

        Quando há guerras entre estados, e se movimenta as forças nacionais desses estados contra o outro (sempre o atacante por defginição), aí tem a movimentação do exército um grande poder de nacionalização. Está muito estudado na França o papel das duas guerras mundiais (e anterior francoprusiana) em construir um imaginário nacional francês e erm apagar as diferenças internas como contraditórias com o projeto nacional e nacionalizador.

        A espanha não teve esse tipo de guerras a última frente a um invasor, em realidade o exécito não existiu. De facto era tão ausente o projeto nacional espanhol, que aparece a língua galega popularmente e em multiplas coplas para chamar a luita ao povo. Foi o povo quem luitava. E na Galiza ate se construiu um projeto militar e de funcionamento que poderia ser nacional, se houver elites nacionais a dirigi-lo.

        https://www.pglingua.org/noticias/canal-aberto/5761-o-ii-centenario-da-ii-batalha-de-san-marcial-com-noticias-varias-sobre-o-inicio-da-espanha-moderna-que-podem-interessar-o-curioso-leitor

        O Cardeal Richelieu, entendia bem o do papel da igreja, de facto após o tratado dos Pirineus, muda praticamente a igreja toda do Roselhó, sob o seguinte lema: Quem rezar em francês é francês.
        Quando em 1495 a igreja da Galiza deixa de depender de Braga e passa a depender de Valhadolid. Compostela aspirava a ter o controle, sem entender a sua marginalidade no novo projeto “castelhano”. Mas a vez era bem feliz de que por fim Braga deixa-se de ser alguém ao norte do Minho

        Bom poderia desenvolver mais o assunto, mas acho que pegas bem a meada.
        Só uma última cousa. Após o apoderamento por espanha do Couto MIsto em 1864, contra a vontade dos seus moradores, e usando a existência de força superior frente a Portugal, que não era conforme, (recebou uma aldeinha em troques, perto de Verim de muito inferior interesse e valor).

        Espanha ocupa o Couto Misto e garante a perpetuidade aos seus moradores, a exenção de impostos, e a exenção do serviço militar.

        E como tudo o que é a perpetuidade e negociado com Espanha, durou bem pouco. Os impostos logo colidiram com a constituição de 1876, e o do serviço militar não chegou nem muito além de começo do século XX.

    • https://pglingua.org/index.php abanhos

      Eis um excerto do artigo de Carlos Luna, amossando a persecução do português em Olivença

      “A história de Olivença tem que ser contada, uma e outra vez, enquanto é tempo. O drama começou em 1801… Tem-se aqui de se referir toda uma política. Não se pretende levantar uma polemica, mas não é possível compreender o que se passou, e a situação atual, ocultando-se fatos
      decisivos.
      Assim, já em 26 de Janeiro de 1805, suspendeu-se, naturalmente, o uso da moeda portuguesa em Olivença. As autoridades espanholas comunicaram então a vários ofícios, nomeadamente aos aguadeiros, que era obrigatório usar medidas espanholas (referiam-se a comprimento, peso, volume, etc.).

      Claro que a Língua não tardaria a sofrer as consequências. A 20 de Fevereiro de 1805, foi decidido suprimir toda e qualquer escola portuguesa, bem como o ensino do Português. A 14 de Agosto de 1805, as atas da Câmara Municipal passaram a ser escritas obrigatoriamente em Castelhano, o que fez uma vítima: Vicente Vieira Valério. Este, negando-se a escrever na Língua de Cervantes, teve de ceder o lugar a outro. E acabou por morrer à míngua de recursos, personificando um drama cujo desenvolvimento se processaria, geração após geração.
      Há notícias de oposição dos oliventinos a estas medidas. As Escolas privadas continuaram a ministrar ensino em Português, até que são fechadas a 19 de Maio de 1813, com o propósito (oficial) “de evitar qualquer sentimento patriótico lusitano” A.M.O. leg/Carp 7/2-18, 19-05-1813, n.o 1324; revelado por Miguel Ángel Vallecillo Teodoro, “Olivenza en su História”, Olivença, 1999 ).
      Mas, porque eram muitos os oliventinos que queriam que os seus filhos fossem educados na língua materna, continuaram a existir professores particulares para o fazer. O “Ayuntamiento” não hesitou, e proibiram-se “as aulas particulares, sob pena de multa de 20 Ducados”, em 1820
      (A.M.O. leg/Carp 8/1-171, 7-10-1820, n.o 1704; revelado, também, por Miguel Ángel Vallecillo Teodoro, “Olivenza en su História”, Olivença, 1999).
      A população oliventina mantinha as velhas tradições, a vários níveis, procurando agir como senada tivesse mudado. Mas tal foi sendo cada vez mais difícil, e muita gente foi emigrando de volta ao além do rio Guadiana, principalmente para as povoações portuguesas mais próximas, (limpeza
      étnica), e substituídos por imigrantes de fala castelhana.
      Em 1840, trinta e nove anos após a ocupação espanhola (recorde-se: efetuada em 1801), o Português foi proibido em Olivença, inclusivamente nas Igrejas. O combate contra a Língua de Camões já vinha de trás, todavia.
      Algumas elites foram aceitando o castelhano. O Português foi-se mantendo, teimosamente, principalmente a nível popular. Numa deliciosa toada alentejana, que logo as autoridades, vigilantes, classificaram como “chaporreo”, palavra de difícil tradução (talvez “patois”; talvez “deturpação”), que criou complexos de inferioridade nos utilizadores, levando-os, cada vez mais, a usar a Língua Tradicional apenas a nível caseiro, dentro do aconchego do lar, em público, quase só por distração, ou com amigos próximos”

  • António Gil Hdez

    Banhos, este artigo é o publicável no Boletim da AGLP?

    • https://pglingua.org/index.php abanhos

      após uns ajustes e cumprir o que o Boletim exige