Por Alexandre Banhos
Leva o Brasil vários anos caminhando firme para se colocar entre as potências do nosso planeta – é a oitava economia do mundo e aguarda-se que para o ano 2014 seja a sexta –. Para o ano de 2010, todas as revisões apontavam que o seu crescimento podia andar por volta dos cinco por cento. Porém, afinal foi de praticamente oito por cento em conjunto, variando segunda as fontes entre 7,3 e 7,8 % de crescimento. Mas não tudo correu assim: a produção industrial do Brasil cresceu nesse ano 2010 uns 24 por cento, e quando se começam a apanhar dados desagregados de distintos setores e áreas da produção, os dados são assustadores. Neste mês de janeiro passado foram criadas no Brasil umas 40.000 empresas e postos de trabalho acima dos 300.000 mil.
Em 12 meses – de fevereiro de 2010 a janeiro deste ano – voltou outra vez a apresentar um saldo favorável na balança de pagamentos; as exportações somam US$ 205.825 milhares de milhões e as importações US$ 184.955 milhares de milhões. O superavit económico do Brasil anda neste momento por volta de US$ 400.000 milhares de milhões, e o seu deficit é praticamente inexistente (0,4 %) e por todo o lado há procura de mão-de-obra, – não há loja que não tenha o cartaz de se necessita empregado/a –. São muitos os setores que se acham ameaçados polo funil da falta de mão-de-obra qualificada. Porém, ter uma permissão de trabalho no Brasil não é tarefa fácil, além de se ter que demonstrar um bom conhecimento de português, que é requisito necessário.
O outro dia falava com uma amiga, Nádia Mattos, professora de português para executivos e quadros que estão vindo para trabalhar no Brasil, de como neste momento há muitos alunos e como se esforçam. Na sua turma tem norte-americanos, alemães, ingleses, franceses, japoneses, e até um argentino – todos se esforçam imenso para poderem estar trabalhando no Brasil, devidamente regulados, e dominarem a nossa formosa língua –.
A língua é a primeira das exigências para trabalhar no país. Isto não é Portugal, e disso se aproveitaram durante 2010 uns 250.000 portugueses vindos para o Brasil. Para 2011 aguarda-se que o número de portugueses que venham para esta abençoada terra ultrapasse os 300.000. Na Galiza temos a mesma língua, mas o governo galego e as suas elites se encarregam com muita eficácia de garantir cada dia mais o analfabetismo galaico, quer dizer, de roubar ao nosso povo possibilidades económicas de sucesso. Roubar-nos a língua é roubar-nos dinheiro, empobrecer-nos ainda mais. Não podemos deixar que o feijonismo nos tire a carteira, ainda que são muitos, e não só eles, os que jogam no mesmo campo balizado pola Espanha, e esse balizamento é sempre a negação da nossa língua como língua internacional que é.
Eles reduzem-na a um galenhol de andar por casa – entre nós em galego (ma non troppo) – só concebível como língua dependente e regional, quando é o nosso primeiro ativo económico, além de elemento conformador do nosso ser nacional.
O Brasil é um país tremendamente sério no seu funcionamento, tem muito pouco a ver com o resto de latinoamérica, além de esterótipos. Neste momento os controlos à imigração são muito fortes, para travar a invasão de pessoas provenientes de todos os estados que rodeiam o Brasil e que a cada dia que passa estão mais na órbita brasileira. O português está passando a ser a língua mais procurada e preferida nos países do Mercosul – incluída a orgulhosa Argentina –. Esquecei-vos do que diz a imprensa espanhola e a regional: não há brasileiros que sejam quem de poderem falar em espanhol por nenhures.
Porém, o governo de Dilma Rousseff – da qual cada dia gosta mais quem isto escreve, pois parece-me a Presidente mais adequada aos grandes desafios que enfrenta o Brasil –, tem adotado duras medidas de travão da atividade económica para evitar o reaparecimento da inflação, e sobreaquecimentos. Os juros estão a um nível que, comparado com a Europa, parecem estratosféricos. Porém, o crédito nem com essas condições trava a sua elevadíssima procura, que faz que capitais internacionais se acheguem ao Brasil procurando uns lucros de que estão muito longe nos seus espaços originários.
Quem pense que vem ao Brasil como um país mais de latinoamérica, onde tudo anda mais barato, que o esqueça. O primeiro que o vai assombrar, se o seu primeiro destino for a megalópole de São Paulo, capital económica do Brasil com os seus mais de vinte milhões de habitantes (Grande São Paulo), são os preços: tudo está muito mais caro que na Galiza. O Real é uma poderosa divisa. Faça o que fizer, quer seja apanhar o transporte público, quer seja procurar um hotel ou alugar uma casa, comer num restaurante normal ou ir a alguma cadeia de supermercados, como por exemplo o Carrefour, sempre comprovará que aqui tudo é mais caro e que o poder de compra de muitos brasileiros é tremendo. Sim, há cousas mais baratas, mas a vida é em geral mais cara.
Em 2010, por sexto ano consecutivo, diminuiu a criminalidade de todo o tipo no Brasil. A primeira indústria do Brasil é a segurança. Porém, o chefe da policia militar comentava o outro dia na Folha de São Paulo que a segurança tinha melhorado muito, mas que ele acreditava que ainda tinha feito mais o sucesso económico dos últimos anos.
Para pedir os documentos brasileiros, o CPF e a carteirinha, há que declarar a cor da pele, isso sim, classificada com os mais variados tons no próprio requerimento. Ao andarmos pela rua, o brasileiro/a vai do rosado sueco, passando por todos os matizes de branco e japónico, ao mais escuro da África, e com todas as combinações possíveis e imagináveis, e, isso sim, com muita abundância tanto em mulheres como em homens de todas as cores da beleza, mostrando que são parte da bela raça brasileira. Aqui a beleza está numas quantidades de pasmar.
As estatísticas do Brasil classificam a população em 5 grupos económicos A, B, C, D,e E. O grupo A é uma elite muito restrita, mas somada com o B chega a perto de sessenta milhões. Porém, o sucesso económico fijo que os grupos C e D somados sejam já muito mais importantes na procura do adsl, o qual acho é bom exemplo do crescimento da riqueza de todos os grupos. O grupo E é um grupo afortunadamente em forte diminuição.
Por São Paulo, que é, com o Rio, a mais insegura das cidades, pode-se andar à vontade e com grande tranquilidade. O outro dia, na sexta, à meia-noite, ia com a Margarida e passávamos por diante de locais com a gente sentada afora, no bairro de Pinheiros; víamos homens e mulheres passeando sós com absoluta tranquilidade. Uma professora madrilena comentou que ela saía vários dias à noite para correr por uma zona não muito bem iluminada. A Margarida perguntou-lhe se tinha medo e ela respondeu que nem por isso, menos do que teria em Madri, que indo com roupa desportiva e sem dinheiro ninguém se ia meter com ela. No Brasil andar sem dinheiro converteu-se em norma. Não há país do mundo com tantos cartões bancários em circulação, todo o mundo leva, tudo se paga com cartão: um táxi, o jornal num quiosque, um gelado num posto de rua. A partir de um real (quase meio euro) pode-se pagar com cartão, e os cartões do Brasil são todos sem assinatura e com as maiores medidas de segurança. Até é possível fazer fracionamentos das dívidas em vários meses com os cartões, sem juros para o comprador.
