Por X. do Galheiro
Primeira questom. Para alguém que ama o ciclismo e é viciado polas maniotas que provoca cada umha das pedaladas, todas as mixiricadas à volta do futebol som frívolas rapazadas, mas eis que um futebolista, Cristiano Ronaldo, com toda a superficialidade que o mundo dos desportos poda ter, foi quem de pôr vários continentes a dançar o “Ai se eu te pego” do artista brasileiro Michel Teló até ser o vídeo do youtube mais visto e a cançom mais ouvida do passado 2011, e ameaça continuar em 2012.
Segunda questom. Quantas vezes podemos ouvir umha mesma música ao longo dumha noite? E as mesmas músicas em diferentes bares e discotecas na mesma noite? Assim que se nom podes com eles é bom pôr-se a mover os quadris co já referido “Ai se eu te pego”.
Terceira questom. No único território do Estado espanhol onde por volta das três da manhá vários colegas se podem pôr a discutir sobre o conteúdo da letra do “Ai se eu te pego” é na Galiza. E lembrando umha outra cançom “Porque será?”.
Quarta questom. Os novos telemóveis tiram-lhe muita piada à conversa, as palavras já nom puxam palavras e nom hai margem para a confusom, para a mentira marota, para adiar a resoluçom para um outro momento, para um outro encontro ou para ficar na dúvida. E aí estava eu coa minha malta a analisar a cançom:
– Di “moça”.
– Nom, di “nossa”.
– Que nom, eu penso que di “moça, ai se eu te pego”.
– Repara bem, di “nossa”.
– Pois é, tés razom.
Quinta questom. Eu procurei e tivem a oportunidade de estudar português, abrim os ouvidos e sobretodo os olhos, e esse mínimo esforço (quando comparado coa trabalheira de me aproximar ao inglês, francês e alemám) tamém é lúdico e cultural, foi por isso que sabia que no Brasil empregam a miúdo essa expressom “nossa” para exprimir admiraçom ou espanto, que é o que lhe passava ao protagonista da cançom à passagem dumha moça. Mas se fosse “moça”, como diziam os meus colegas, tampouco era umha asneira, quadraria na letra, faria pleno sentido e respeitaria a melodia da música.
A reflexom. Que as instituiçons públicas galegas continuem a pôr barreiras na promoçom do ensino do português, na presença de televisons lusófonas, na produçom de programas de cooperaçom transfronteiriça desde umha óptica galega e nom espanhola, provoca que na Galiza nom nos inteiremos das letras da “nossa música”. Ai se tivéssemos essa oportunidade, ai!
