A Igreja e o galego (2)



Igreja do Hospital de Bruma.

Disse na coluna anterior que a história da relação entre a Igreja da Galiza com o galego era uma triste história de repressão; ainda que não tanto como a que exerceu o estado e a classe dirigente. Cumpre também falar da história de defesa do galego, desde o P. Sarmiento no s. XVIII até hoje; no s. XX, desde os começos com o bispo Lago González e os padres e leigos da revista Logos (1931-1936), até as ultimas décadas, com o bispo Miguel-Anjo Araújo e os padres e leigos/as arredor das revistas Encrucillada (1977-) e Irimia (1981-). No s. XIX temos textos da repressão desde o começo; como um manuscrito para a aprendizagem dos noviços no mosteiro de Sobrado, com instruções para corrigir os seus “errores gallegos”. Ao final de século temos o padre Saco Arce, que escreve sobre a literatura tradicional galega, falando do “escasso apreço que os galegos tenhem pela sua língua” e a penosa influência do “idioma oficial”.

No XX, ainda que se repetem as proibições contra o galego nos seminários, em 1933 celebra-se a primeira Missa de Rosalia com homilia em galego; o resto da liturgia ainda seria em latim até 1965. O movimento de galeguização da Igreja começa a preparar em galego a Missa, os Evangelhos, etc. Mas tudo desapareceu com o levantamento fascista. O primeiro Missal não será publicado até 1968 e os Evangelhos três anos antes, obra de Manuel Espiña e Xosé Morente.

Nos anos 60 e 70, houve um grande debate sobre o galego na liturgia e na oração. O Concílio aprovou em 1965 a substituição do latim pelas línguas vernáculas na Missa, mas na Galiza a hierarquia decidiu que a língua era o espanhol e nela devia ser a liturgia; contra a opinião dos cristãos que pugnavam pelo galego de movimentos como “Deus fratresque Gallaeciae”, “Mocidade Católica Galega”… Estes movimentos tiveram uma grande mobilização para mudar as coisas, repartindo milhares de panfletos, e publicando artigos em defesa do galego na Igreja. Posteriormente, a “Associação Irimia” padeceria esta repressão por parte do poder eclesiástico e civil, particularmente nas suas Romagens de Crentes Galegos.

[Este artigo foi publicado originariamente no Nós Diario]

Victorino Pérez Prieto
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