A aposta consciente com o galego (2)



Agradeço os comentários na web de Nós ao meu último artigo; mas algum fez-me pensar. João Lopes Facal falava duma “santa contumácia!”, particularmente por não proceder “da louvada licenciatura por via de aleitamento infantil”. E um certo Xavier, consonte Mª Pilar García Negro, dizia: “Todo galego é aprendido. As pessoas neofalantes deixam de ser neofalantes quando as estruturas da língua se enraízam de tal modo nelas que se naturalizam […] após um período de adaptação ao galego que nativiza essa pessoa”.

Fez-me refletir o de Manuel: “Já dizia eu que este Victorino, padre e tão comprometido com o galego, não podia ser galego”. Será que não é usual os padres galegos –nascidos na Galiza– apostarem conscientemente pelo galego e tem que vir um de “fora” fazê-lo? Se tal fosse a interpretação correta do comentário, dar-me-ia grande mágoa, pois, apesar de ser desgraçadamente uma atitude bastante repetida, é uma postura suicida.

Mas queria dizer também algo a respeito da resposta de Lopes Carreira a García Negro. Terminava o meu artigo anterior a dizer que, mesmo valorando as suas razões, discrepava de Anselmo. Em primeiro lugar, pela sua postura contrária à de Mª Pilar; comentei na altura que partilho e agradeço as palavras da reconhecida linguista. Também porque a atitude rotunda de Lopes Carreira contra o reintegracionismo –duramente criticada na maior parte dos comentários do seu artigo– não me parece aceitável. Considero-a injusta e contraproducente; mais porque a fez no ano de Carvalho Calero, que tanto deu à cultura galega e tanto padeceu essa intransigência. O seu não é um “experimento” externo à nossa língua, que “infeta o galego” como “um vírus devastador”, tal como afirma Anselmo. Longe disso, considero que quem acha que a supervivência do galego está necessariamente ligada ao português, ama a língua galega, pelo menos tanto como quem quer o galego enquanto língua isolada. Todos estamos na mesma luta contra o imperialismo castelhano e inglês. Guardemos as navalhas, como fez Manuel Maria.

 

[Este artigo foi publicado originariamente no Nós Diario.]

Victorino Pérez Prieto
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