Xesús Mato, um cura galego todo-o-terreno

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“Queremos cantar,
queremos berrar
coa forza da fe
que a nosa Galicia
aínda está de pé”.

Com estas palavras duma velha cantiga sua despedíamos o passado 14 de fevereiro a Xesús Mato no cemitério de Portomarim; após o multitudinário funeral na igreja de São Nicolau, animado pelo Orfeón Lucense -coro da Catedral de Lugo- e a gaita de Xosé Luís Foxo à entrada no templo. Ali estavam grande parte dos membros de “Fuxan os ventos”, grupo musical de referência na Galiza, que ele fundara e recebera o nome da emblemática cantiga com a qual iniciávamos estas palavras que levava esse mesmo título: Mero, Mini, Freire, Teresa, Antón Crego… e numerosos amigos da cultura e a sociedade.

Mini dissera nas redes sociais umas palavras expressivas: “A música galega está de loito. A de onte, a de hoxe e a de mañá. E xunto a ela eu camiñarei pola vida con máis soidade. É unha gran perda”. E o comum amigo Xulio Xiz em Portomarim: “Mato foi un crego feliz, soñador e conquistador de imposibles posibles que nos fixo ser máis galegos e, sobre todo, máis humanos”.

Os diários lucenses, galegos e mesmo de fora do país fizeram-se eco do seu passamento, pois era uma pessoa muito conhecida e muito querida: “Faleceu Xesús Mato, sacerdote, musicólogo e cofundador de Fuxan os Ventos” (Nós Diario), “Galicia chora ao cura Xesús Mato, un home que se fixo rico servindo aos demais” (El Progreso), “O crego que cambiou a música galega contemporánea”(La Voz de Galicia), “O mundo da cultura chora a morte do sacerdote fundador de Fuxan os Ventos” (Faro de Vigo), “O padre Mato, a voz do rural galego” (Público), e palavras semelhantes en El español e outros meios.

Xesús Mato (Paradela, 1932) foi cura em Lalim, em paróquias da montanha lucense e na capital. Foi assessor, diretor de programas religiosos e sociais e locutor en Radio Popular de Lugo, onde falava “com uma palavra sem dobreces” (A. Blanco Torrado), colaborou em El Progreso e La Voz de Galícia com artigos sócio-religiosos; foi fundador de Cáritas interparroquial de Lugo, Auxilia Lugo, etc. Era sempre muito bem querido ali onde esteve pela sua generosidade e liberdade para defender aquilo no que cria. Por isso, recebeu numerosas homenagens populares; e outros reconhecimentos como a Cruz Vermelha de Sárria, a Insignia de ouro do Orfeón Lucense, “Lucense do ano”, Fillo predilecto de Paradela, o “Premio Maria Castaña” e o “Moncho Valcarce pola promoción da Terra”… em fim, recebeu também a Medalha Castelao, a primeira vez concedida por petição popular com milheiros de assinaturas.

Eu escrevera há uns anos, num dos livros de homenagem a Xesús Mato coordenados por Xulio Xiz, que era “um cura que escreve em galego e está comprometido não só com a sua língua, mas com o povo galego até o seu mesmo cerne” (“Xesús Mato e os curas comprometidos con Galiza”, Mato sono io… 100 amigos falan de Xesús Mato, Lugo 2009); porque Mato sabia bem que um bom padre é um profeta e um curador dos males dos irmãos, como foi Jesus de Nazaret. O título do meu pequeno texto vinha a conto por uns versos populares: “Preguiceiro do convento,/ aprende a traballar,/ que o pan do Kirieleisón/ sempre non ha de durar”. Eu dizia ali que estas palavras anticlericais, muito reais ontem e hoje, afortunadamente “não expressavam a realidade de todo o clero”. Pois com Mato cumpria lembrar uma longa ringleira de nomes -muitos não estão já fisicamente entre nós- que gosto de trazer à lembrança uma e outra vez: o bispo Araújo, o jesuita P. Seixas, o cónego M. Espiña e os paúles F. Carballo e irmáns Peleteiro; intelectuais como Torres Queiruga, Xosé Chao, Xosé Alvilares ou Martinho Montero; curas nas organizações nacionalistas como Moncho Valcarce, X.A. Iglesias ou Gumersindo Campaña; no mundo obreiro Benito Santos, Xulio Montero, Xaquín Campo, Antón Aneiros, Anxo Currás… en fim, os curas de Irimia X.A. Miguélez, M. Regal, A. Blanco Torrado, Xosé M. Carballo, Ramón D. Raña ou Bernardo G. Cendán… eu ma longa nómina mais, como os também lucenses Antón Gandoi e Anxo González.

O outro livro que se publicou sobre o egrégio cura e amigo lucense, também coordenado por Xulio Xiz, neste caso junto ao seu filho Antonio, foi Xesús Mato, 90 anos… e 50 do seu Fuxan os ventos (Lugo, 2022), com outra cheia de colaborações. Nele, o Conselheiro de Cultura e Universidades da Xunta, Román Rodriguez, iniciava o volume dizendo com acerto: “Há homes polivalentes neste mundo, e depois está Xesús Mato” e chamava-o “uma icona galega”.

[Este artigo foi publicado originariamente no Nós Diario]