Por Heitor Rodal Lopes
No início deste mês de Dezembro tivem a ocasião de ir visitar a escola de Ensino Galego ‘Semente’ em Compostela. Passado o tempo e já com vagar para fazê-lo, não posso deixar de comentar aqui o que vim e o que me foi sugerido por esta escola.
Certamente, penso não errar se afirmo ser este um dos projetos mais importantes que está a ser desenvolvido polos setores mais conscientizados –ou, por melhor dizer, ‘multiconscientizados’- do nosso País. E não só, como corresponde por lógica, polo tratamento dado à Língua própria do Páis, mas antes polo tratamento dado às crianças, verdadeiro tesouro a respeitar, valorizar e proteger tanto a nível coletivo, quanto individual.
O cuidado e o encanto da escola são percebidos de imediato ao entrar nela: os seus diversos espaços são duma beleza e dum amor polos materiais que admira. Predominam aí os materiais naturais e as cores harmónicas, realçados ambos pola abundante luz natural que entra polas amplas janelas. Já em cada aula achamos os distintos espaços de atividade para as crianças: as cadeiras e mesinhas, um pequeno e lindíssimo circuito de psicomotricidade para os mais cativos, uma zona de leitura para os maiores, os diferentes materiais de trabalho bem arrumadinhos nas suas respetivas caixas: brinquedos, pinhas de pinheiro, cunchas, cores de pintar, peças de puzzle, pedras … E tudo isto complementado ainda por um formosíssimo pátio traseiro onde ainda há árvores, jogos e trapézios. Um lugar onde estar em contato com a Terra, o Sol, o Ar. Certamente, vêm vontades de tornar a ser cativo para poder brincar aí.
Porém, nada disto seria suficiente para afirmar ser a Semente uma boa escola. E contudo e já agora, posso afirmar que a pedagogia que promove a Semente é a mais avançada que há atualmente neste campo: um ensino não diretivo a partir do respeito e acompanhamento no desenvolvimento de todas as capacidades próprias de todas e cada uma das crianças, vendo as diferenças como uma riqueza e não como um problema e valorizando as crianças como as pessoas integrais que são. A Semente é certamente um espaço que convida a desfrutar, a aprender, a relacionar-se sobretudo a estar e a achar-se bem nele.
Disque estamos numa época de crise em que nos encontramos na obriga de poupar as despesas desnecessárias. Seica terão razão. Com certeza poderemos passar sem muitas cousas supérfluas, mas não é lógico nem se devia poupar naquilo de mais valor que temos: o futuro.
