Sobor da estrategia

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Por Valentim R. Fagim

 

No email que enviei à equipa correctora do Novas, pedim-lhes para deixar o título tal como está. Hoje vou quebrar umha regra nascida de várias anos a escrever artigos sobre língua: focar a atençom na correcçom do código. Esta regra nasceu por dous factos. O primeiro é que, em geral, o pessoal se molesta e até se desmotiva quando ressaltam os seus erros e, muito mais importante, porque a imperícia no código é um indicador do vigor social de umha língua num dado território. Por outras palavras, se há que corrigir qualquer cousa, é melhor começar polas origens. Ou como recomendam na Teoria de Gestom de Grupos: duro com o problema e mole com as pessoas.

Neste língua nacional queria centrar-me sobre a natureza dalguns erros. Nom interessam agora os que surgem diretamente do facto de o castelhano ser a língua socialmente dominante, os castelhanismos, e que som a imensa maioria. Há um outro tipo de erros que acho mais atractivos. Os textos da literatura galega estám repletos deles: sobor, oficinha, estrano, crás, rubidoiro, televejo, semá. O esquema é assim: umha dada palavra é comum com a correspondente castelhana e tenta emendar-se a falta. Todos eles tenhem em comum surgirem da vontade de língua, o que os torna erros amigáveis.

Recentemente estám-se a divulgar uns outros erros maravilhosos porque colocam um novo esquema sobre a tabuleiro. Som hipercorreções baseadas nas variedades da nossa língua que som hegemónicas socialmente. É o caso da palavra ESTRATEGIA. Dado que as palavras portuguesas academIa, alergIa, anemIa, epidemIa… som em castelhano acentuadas no E, as pessoas generalizamos esta regra e inventamos estrategIas, um indicador claro de que escorregamos na direcçom certa.

É a estratégia da estrategia!

 


(*) Opiniom publicada originalmente no Novas da Galiza