Livros são teimosos. Por isso conversamos com os pilares das Ediçons Arredistas, Vítor, Xandre, Jorge, Inês e Paulo. Esta editora nasce para dar a conhecer trabalhos no campo do independentismo galego e da esfera revolucionária. As primeiras ediçons confirmam que existia essa necessidade.
Explicai-nos o que são as Ediçons Arredistas de duas formas: usando um máximo de sete palavras e usando três Tags.
1) Recuperaçom das linhas políticas da esquerda independentista
2) Memória, formaçom, debate
Porque era preciso que nascesse Ediçons Arredistas? Que se estava a perder?
Achamos que num momento de debilidade organizativa da esquerda independentista era precisa umha iniciativa que permitisse duas vertentes: por um lado a recuperaçom e reediçom de trabalhos elaborados historicamente por pessoas ou organizaçons ligadas ao independentismo (ou precursoras do mesmo), de modo que se poda analisar e compreender como se pensava em cada altura, que inquietudes e que projetos havia etc. Por outro, a reediçom de textos clássicos ou atuais da esfera revolucionária ao longo da história, de forma que permita refletir sobre os desafios que a atualidade coloca. Ademais, pensamos que também é interessante a possibilidade de juntar e disponibilizar este tipo de obras no modelo reintegracionista do galego.
Finalmente, retomando o tipo de textos que queremos trabalhar, consideramos também que se estava a perder nas últimas geraçons a transmissom de toda essa informaçom e todo esse trabalho realizado polas diferentes estruturas do movimento independentista.

Criastes uma editora na ditadura do ecrã. Existem suficientes pessoas dispostas a aprender através da leitura em papel?
Nós diríamos que si. É verdade que os formatos digitais tenhem muitas vantagens, mas ainda existe certa predileçom polo formato papel, mesmo em pessoas novas. Muitas pessoas valorizam também essa “desconexom” que permite o papel, a possibilidade de fazer anotaçons etc. Aliás, pensamos também que ambos os formatos nom som necessariamente excludentes entre si e podem conviver.
O vosso projeto é ativista. Em geral, o trabalho que implica editar um livro não faz parte do saber comum. Que receção estais a ter?
Efetivamente nom é algo que faga parte do saber comum e nom temos o conhecimento técnico que pode ter alguém profissional. A verdade é que nom sabíamos muito bem se teria sucesso, mas o primeiro título editado já vai pola segunda ediçom e ficam poucos exemplares à venda. Portanto, estamos satisfeitas e muito agradecidas com a resposta obtida.
Pode-se ver tanto no mundo editorial como no livreiro, que a especialização é uma boa estratégia. Que nos vai oferecer Ediçons Arredistas? Não apenas agora, mas a médio prazo?
Principalmente é a história política e organizativa da esquerda independentista e os seus precursores o ámbito em que mais interesse temos. A nossa ideia nom é ficar única e exclusivamente nisso, mas sim seria o nosso campo prioritário.
Como adianto, podemos dizer que estamos já a trabalhar em dous textos: um sobre o arredismo na Galiza durante a década de 30 do século passado e outro sobre um texto de finais do século XX. E neste último caso também estamos a contar com ajuda de protagonistas diretos, o qual cremos que vai enriquecer e facilitar a compreensom do tema.
Se existisse uma lâmpada mágica de onde saísse um génio do tipo editorial, que concedesse qualquer desejo, que projeto gostariais de ver realizado?
Provavelmente, projetos muito ambiciosos como o guia histórica dos centros sociais da Galiza ou um guia completa das organizaçons integrantes do MLNG, mas dentro das nossas capacidades tentaremos fazer caminho e marcando-nos a médio e longo prazo este tipo de trabalhos.
