A obra, distinguida com o I Prémio a Trabalhos de Criação Literária da Cátedra Carvalho Calero da Universidade de Santiago de Compostela, situa a sua narrativa no antigo Egito e combina poder, responsabilidade e reflexão sobre a condição humana.
A Através Editora acaba de publicar Ensinamentos de Rahotep, romance de Ângelo Brea que venceu, em 2025, o I Prémio a Trabalhos de Criação Literária da Cátedra Carvalho Calero da Universidade de Santiago de Compostela. O livro integra a coleção Através das Letras e conta com 472 páginas.

A narrativa acompanha o príncipe Rahotep, segundo na linha de sucessão do trono egípcio. Sábio, justo e generoso, o protagonista acumula responsabilidades militares, políticas e religiosas. Em tempo de paz, recebe do seu pai, Sneferu, o senhor das Duas Terras, a missão de gerir e supervisionar grandes obras arquitetónicas, procurando extrair da dureza da pedra significados sublimes e transcendentes.
A tarefa, porém, não está isenta de dificuldades. Nem mesmo a morte de uma pessoa próxima o afasta das suas obrigações, antes amplia o peso das responsabilidades que recaem sobre si.
O romance foi distinguido por unanimidade pelo júri do prémio. Sobre a obra, o escritor Carlos Quiroga salienta as suas qualidades literárias e considera que o livro ultrapassou as expectativas do júri que lhe atribuiu a distinção.
Sobre o autor:

Ângelo Brea (Santiago de Compostela, 1968) é licenciado em Filologia Hispânica pela Universidade de Santiago e em Filologia Galego-Portuguesa pela Universidade da Corunha. Foi bolseiro do Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, onde realizou, em Lisboa, o Curso Superior de Estudos Portugueses. Realizou estudos de doutoramento sobre «Teoria da Literatura e Literatura Comparada» e apresentou a sua memória de licenciatura sobre «Os descordos galego-portugueses. Análise comparativa com os seus homólogos provençais e franceses».
Trabalha como professor titular de Língua e Literatura Galega e de Língua Portuguesa no Liceu de Bertamirães (Ames). Foi secretário das Irmandades da Fala da Galiza e Portugal e coordenador de vários congressos internacionais sobre literaturas lusófonas e sobre a língua portuguesa no mundo. É membro da Academia Galega da Língua Portuguesa. A sua obra literária começou com o breve poemário Livro do caminho (1989). Além disso, está presente nas antologias Mátria da Palavra e Antologia da Poesia Lusófona. Foi coautor da obra teatral Eva Perón, vencedora do Prémio Compostela de Teatro em 1995. O seu seguinte poemário, intitulado O país dos nevoeiros (Espiral Maior, 2005), reúne 91 poemas, sendo esse número uma homenagem ao também escritor galego Eduardo Pondal. A sua obra em prosa começou com a publicação dos contos «Eu levei a cruz da Santa Companha» (revista Nós, n.os 41–50) e «Uma história de bruxas» (revista Nós, n.os 51–58). Em dezembro de 2014, publicou Lembranças da Terra & outras histórias de um futuro possível. Trata-se de um livro de 16 relatos de ficção científica. Um desses contos, «As grandes vantagens da neolíngua», inspirou a antologia A voz dos mundos. Contos de Ficção Científica (Editorial Mondrongo, Ilhéus, Baía, Brasil, e Através Editora, Santiago de Compostela, Galiza), com autores galegos, portugueses e brasileiros. Em 2019, publicou o livro Tempo de Eclipses, que é uma compilação de toda a sua obra poética. Acompanha a edição um amplo glossário e dois artigos sobre métrica. O primeiro (pp. 271–283) estuda o verso clássico por excelência, o hexâmetro, e explica o processo de adaptação deste verso à língua portuguesa, seguindo os modelos de outras línguas de cultura. Um segundo artigo, intitulado «Da sextina aos quadrados mágicos: esquemas métricos com base matemática», mostra a grande novidade de criar esquemas métricos regularizados baseados nos quadrados mágicos. O autor colabora habitualmente com a página https://contosdeterror.site, onde foram publicados alguns dos seus relatos de mistério e de terror. Em 2022, foi publicado o livro Nos vales do Máriner e outros relatos, no qual foram publicados 17 relatos de ficção científica. Em 2025, ganhou o Prémio da Cátedra Carvalho da Universidade de Santiago com a obra Ensinamentos.
