Se eu fosse eles

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Por Valentim R. Fagim

Se eu fosse eles, criava um think tank chamado “España, un país, una lengua universal”. Se eu fosse eles, elaborava um relatório com o título: Garantir la substitución linguística en Galicia.

A secção primeira levava por título: Desligar o galego do português.

  • Objetivos.
  • Institucionalizar o castelhano como única ferramenta cultural e linguística: literatura especializada, Internet, música…
  • Estrageirizar o português.
  • Dialetalizar o galego a respeito do castelhano.
  • Afastar o conflito dos foros internacionais, reduzindo-o a uma questão regional.

  • Meios.
  • Oficializar uma normativa linguística nas coordenadas do castelhano.
  • Não promover a língua de Portugal e do Brasil: ensino, mass média…

Se eu fosse eles, a secção segunda levava por título: Tornar o galego inútil.

  • Objetivos.
  • Manter o estatuto social do castelhano como “língua a sério”.
  • Criar antipatia e estranhamento na cidadania por uma língua que não funciona como tal.

  • Meios.
  • Dar ao galego um estatuto legal de artefacto secundário e prescindível.
  • Não promover o galego naqueles espaços de maior prestígio social.
  • Usar o discurso de “liberdade individual” ou o de “sentido comum / praticidade” segundo for preciso.

Se eu fosse eles, dissimulava um bocadinho.

Embora talvez não o precisem.


(*) Artigo publicado originariamente no n.º 78 do Novas da Galiza, na secçom Língua Nacional.