Religião

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Por Valentim R. Fagim

Recentemente, num fórum-debate, um professor universitário abjurava do reintegracionismo enquanto a sua mãe fosse viva. Nesse mesmo evento, um escritor de grande capital simbólico, considerava herética a pronúncia, como i, da conjunção E (ao mesmo tempo que canonizava a palavra bueno). Também por estas nossas paragens temos assistido, e assistimos, a debates teológicos entre a seita do Om e a do ÃO, onde, muitas vezes, falam mais os dogmas de fé do que o empirismo e as análises.

É engraçado, até, que muitas das pessoas que vivem a língua como uma religião afirmam, de facto, serem ateias e ainda anticlericais. Isto não é obstáculo para elas terem um santoral (com vivos e mortos), lugares e dias santos.

Vários autores têm advertido sobre o poder das línguas para virarem Totens. Uma das consequências disto, é o facto de as pessoas viverem da língua ter-se tornado pecaminoso em certos ambientes (o que, diga-se de passagem, não se condena para outras línguas). Tudo deve ser feito por amor à deusa-língua-mãe. Amén.

No entanto, em minha opinião, o efeito mais paralisante da totemização, é que esquecemos o xis da questão:

Definir objectivos, por exemplo, o galego como língua nacional e formular ações para o atingir. Para isto, o laicismo dá mais jeito.


(*) Artigo publicado originariamente no n.º 74 do Novas da Galiza, na secçom Língua Nacional.