Por Valentim R. Fagim
É sábado e a Marisa ergue-se às 10:00. O despertador canta aquilo de “Avião sem asa, fogueira sem brasa…” da maravilhosa gaúcha Adriana Calcanhoto. Com a melodia na cabeça toma duche e depois vai até à cozinha preparar o almoço.
Como fai regularmente, abre o Chuza para ver as notícias selecionadas pola comunidade, especialmente as de Galegoman. No jantar com a malta poderá contornar os temas enlatados e bater papo sobre temas originais, mais oxigenados.
Pega no carro, acende o rádio e sintoniza Galicia por diante, umha entrevista dirigida por Belén Regueira sobre novas profissons. Fai vários recados e vai jantar com o pessoal, onde uma das notícias do Chuza provoca uma conversa intensa dessas do tipo: temos-que-salvar-o-mundo.
De tarde, nom deveria porque é sábado, mas quer preparar uma boa aula sobre história medieval. Abre a wikipédia e procura um artigo sobre Joana a Beltraneja, onde descobre que em Portugal recebe o nome de Joana de Trastâmara ou a “Excelente Senhora”… sabemos como é, a história é de quem a escreve.
Gosta de ouvir música enquanto trabalha, abre a Cotonete e cria uma rádio com Buraka Som Sistema. Na verdade, nunca soubem como é capaz de trabalhar com o Kuduru de fundo… mentes som insondáveis.
Som já às 20:00 horas e duvida entre sair com o pessoal a tomar um licor café ou ficar na casa a ler um livro… ganha a leitura, por uma vez. Pega no último livro da Trilogia Millenium, A Rainha do Castelo de Ar, está mesmo enganchada e hoje dará cabo dele.
Um dia qualquer, de uma pessoa qualquer, cada vez mais comum na Galiza.
(*) Opiniom publicada originalmente no n.º 108 do Novas da Galiza, na secçom Língua Nacional.
