Qualquer um

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Por Valentim R. Fagim

Muito se tem escrito sobre a linha que separa umha língua de umha nom-língua. É já famosa a sentença, atribuída ao linguista judeu Max Weinreich, que afirmava: umha língua é um dialeto com exército e marinha. A nossa tem de ambas mas noutras terras e noutras costas (e abandono já agora esta metáfora que a mais de um lhe cresce água na boca).

Quando nom se tem o que é preciso, é comum o pessoal mistificar o que possui e, no mesmo embrulho, desprezar aquilo de que carece. A este respeito,  proclamava Unanumo em 1909 “que inventen ellos”, em referência aos europeus do norte.

Ora, nós também inventamos e mistificamos, por exemplo o playmobil galego-falante. Infelizmente, nom há lá muitos tipos. Um deles é um pessoa idosa, a morar no âmbito rural, quase sempre com boina ou um pano negro. Outro é um rapaz ou rapariga de cidade, as mais das vezes com capuz. Está também o político profissional com panamá.

E parece que o resto nom interessa. Jogamos tudo a dous ou três números (e na roleta há 37).

Mas o certo é que umha língua é tal, quando falada polo banqueiro, o bancário e o que vive em permanente bancarrota, polo explorador e o explorado, polo militante incandescente e o dependente televisivo, o aldeám e o citadino, o generoso e o grande filho da mãe. Qualquer um.

 


(*) Opiniom publicada originalmente no n.º 79 do Novas da Galiza, na secçom Língua Nacional.