Para o que come…

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Por Valentim R. Fagim

Numha conhecida vinheta de Castelao aparece um cam esfomeado que mal se mantém sobre as suas patas. Ao pé dele conversam dous homens. Um deles é o dono. O outro é um vizinho que, preocupado polo estado de abandono do animal, pergunta: Por que nom lhe dás de comer, ó?

Ao que responde o dono: para o que fai…

O vizinho insiste: por que nom o matas entom?

E o dono retruca: para o que come…

Conversa datada um dia de julho de 2009.

(Professor de um centro de secundário): Nom pensas que é pouco útil escrever o galego com umha ortografia diferente que os portugueses e os brasileiros?

(Director do mesmo centro): Umha cousa é o galego e outra é o português.

Conversa datada um dia depois com os mesmos actores.

– Que tal se para o próximo ano ofertamos como segunda língua estrangeira o português?

– Para quê, ó? Sabendo galego nom fai falta estudar português.

 


(*) Opiniom publicada originalmente no n.º 80 do Novas da Galiza, na secçom Língua Nacional.