O ovo

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Por Valentim R. Fagim

Umha das frases que mereceria estar no pódio polo seu poder paralisante é: as línguas irmáns. Estas três palavras dizendo nada dizem tudo. Tenhem servido para lavar as maos, fazer boa cara e nom mexer um dedo.

Em 2000, o escritor Suso de Toro comparava a cultura galega com um aquário confortável. Lá fora chovia a cântaros mas o pessoal estava bem cómodo entre as suas paredes de vidro. Afinal, as leis do mercado e do público nom lhe diziam respeito. Sempre achei, de certeza, umha boa metáfora. Vamos trocá-la já agora por umha outra, um ovo.

Há que começar por notar que este ovo é um bocado especial, precisa de muitos nutrientes e, no entanto, é pouco nutritivo. É assim como um ovo para observar, ou para mostrar, nem tanto para comer. Portanto, o pessoal prefere alimentar-se noutros espaços enquanto o ovo continua no mesmo lugar, com a mesma forma, a oferecer o mesmo.

Sem quebrar ovos não se fam omeletes diz o ditado popular.


(*) Opiniom publicada originalmente no Novas da Galiza, na secçom Língua Nacional.