O espírito da maré

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Por Valentim R. Fagim (*)

Na VIII ediçom de cantos na maré, o público, que abarrotou o paço de Ponte Vedra, pudo ouvir muitos sabores da nossa língua, sabores do Alentejo, da Luanda, de Pernambuco, de Mós e de Cedeira. Mas nom só ouviu como também entendeu e comunicou num evento que, para além do Padornelo, nom podia alcançar nunca a mesma química entre o palco e a plateia. Galiza, sítio distinto.

A maré trouxo-nos Aline Frazão, que cantou Maria Silêncio, o tema com que ganhou o concurso Musicando Carvalho Calero, a quem homenageou no evento arrancando o aplauso do público. A maré trouxo também a loucura de Lenine e o veludo de António Zambujo, loucura aveludada que nos pujo a pele de pita.

E as anfitrioas que lhes abriram o coraçom da Galiza, que lhes mostraram outra visom do país através do sabor que nos une, fôrom as incansáveis Uxía Senlle e Guadi Galego. A cantora de Mós deu-nos a maravilhosa notícia de que a próxima maré podia chegar ao Brasil e evidenciar-se assim que nom se trata apenas de importar sabores como também de levar o nosso gostinho para outros cantos do nosso planeta cultural. Eu ganho, tu ganhas, nós ganhamos.

Trata-se agora de que esta experiência aumente de escala e que todos os galegos e as galegas podam descobrir e podam gozar da internacionalidade da nossa cultura e da nossa língua. Fazemos votos para que na próxima ediçom, o evento nom seja radiado apenas por RNE como também o seja pola nossa RG.


(*) Artigo publicado originariamente no jornal Galicia Hoxe, em 21 de dezembro de 2010.