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O ‘Atlas das Nações sem Estado da Europa’ «pode ser para muitas pessoas a primeira leitura aprofundada em galego internacional»

Capa do Atlas das Nações sem Estado da Europa_2015
O Atlas das Nações sem Estado da Europa (ANSEE) é um ambicioso trabalho documental e divulgativo elaborado pola plataforma Eurominority. Dirigido polo bretom Mikael Bodlore-Penlaez, foi editado em francês e inglês. A versom galega que o Novas da Galiza, a Difusora de Letras Artes e Ideas e a e Através Editora estám a preparar é umha ediçom atualizada e completada que pretende socializar a realidade presente de povos que, como o nosso, se empenham em manter viva a sua identidade.

«Sabíamos que devíamos confiar
o projeto à vontade da gente
para fazê-lo real»

A ideia de criar uma ediçom galega deste Atlas surgiu de Abraham Bande, que desde miúdo viu «muito atraentes» os mapas em geral e os livros em formato atlas. No entanto, sempre percebiu que estes materiais tinham «um mesmo enfoque, orientado à centralidade», e onde não havia lugar a mostrar a diversidade e realidade dos diferentes povos «que, como o meu, deviam ser expostos num mapa qualquer».

Passado o tempo, descobriu a plataforma Eurominority e interessou-se polo seu trabalho, sobretudo, no aspeito cartográfico, «já que achei que estavam feitos a partir do respeito às realidades minoritárias; nom apenas na Europa, também no resto do mundo».

Isto levou-no a contatar diretamente com o responsável da organizaçom, o bretom Mikael Bodlore-Penlaez, a quem solicitou um exemplar em inglês do Atlas of Stateless Nations in Europe. Também se disponibilizou para ajudar com pequenas traduções ao galego-português ou ao catalão, propostas que Bodlore-Penlaez valorizou positivamente, até o ponto de que «ele me propujo fazer a versom do seu Atlas na língua que eu escolher».

Como Abraham nunca participara num projeto de «tais características e magnitude», contatou Xavier Paz da editorial Difusora. Entre os dous «conseguimos juntar uma boa ideia, com uma alta qualidade na linha editorial» e tentárom também procurar a maneira de o fazer logisticamente viável. Conhecedores de que «nom teríamos ajudas públicas», sabiam que «devíamos confiar o projeto à vontade da gente para fazê-lo real», assinala Bande. Foi assim que tomárom a «boa decisom» de contatar com o jornal Novas da Galiza e com a Associaçom Galega da Língua (AGAL).

Livros incontornáveis

Uma das páginas dedicadas à Bretanha neste Atlas
Uma das páginas dedicadas à Bretanha neste Atlas

Segundo Xavier Paz, o ANSEE é, à partida uma proposta «para um público que parte de um grau de consciencia e compromisso prévios elevados e que nom tem um livro de consulta destas características, e menos no seu idioma». Destarte, o «repto» para a Difusora será «ampliar a todos públicos potenciais, pois estamos convencidos de que como qualquer outro atlas, este é uma obra de interesse geral para todo tipo de público interesado em conhecimentos geográficos, históricos e políticos».

Valentim Fagim explica que a Através Editora, de cuja equipa é parte, tenta, na medida das suas possibilidades, «editar livros marcantes, livros que os galegos e galegas com interesse pola Galiza e as suas realidades, nom possam contornar». Como exemplos, coloca o recentemente premiado Galiza, um povo sentimental? ou também O pequeno é grande. «O Atlas das Nações sem Estado da Europa entra na categoria de livros incontornáveis», insiste Fagim; livros «que para muitas pessoas pode ser a sua primeira leitura aprofundada em galego internacional. A Através existe, entre outras cousas, para provocar essas leituras primeiras».

Uma aposta «coerente e natural»

Carlos Barros revela que a equipa do Novas da Galiza valorizou «muito positivamente» esta iniciativa, na qual colabora «achegando capital humano para a adaptaçom e atualizaçom dos conteúdo», ademais de o divulgar entre a rede de assinantes da publicaçom «para fazer viável esta ediçom».

Para o Novas, ademais, trata-se de um projeto com muito significado, pois as nações sem Estado «recebem um tratamento especial no nosso jornal», explica Barros. O jornalista lembra que as páginas do periódico mensal contárom por vários anos com a secçom «Povos», nos quais se deu a conhecer a realidade de numerosas nações «que, como a nossa, nom som donas dos seus destinos e nom se resignam a manter esta situaçom».

Para o jornalista, uma publicaçom deste teor «demonstra que nom estamos sós no mundo», também, «que a reivindicaçom de vitalidade para as nossas culturas e identidades é um fenómeno que partilhámos com múltiplos povos do mundo» e isto constitui «a melhor maneira com a que contamos para desafiar a globalizaçom e homogeneizaçom imposta». Assim pois, a participaçom do Novas da Galiza é «coerente e natural tendo em conta a nossa linha editorial e trajetória».

«Se o projeto do Atlas tivesse
nascido há uns anos,
teria nascido em galego-castelhano»

Por que em galego-português?

Ficha da Galiza no site Eurominority
Ficha da Galiza no site Eurominority

Por que o ANSEE é editado em galego-português e nom seguindo a normativa oficialista? Abraham, a ideia por trás do projeto, confessa que «nom tinha dúvidas que devia ser em galego-português», e em todo momento encontrou para isso o apoio do autor original, Mikael Bodlore-Penlaez. «Na Galiza temos a sorte de dispor de uma língua internacional, mesmo que nom seja reconhecida internacionalmente», explica. «Mas temos uma sólida base em critérios históricos, culturais e lingüísticos que deve aproximar-nos ao resto de nações lusófonas. Este trabalho é uma maneira de reivindicar essa riqueza que possuímos e facilitar a irmaçom linguística», salienta.

«Se o projeto do Atlas tivesse nascido há uns anos, nom me atrevo a dar uma cifra exata de anos, teria nascido em galego-castelhano, por “pragmatismo”», comenta Fagim. Porém, «estamos em 2015 e nasce em galego-português», explica feliz o co-editor.

Uma adaptaçom «complexa»

Quanto aos aspetos estritamente editoriais, Xavier Paz assinala que a ediçom galega experimentará uma profunda revisom nos aspetos gráficos «e mesmo na estrutura» a respeito das duas edições anteriores. Por outra parte, «respeita os critérios e as escolhas do projeto Eurominority», intervindo «minimamente» nalgumas vozes que necessariamente devem ser atualizadas devido aos recentes acontecimentos políticos europeus «e nuns poucos casos com adaptações para o público galego».

No que atinge à traduçom, Fernando V. Corredoira explica que «nom houvo dificuldade de maior», se bem requereu «especial cuidado» a profusom onomástica —topónimos, antropónimos e etnónimos.

Contudo, uma «questom interessante» surdiu no que respeita à classificaçom dos povos elencados no Atlas. No original em francês e na versom inglesa, o critério para agrupar estes grupos humanos «é lingüístico ou, mais exatamente, por “famílias” ou grupos de línguas». Temos, portanto, os [povos] Celtas, Germânicos, Eslavos… assim até aos Fino-úgricos. «Da nossa parte nada a objetar, naturalmente», aponta Corredoira, «a nom ser que a Galiza entrava na rubrica de [povos] Românicos/Romances (se do francês) ou Latinos (do inglês)», com o matiz de que «românico/a» se aplica à arquitetura, arte e também às línguas, mas no caso dos povos «nom nos parecia que aqui dixesse muito». Quanto a Latinos, «pareceu-nos vago de mais» e com o inconveniente «de trazer à cabeça produtos da indústria cultural do tipo Julio Iglesias».

A soluçom a esta questom consistiu em «usarmos um critério diferente para agrupar estes povos mais ou menos díscolos, mais ou menos existentes». Assim, «a Geografia e um historiador britânico (Barry Cunliffe) vieram lembrar-nos que a Europa é uma vasta e diversa península entre oceanos (esses caminhos) e que o continente deve a sua riqueza humana a uma singular variedade de ecozonas interligadas. Resolvemos, enfim, usar o critério das ecozonas, com consideráveis vantagens, que leitoras e leitores apreçarám, segundo cremos».

Um atlas costuma ocupar
um «lugar importante»
nas bibliotecas das pessoas

Um processo participativo

Como reflexões finais, Valentim Fagim aguarda que a ediçom tenha boa receçom e lembra que se trata de um projeto «ambicioso», também «de qualidade» e com um formato, o atlas, que costuma ocupar um «lugar importante» nas bibliotecas das pessoas.

Para Abraham Bande, este Atlas devia converter-se «num referente» na Galiza. Atualmente só tem versões em francês e inglês, polo qual a versom galego-portuguesa «parece-me, simplesmente, necessária».

Por último, Xavier Paz, aponta que uma parte importante das propostas da Difusora têm como caraterística serem «obras coletivas e participadas». Neste senso, «acreditamos profundamente na potencialidade das obras produto de processos participados, pois a experiência demonstra-nos que quando se oferecem espaços de participaçom em liberdade, aflora a inteligência, a motivaçom e a criatividade dos grupos implicados multiplicando as potencialidades individuais».

Reservas

É possível reservar já o livro para o receber a preço especial e antes de que esteja disponível em livrarias. No caso de sócias e sócios da AGAL, ao ser esta umha das entidades que editam o ANSEE (mediante a Através Editora), o preço é ainda mais especial. O formulário de reserva agálico está disponível premindo nesta ligaçom.

É possível ver um adianto, o capítulo da Bretanha, premindo aqui.

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