Por Heitor Rodal Lopes
Uma maneira muito útil e fácil de entender o desenvolvimento e desenlace de qualquer conflito humano, nacional, económico ou militar é fazer um balanço energético do mesmo. O vencedor é sempre aquele que, sem necessidade de ter o maior número de meios humanos ou materiais, é capaz de aplicar mais energia com fins destrutivos (entrópicos) no campo contrário. Qualquer pessoa entende que de nada servem um milhar de tanques ou aviões se não há combustível para movê-los.
A disponibilidade de energia, então, e a capacidade para a aplicar mais eficientemente em campo contrário em favor dos próprios objetivos, criando caos e desorganização no campo do adversário, é o que nos permite entender os resultados de conflitos passados e prever o resultado dos futuros.
Assim por exemplo, uma das máximas regras da estratégia militar desde a famosa obra “A Arte da Guerra” do tratadista chinês Sun Tzu é não enfrentar uma força superior e, contudo, isso não é sempre possível. Será preciso prever então uma estratégia que aumente a nossa eficácia e diminua a do adversário.
Nesse caminho e perante uma desigualdade manifesta entre dous contendentes uma estratégia muito efetiva a ser tomada polo contendente mais fraco é a tática da guerrilha, obrigando o inimigo a dispersar as suas forças e atacando-o então só quando as forças próprias são superiores e os ganhos evidentes. Cumpre ter em conta também que as táticas guerrilheiras não são sempre empregadas só polo contendente mais fraco para explorar as suas vantagens, mas também por aquele que tem a superioridade. Entra dentro dentro do que se denominam tácticas de “anti-insurgência” -ou “antiguerrilha”- e cumpria termos isto bem presente.
Porém, há também casos de quem achando-se em território hostil e não dispondo duma superioridade numérica sobre o adversário enfrontou forças superiores mediante estratégias que o levarom à vitória apesar da clara desvantagem de partida. É por exemplo o caso de César na Guerra das Gálias. Tendo ao seu dispor forças muito mais reduzidas, ainda que mais preparadas, que os seus inimigos, aproveitando também as luitas internas entre os gauleses, decidiu dar-lhes um golpe mortal no desastroso e definitivo assédio de Alésia: tendo-se refugiado Vercingétorix com as suas forças na Cidadela, César decidiu cercá-los com um duplo valado com dous objetivos:
- cortar os subministros (a energia) aos assediados
- mantê-los afastados e evitar a chegada de reforços exteriores.
A estratégia deu certa e Alésia e a Gália toda cairom em mãos dos romanos.

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Pois: Isolamento interior e com o exterior, e inanição: diz-vos algo?
Por outra parte, e por aprofundar mais no elemento básico da análise proposta, a energia, digamos que cada salto energético entre dous estados ou estádios diferentes de energia implica uma perda energética, em forma de energia disipada na sua transformação, que podemos exprimir também dizendo que houve um aumento da entropia. A energia pode, aliás, ser convertida ou traduzida também para outras magnitudes ou unidades segundo os casos: pode ser número de homens dum exército, mas também os recursos económicos ou monetários disponíveis dum país. De facto, um dos factores que se utilizam atualmente para medir a potencialidade e a qualidade de vida de qualquer sociedade é a quantidade de energia consumida por habitante. Assim, constata-se que as sociedades que têm maior consumo energético são as que têm maior qualidade de vida.

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Num futuro próximo é de prever que se deva introduzir também um parâmetro de eficiência no uso da energia que desligue esta relação entre consumo de energia e nível de vida.
A falta de energia em qualquer das suas formas numa sociedade tem o mesmo efeito do que a falta de comida num exército assediado: quebra os laços de solidariedade intergrupal e predispõe os seus membros a chegar a arranjos particulares ou saídas individuais com o inimigo. E isto provoca perda de confiança mútua, isolamento, soidade, desânimo e decaimento.
Não vos diz alguma cousa isto?
Por outra parte, no Estado espanhol está agora na moda falar das balanças fiscais entre regiões. Quiçá era bom reclamarmos também as balanças energéticas que exprimam as diferenças entre a energia produzida e a energia consumida per cápita em cada região, contabilizando aí também a energia exportada em forma de matérias-primas e mão de obra, para entendermos melhor o bombeamento energético e económico que realizam algumas regiões em favor doutras, recebendo as primeiras quase nada em compensação e suportando por cima os efeitos entrópicos da atividade de produção da energia e matérias (encoros, estradas de acesso, linhas de alta tensão, eucaliptais, moinhos de vento…).
Por isso, quando as elites traidoras dum País organizam a estrutura produtiva e energética do mesmo orientando-a só a suster e alimentar o crescimento económico de áreas situadas fora do seu território que apoiam e suportam pola sua vez essas elites em contra dos interesses do próprio País, mesmo chegando a suspender, modificar e mudar o resultado de concessões energéticas já realizadas para continuar bombeando qualquer nova fonte de energia ou riqueza cara ao exterior e deixando no próprio território apenas os salários mínimos de miséria para a manutenção das infraestruturas necessárias e as consequências entrópicas da produção de energia, alguérm pode dizer-nos quem é o assediado, quem o assediador e os seus objetivos e prever qual será o resultado do conflito?
