Por Valentim R. Fagim
Existe um grande campo de incomunicaçom no Reino de Espanha no relativo às línguas. Para já, a maioria dos cidadaos e das cidadás som ferozmente monolíngues. Em demasiadas ocasions, este monolinguismo feroz nom é visualizado como um carência mas como umha virtude. O “que inventem ellos” de Unanumo transforma-se em “que hablen ellos”. Dá-se, até, umha firme identificaçom do falante com a sua língua; quantos mais milhons de falantes, mais se estiram as costas o que, em termos de saúde corporal, reconheçamos que é ótimo.
Mas, infelizmente, a espanholidade nom se fica por aqui. Afinal, cada um é bem livre de ser mono ou estéreo. O problema é quando os monos ficam aflitos pola existência dos estéreos. A história mais recente do Reino está cheia de monoviolência a nascer de umha incapacidade, a de aceitar que existam cidadaos e cidadás estéreos de nascimento.
Conferência de imprensa da seleçom espanhola de futebol. Um jornalista da TV3 pergunta em catalám ao barcelonês Gerard Piqué. Este responde na língua de ambos, em catalám, e a seguir o desportista oferece-se para traduzir para castelhano. Nesse momento Sergio Ramos, andaluz, interrompe para exclamar: «em andaluz, diz-lho em andaluz», indignado porque o jornalista poda ter dificuldades para «entender o castelhano». Mas entender, entende, porque afinal o jornalista é estéreo, quem nom PODE entender é o próprio desportista… só tem um canal.
(*) Opiniom publicada originalmente no n.º 95 do Novas da Galiza, na secçom Língua Nacional.
