Por Valentim R. Fagim
Se fosse editor, um livro que editava com prazer era “La Voz e as línguas na Galiza”. Quem acompanhar este jornal crunhês, terá percebido uma nota constante que, muito presumo, deve ter os seus primeiros ecos nos primórdios da publicação, lá no último quartel do sec. XIX:
contrabalançar toda boa notícia a respeito da nossa língua com uma coluna de opinião ou uma outra notícia que a conteste, rebaixe o seu mérito ou a caricaturize até.
O exemplo mais recente vimo-lo na terça feita com a reportagem sobre a criação da AGLP, Associação Galega da Língua Portuguesa. Na mesma página onde se informava do evento aparecia um artigo do professor Alonso Montero onde entre outras questões alertava que “As persoas que hoxe intenten propoñer un galego coincidente co portugués estándar violentarán tanto o galego que nos parecería estraño e, por outra parte, esa proposta sería recibida pola sensibilidade do cidadán común como unha opción non galega e indesexable. Sería a morte súbita do galego”
Se repassarmos as hemerotecas, o que hoje é menos laborioso graças à Internet, encontraremos numerosas mostras deste mecanismo. Vou colocar apenas duas, ambas de 2005:
La Voz recolhe a seguinte “boa” notícia: “El bipartito ampliará las clases de portugués en colegios e institutos. La asignatura se implantará de forma opcional atendiendo a la demanda de los centros. El BNG ve crucial la medida para “repoñer vínculos” con el país vecino”. Bem pertinho deste anúncio aparece um pequeno trabalho de investigação que conclui que na cidade da Corunha, o árabe tem mais procura na Escola de Idiomas que o português. O manchete é: En A Coruña la lengua del Corán engatusa más que la de Pessoa”. Assim sendo, concluirá o leitor do jornal, que sentido faz potencializar o português no ensino obrigatório?
A segunda aconteceu aquando o primeiro jogo da seleção galega de futebol. Um cargo governamental, por sinal do BNG, afirma na Rádio Galega que a camisola incluirá o nome do país: Galiza. Esta informação é recolhida no periódico e confrontada por diferentes artigos de opinião. Destaco, pola sua rudeza, a de Ernesto S. Pombo, na altura Director da secção de Opinión, para quem a hipótese de Galiza aparecer nas camisolas:
“…es una de las majaderias de mayor tamaño cometidas desde Amalarico”
já que, entre outras cousas, Galiza evoca-lhe
“una marca de aguardiente o una denominación de origen de pimientos”.
Como sabemos, nem o português ganhou novos espaços no ensino obrigatório nem a camisola da Irmandinha recolhe o nome do país. No caso da AGLP, já parece diferente, pois a história fazemo-la nós.
