INPUT, OUTPUT e naufrágios

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Por Valentim R. Fagim

No prazo de umha semana presenciei duas vezes umha cena ilustrativa. umha galega recriminava a um brasileiro que usasse um castelhanismo, num caso era a palavra Teléfono e no outro Venres. Em mim, havia umha parte que aplaudia esse toque de atençom e umha outra que sentia que era umha acçom náufraga, solitária. É interessante notar que nom eram quaisquer brasucas mas essa raça maravilhosa de Brasilegos que moram connosco e movem-se com galegos e galegas que vivem a nossa língua como sendo extensa e útil.

Quando falamos de aprendizagem de línguas, usamos as expressões Input e Output. Input é tudo aquilo que recebemos, tudo o que lemos e escutamos. Output é tudo o que produzimos, tudo o que falamos e escrevemos.

De isto nom escapam nem galegos nem galegas nem outros lusófonos e lusófonas. O jogador brasileiro do Desportivo que se instala na Corunha rapidamente pega qual a língua da Galiza, nom a emotiva, nem a cronologicamente primeira, mas a língua ambiental, a língua a sério. Nom é preciso muito Input, basta com ler o contrato.



 

Os brasilegos e as brasilegas tenhem várias redes sociais e na maior parte delas nom há output de telefones e sextas-feiras. De facto, o output que oferecemos a sociedade galega caracteriza-se, como sabemos, por um elevado índice de castelhanizaçom.

Outra raça maravilhosa cada vez mais comum, som as pessoas que querem ter um Output o mais genuíno possível. Investem umha importante energia nesta tarefa e até pedem para serem corrigidas.

Se o grosso das nossas redes sociais se expressam em castelhano ou em galego com Output castelhanizado, a tarefa torna-se mui difícil, diria que naúfraga. A única forma de superar a síndrome Robinson Crusoe é integrar-se em redes com um Output genuíno: locais sociais, convidar determinados amigos/as ao facebook, o Novas, o PGL, Diário Liberdade, sites tugas e brasucas, cidadaos e cidadás lusófonas… enfim, a única forma de nom naufragar é… navegar diferente.


(*) Opiniom publicada originalmente no n.º 90 do Novas da Galiza, na secçom Língua Nacional.